As frases
do medo
"Você
faz tudo errado!" "Não seja fraco, moleque!"
No lar e na
escola, expressões prontas e estereotipadas
substituem o diálogo com as crianças; pavor
que provocam deixam sequelas na vida adulta.
Seguir o
caminho mais fácil e cômodo na educação dos
filhos nem sempre é a melhor opção. Às
vezes, frases prontas como as lidas nesta
página substituem o tão imprescindível
diálogo e são a escolha mais fácil para
fazer com que uma criança obedeça e siga as
vontades de um adulto, seja ele pai, tio ou
professor. Mas os reflexos que tais atitudes
causam na vida adulta dessa criança podem
ser um medo fora do normal de encarar a vida
e as situações corriqueiras do cotidiano.
É bem mais
fácil e rápido fazer uso do medo do que usar
a conversa coerente para convencer uma
criança de que ela não deve fazer algo
considerado errado e maléfico. "Neste
contexto, é mais fácil a um adulto dizer:
'se você fizer isso, o bicho-papão vai te
pegar'", afirma a psicóloga e psicoterapeuta
Olga Inês Tessari, de São Paulo, que atua no
tratamento de medos, ansiedade, problemas
específicos com crianças, entre outros
transtornos, e é autora do livro "Dirija a
sua vida sem medo: caminhos para solucionar
os seus problemas", da editora Letras
Jurídicas.
O impacto que
uma frase agressiva pode causar no curso da
vida de uma criança tem como consequência,
em alguns casos, reações catastróficas.
"Dependendo do local e das pessoas que estão
ao nosso lado, a crítica delas ao nosso
comportamento pode deixar marcas profundas
pela vida afora", alerta a especialista. "No
caso de uma criança que tem medo da reação
dos pais, a elevação da ansiedade faz com
que ela tenha comportamentos absurdos."
RESULTADOS
As
consequências de um medo adquirido na
infância são várias. Entre elas:
insegurança, ansiedade, baixa autoestima,
dependência química e até depressão ou
pânico. "O medo está ligado ao perfil de
personalidade construído ao longo da
infância com interferência direta dos pais,
de acordo com a forma que educaram e criaram
a criança", afirma Olga.
Algumas
características notadas em pessoas com
problemas ligados a algum medo adquirido
pela forma que foram criadas são:
preocupação excessiva com a opinião dos
outros, receio de receber críticas,
tendências perfeccionistas por medo de
errar, nível de ansiedade elevado e, quando
precisam fazer algo que mexe com elas,
acabam fazendo errado ou de forma contrária
ao que desejariam fazer.
Cautela
não é medo maléfico
Psicoterapeuta ressalta distinção entre
precaução e insegurança irracional
O medo se
manifesta de diferentes maneiras e,
acreditem!, nem sempre é maléfico. Em alguns
casos, ser considerado medroso não é algo
ruim, mas sim uma qualidade de quem pensa
antes de agir. Vai a explicação...
Há dois tipos
de medo. Um é considerado normal e está
presente na vida de todas as pessoas,
evitando atitudes impensadas, como saltar de
um prédio para sentir a sensação de voar. O
outro, é um medo irracional, que impede sua
vítima de levar uma vida normal e exige
tratamento psicológico.
"O medo
normal é o que nos protege de sofrimentos
que podem ser evitados e que preserva a
nossa vida e espécie. Por exemplo, se uma
pessoa tem medo de ser assaltada, esse pode
ser um medo natural causado pelo aumento da
violência urbana. A forma natural de lidar
com esse medo "normal" seria agir no sentido
de evitar assaltos, não portando joias, nem
exibindo bens, mas continuando sua vida
normalmente", explica a psicóloga e
psicoterapeuta Olga Inês Tessari, autora do
livro "Dirija a sua vida sem medo:
caminhos para solucionar os seus problemas",
da editora Letras Jurídicas.
Já o medo
irracional surge quando a pessoa começa a
evitar ter uma vida normal graças ao medo, é
quando a pessoa se tranca em casa e não vai
a lugar algum por medo de ser assaltada. "É
aquele medo que uma pessoa sente no dia
seguinte ao assalto, quando acha que todas
as pessoas à sua volta são assaltantes em
potencial. Ou seja, quando há um medo
irracional, a pessoa deixa de ter uma vida
normal, deixa de fazer o que deseja e sofre
por causa desse medo", diz a psicóloga.
O sofrimento
causado pelo medo fora de controle traz
consequências consideradas nocivas ao
comportamento de suas vítimas. Este medo
eleva o nível de ansiedade e faz com que o
indivíduo tenha atitudes absurdas que o
levam a agir no sentido de evitar qualquer
situação que provoque este medo, causando
comportamentos instintivos e, muitas vezes,
irracionais.
Frases
maléficas
"Você
faz tudo errado!"
"Como você é atrapalhado!"
"Cale a boca: você só diz bobagens!"
"Não seja fraco, moleque!"
"Você não consegue fazer..."
"Você é burro, idiota, estúpido!"
"Como você me faz sofrer..."
"Por que você não consegue ser como seu
irmão?"
Fonte: psicóloga e psicoterapeuta Olga
Inês Tessari
Frases
ditas a crianças pequenas
“Se você
agir assim, o bicho-papão vai te pegar”
“Não vá para a rua porque a cigana rouba
criancinhas e as coloca embaixo de sua saia”
Fonte:
psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari
Sintomas
físicos do medo
- Tremores
- Falta de ar
- Taquicardia
- Mal estar
- Suor excessivo
- Rubor nas faces ou palidez
- Problemas estomacais
- Agitação motora
- Falta de concentração
- Problemas de memória
-
Tratamento
Psicológico para a ansiedade e seus medos
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