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Adolescentes precisam de apoio
Criação influencia forma como jovens encaram as transformações comuns de sua idade

Quando somos crianças os limites de nosso mundo é a nossa casa, nossos pais são heróis e heroínas e tudo parece ser mais simples. Já quando chegamos à adolescência esses limites se ampliam e somos tomados a responsabilidades que não estamos acostumados, como a pensar no futuro, em carreira. As coisas parecem ser mais difíceis, já não consideramos nossos pais fantásticos, pelo contrário, ficamos distantes para nos afirmarmos enquanto pessoas.

O caminho natural da juventude costuma passar por situações como essa, em que as mudanças nos afetam, bem como o ambiente em que vivemos. Ocorre que nem sempre estamos prontos ou somos preparados para encarar essa nova fase, o que pode acarretar sérios problemas, incluindo-se aí a depressão, por não compreendermos tudo o que ocorre à sua volta e desejar voltar ao tempo de bebê, em que éramos pajeados por nossas mães o tempo todo.

A forma como enfrentamos essas transformações e como conseguiremos superá-las depende muito como nós somos criados e educados pelos nossos pais. E para conseguirmos atingir uma evolução satisfatória é muito importante o apoio dos pais, mas sem proteger os filhos exageradamente, como atesta a psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari, que nos concedeu uma entrevista via correio eletrônico, explicando um pouco melhor as causas da depressão na adolescência e o que fazer para evitar que isso prejudique o crescimento dos jovens.

Confira o bate-papo na íntegra.


Site Pe. Marcelo Rossi - Quais são as principais causas da depressão na adolescência? Porque a depressão nessa faixa etária tem crescido tanto nos últimos tempos?

Olga Tessari – Depressão, em última instância, significa sentir-se sem saída ou totalmente impotente para lidar ou resolver uma determinada situação/problema. Infelizmente, a maior causa da depressão está relacionada à educação familiar, onde o filho cresce com a falsa sensação de que pode tudo, por ter sido uma criança sem limites ou mesmo com limites não bem definidos, com seus desejos quase sempre satisfeitos e que não aprendeu em casa a lidar com o "não". Quando ele toma contato com o mundo, percebe que o mundo é repleto de limites e de "não" e tem muita dificuldade em lidar com isso, o que pode gerar a depressão. Outro fator que pode levar à depressão é o fato do adolescente estar deixando de ser criança para tornar-se adulto, sem saber como lidar com isso, justamente porque não foi educado para tal. Os pais, que superprotegiam e não delegavam tarefas e responsabilidades para o filho por considerá-lo criança, de repente passam a fazer cobranças e exigir determinados comportamentos que não ensinaram a eles. Algumas frases dos pais ilustram bem este momento: "você já é grande", "está na hora de ser responsável", "você já não tem mais idade para isso", "quando eu tinha a sua idade eu já cuidava de mim sozinho", etc. Outros fatores que podem colaborar são a falta de diálogo dentro da família, a não aceitação ou a falta de respeito, por parte dos pais, de amigos dele, ou de comportamentos diferentes dos que eles esperam dos filhos, castigos sem razão aparente ou mesmo porque, por falta de diálogo, os pais fazem uso de sua autoridade como pais para impor suas vontades sobre os filhos, desrespeitando o direito deles de discordarem.


Site Pe. Marcelo Rossi – A dificuldade do jovem se relacionar com os outros, a pouca aceitação dele no grupo escolar, se sentindo excluído, também podem ser fatores que levam à depressão?

Olga Tessari – Na adolescência, a exclusão é um fator que pode colaborar muito para um estado depressivo, até porque esta é a fase em que ele mais necessita estar em grupos, sentir-se integrado ao meio, tanto que, nessa fase, é comum os amigos de um determinado grupo comportarem-se e se vestirem da mesma maneira, por exemplo. Um jovem que se sinta excluído e que não tem o apoio familiar (apoio, não proteção) pode ficar depressivo.


Site Pe. Marcelo Rossi – Como os pais podem perceber os indicativos de que seu filho está deprimido?

Olga TessariOlga Tessari – O estado depressivo faz com que ele se torne irritadiço, desanimado, com muito sono, dormindo muito, querendo ficar mais tempo sozinho do que com outras pessoas, isolando-se do convívio social. Outros indicativos: quando se tranca no seu quarto praticamente o tempo todo e fica sem fazer nada por muito tempo, não cumpre mais com suas obrigações ou mesmo não tem mais prazer e alegria de fazer aquilo que gostava muito antes, sem colocar outros interesses no lugar. Vale dizer que existem momentos de tristeza em que tudo isso pode acontecer, mas costumam ser passageiros: depois de alguns dias, tudo volta ao normal. Se o jovem permanece neste estado por mais tempo, certamente é hora de buscar um tratamento adequado com um profissional da saúde para resolver o problema. Os pais, em geral, não são as pessoas mais indicadas para resolver este problema, até porque, na fase da adolescência, ele quer e necessita de um certo distanciamento dos pais até para construir a sua própria maneira de ser adulto.


Site Pe. Marcelo Rossi – O que os pais podem fazer para se aproximarem dos filhos e ajudá-los a superar a depressão?

Olga Tessari – Desde a infância, é importante que haja o diálogo aberto e franco entre pais e filhos. É este diálogo, construído ao longo dos anos, que dará abertura ao filho para que possa mostrar a seus pais que não está bem e solicitar a ajuda deles para resolver o problema.


Site Pe. Marcelo Rossi – Como é possível evitá-la?

Olga Tessari – A melhor maneira de evitar uma depressão no adolescente é educá-lo e orientá-lo desde cedo para saber viver e conviver bem no mundo lá fora. E a melhor maneira de fazer isso é, desde cedo, colocar limites claros e bem explicados para ele, delegar tarefas e responsabilidades de acordo com sua faixa etária e suas capacidades, mostrar seu amor e respeito e valorizar cada feito dele, assim como mostrar, com carinho, quando ele estiver errado. Jamais pensar que seu filho é sua propriedade e que ele tem que ser na vida o que os pais desejarem! Manter um diálogo aberto e franco, respeitar sempre as opiniões e críticas do filho e mostrar que, embora não concorde com elas, entende que ele tem o direito de discordar. Não é porque são filhos que não podem pensar de forma diferente dos pais.

Qualquer dúvida você pode entrar em contato com a psicóloga Olga Tessari pelo email
Matéria publicada no site do Padre Marcelo por Rodrigo Herrero em janeiro/2006

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