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Pessoas Escandalosas

Elas são um escândalo!
  

 

*Entrevista com Dra Olga Inês Tessari

 

*o texto está registrado de acordo com a Lei de Direitos Autorais

 

Publicada no site Bolsa de Mulher por Ana Luiza Silveira

 

 

 

 

* Veja indicação de leitura de outros textos no final da página *

 

 

Não há como não notar. A pessoa aparece e é como se todos os holofotes se voltassem sobre ela. Não, na verdade eles não a iluminam automaticamente. Elas se esforçam – e muito! – para chamar a atenção. Roupas espalhafatosas, acessórios extravagantes, voz ou risada vários decibéis acima do tolerável, histórias de veracidade duvidosa, cafonice aguda... Todas essas características – avulsas ou em conjunto – fazem o estilo das pessoas escandalosas, aquelas que não perdem uma única oportunidade de aparecer ou de serem notadas. De vez em quando as atitudes tomadas por elas não nos agridem muito, mas há momentos, aliás vários momentos, em que é praticamente impossível não ficar irritado. O que será que faz essas figuras serem como são? Será que elas têm consciência do que fazem? Ou o que é escândalo para uns pode ser normal para os outros?



Bem, depende do ponto de vista. De repente a pessoa pode ser simplesmente extrovertida, como uma prima da designer Monique Abreu. “A gente sabe que ela está por perto, em lugares públicos, por causa da voz aguda, da risada alta e do perfume forte. Ela é um poço de simpatia, mas faz altos escândalos quando encontra alguém, é capaz de soltar um ´queriiiiiiidaaaaa!´, a umas duas quadras de distância. Ela faz essas coisas sem perceber, já faz parte da personalidade dela, mas tem horas em que irrita um pouco. Gente que ri ou fala alto o tempo todo, gesticula demais e tem ataques freqüentes de empolgação às vezes dá nos nervos”, confessa ela.



Ou então pode ser uma verdadeira caixa de surpresas, como um ex-colega de trabalho da publicitária Claudia Rocha. “À primeira vista ele parecia ser um cara bem contido, mas com o tempo a face mais chamativa foi aparecendo. Discutia aos berros por qualquer bobagem, adorava fazer piadas sem graça com os outros em voz alta e tinha certa atração por qualquer oportunidade em que ele pudesse aparecer mais do que todo mundo. Na festa de final de ano da empresa, então, ele soltou a franga! Bebeu em excesso, cantou, dançou, mergulhou vestido na piscina. Ele se achava o rei”, relembra. “Ele não era só escandaloso, mas inconveniente também”.



É, mas quem é que já não teve o prazer de conviver com vizinhos adoradores de um bom barraco? Elisa Alves, advogada, que o diga.  “Estou começando a achar que espalhafato é genético. Moro ao lado de uma mãe e uma filha que quebram o pau quase toda noite. Berram, jogam coisas, se esgoelam, batem porta, se xingam, arrastam coisas. Parece até espetáculo com hora marcada. E não adianta reclamar, dar batidinhas na porta, gritar para calarem a boca, nada. No começo eu ficava tremendamente assustada com o comportamento delas, agora já virou uma rotina. Quando elas se empolgam, não há quem segure”, ironiza.



Tem ainda aquele pessoal que não precisa nem abrir a boca ou fazer barulho para mostrar que adora uma extravagância. Basta estar presente, usando roupas e acessórios no mínimo, digamos, fora de contexto. Roupas coloridas demais, saias minúsculas, cabelos com tonalidades berrantes, brincos gigantes e brilhantes, enfim, toda uma parafernália esquisita. Isso, na visão de muita gente, também é ser escandaloso. “É um atentado aos olhos de quem está por perto”, critica Elisa. A designer Monique concorda: “Eu diria que é uma espécie de escândalo silencioso”, brinca.

 


Baixando a bola


Para a psicóloga Olga Tessari, existem vários fatores que envolvem o comportamento de pessoas escandalosas, mas o principal mesmo é o desejo de chamar a atenção. “Há pessoas que se sentem muito bem em se comportar dessa maneira, acabam desenvolvendo uma personalidade marcante. Claro que algumas não têm senso do ridículo, acreditam estar agindo de forma normal”, diz. Outros fatores são o desejo de ser diferente, para se destacar no meio de todo mundo e quebrar as regras da sociedade, é a pura e simples extroversão. “Já no caso de roupas muito chamativas, por exemplo, a gente percebe que a pessoa faz parte de algum grupo, alguma tribo. Cada um tem a sua identidade e se expressa da maneira que considera mais adequada”, comenta a psicóloga.



No entanto, o que fazer quando estamos sendo importunados ou nos sentindo invadidos pelo jeito escandaloso de ser de alguém? Uma dica para quem não agüenta mais ouvir a voz alta e estridente de uma matraca sem limites é responder à pessoa com um tom de voz mais baixo. Automaticamente, a pessoa se verá obrigada a continuar a conversa no mesmo volume. Agora, se o caso for outro e não der mais pra agüentar... “O ideal é chamar para uma conversa e ir com muita calma. A outra pessoa pode não levar a sério ou até mesmo se ofender, se a coisa não for dita corretamente. Chegar com jeitinho, dizer que o comportamento dela está chamando a atenção de muita gente, está incomodando e, de repente, dar alguma sugestão de mudança”, aconselha Olga Tessari. OK, pode ser uma boa alternativa, só que a própria psicóloga reconhece que os escandalosos não desistem facilmente. “Se é uma pessoa desagradável, todo mundo se afasta. O curioso é que, para receber de novo os holofotes, elas acabam exagerando mais ainda”, comenta.  É, de uma forma ou de outra, pelo jeito, eles vão estar sempre dispostos a marcar sua estrondosa presença. 

 


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Dra Olga Inês Tessari

Autora dos livros: "Dirija sua vida sem medo" e "Amor X Dor"

- Escritora - Pesquisadora - Palestrante - Supervisora - Mediadora de Conflitos -
- Desenvolve e ministra cursos, palestras, workshops: projetos específicos para empresas e grupos -
- Consultora Comportamental em temas da Psicologia para a mídia em geral -
- Especialização em Psicologia das Emergências e Desastres -

- Professional & Life Coach -

Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571), atua nas áreas de ansiedade, autoestima, medos, timidez, pânico, estresse, depressão, insegurança; orientação de pais; problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, do casal e da família; situações de emergências e desastres. Mediadora de conflitos dos problemas e dificuldades nos relacionamentos em geral (do casal, dos pais com os filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc), sempre buscando a qualidade de vida das pessoas. Trabalha também com equipe multidisciplinar com os distúrbios da alimentação (obesidade, compulsão, bulimia, anorexia). Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias inteiras em seu consultório, on line ou em domicílio.

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