A chegada à Terceira Idade traz consigo
limitações sobre um corpo já muito vivido.
Já não se tem a mesma vitalidade, a rapidez
dos movimentos e do raciocínio, a mesma
coordenação motora da época da juventude.
Há mais tempo disponível, mas os idosos não
sabem o que fazer com ele...
Acostumados a fazer, não sabem o que é
ser...
A qualidade de vida na Terceira Idade pode
ser definida como a manutenção da saúde, em
seu maior nível possível, em todos aspectos
da vida humana: físico, social, psíquico e
espiritual (Organização Mundial de
Saúde,1991).
Do ponto de vista físico, o fator mais
importante na manutenção da saúde é o
cuidado com a alimentação existe até um
ditado popular que versa sobre o assunto:
somos o que comemos...
Uma alimentação saudável implica em suprir o
organismo com todos os nutrientes de que ele
necessita para o seu bom funcionamento e
para a conservação de um peso estável,
fatores importantes na prevenção de várias
doenças.
Visitas regulares ao médico são fundamentais
para prevenir, diagnosticar e tratar
possíveis doenças que possam diminuir a
qualidade de vida.
A prática regular de atividades aeróbicas e
exercícios, sempre de acordo com as
limitações físicas e com orientação
especializada, contribui para a conservação
da saúde.
A atividade sexual, outro fator importante
na manutenção da saúde, deve ser mantida,
pois o idoso não perde a sua função sexual.
A impotência sexual masculina pode ter um
componente orgânico (problemas circulatórios
e diminuição da sensibilidade na região do
pênis, por exemplo), mas em grande parte das
vezes em que ocorre, ela é de cunho
emocional: por sentir-se velho, por não
possuir mais os atributos sexuais de outrora
e por considerar-se não tão viril e atraente
para o sexo oposto como antigamente, o idoso
torna-se angustiado e depressivo e,
conseqüentemente, impotente.
As mulheres idosas costumam rejeitar as
atividades sexuais em função de, ao longo de
suas vidas, não terem sido estimuladas de
forma satisfatória por seu(s)
companheiro(s), tendo praticado sexo de
forma mecânica e não prazerosa, não
atingindo, muitas vezes, o orgasmo.
É importante salientar que os valores
associados à atividade sexual, nesta fase da
vida, são diferentes dos jovens: o que
importa não é a virilidade, a quantidade de
ejaculações ou orgasmos, mas a intimidade, a
sensação de aconchego, o afeto, o carinho.
A depressão, uma das principais doenças
mentais na população idosa, é de difícil
reconhecimento e diagnóstico, uma vez que a
sociedade, de um modo geral, a encara como
um fato normal à velhice. Puro preconceito!
As causas da depressão ainda são
desconhecidas, mas acredita-se que vários
fatores biológicos, psicológicos e sociais
atuando de forma concomitante, desencadeiem
a doença. O acompanhamento psicoterápico
como complemento ao tratamento
medicamentoso, propicia a recuperação da
qualidade de vida do idoso.
A preparação para as grandes mudanças na
vida decorrentes da aposentadoria e da perda
de amigos e familiares é de suma importância
para a saúde psicológica, assim como um
contato familiar constante e a preservação e
manutenção da autonomia, independência e
dignidade do idoso.
Saber usufruir de todos os momentos de
lazer, a interação social e o
desenvolvimento de hobbies e interesses
diversos colaboram para que a mente
mantenha-se ativa e saudável.
É importante que o idoso seja respeitado
como ser humano que é, com todas as
limitações inerentes a sua idade!
Se já não possui a vitalidade da juventude,
por outro lado tem o conhecimento adquirido
através das experiências ao longo de toda
uma vida. A partilha desses conhecimentos
com as novas gerações proporciona ao idoso a
possibilidade de manter-se integrado à
sociedade.
Esta integração é de suma importância para o
idoso, uma vez que um de seus maiores
prazeres consiste em relatar fatos
acontecidos em sua vida e perceber que as
pessoas que o cercam dão-lhe a atenção
devida.
Qualidade de vida é, portanto, a soma de
todos esses fatores acima citados, mas,
principalmente, a preservação do prazer em
todos os seus aspectos...
O prazer de ter um corpo saudável e a
aceitação de seus limites, o prazer de
interagir em sociedade, o prazer da
satisfação dos desejos na medida do possível
e aceitável, o prazer de compartilhar e de
aprender...
Porque viver implica em manter-se num
processo de aprendizagem eterno...
Como dizia a minha avó:
"Quando eu morrer, não terei aprendido nem
metade do que eu gostaria de saber... "
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