Comer um
pedaço de torta de chocolate de vez em
quando não é nenhum pecado. Ao contrário,
pode até ajudar a relaxar depois de um dia
estressante. Mas quando o desejo de devorar
a torta inteira se torna freqüente é melhor
ficar alerta. Pode ser um indício de
compulsão alimentar.
Segundo o
endocrinologista Luiz Oliveira, a compulsão
pode ser definida como o desejo exagerado de
comer algo. 'Quem sofre desse transtorno não
pára de comer até que o alimento acabe'. Em
geral, o compulsivo come sem ter fome e não
se satisfaz. Tem a impressão de ser um saco
sem fundo. e, na maioria das vezes, prefere
os doces. Chocolate é o alvo preferido. A
explicação é simples: ele estimula a
produção de serotonina, substância do
cérebro ligada à sensação de prazer e, com
isso, alivia a depressão e a ansiedade.
Frituras também agradam bastante.
A compulsão
pode ser causada por fatores fisiológicos,
como regimes repetidos e os muito
restritivos. Mas, em grande parte, deve-se a
fatores psicológicos. Por isso, medicamentos
só devem ser usados em caso de obesidade
mórbida ou para dar um estímulo inicial ao
tratamento, que deverá continuar com
reeducação alimentar orientada por um
nutricionista, um endocrinologista e um
psicólogo.
Para a
psicóloga Olga Inês Tessari, ansiedade,
tensão tédio, perdas (de namorado ou
emprego, por exemplo), planos que não dão
certo e excesso de obrigações são as causas
psicológicas causadoras da compulsão mais
freqüentes. 'É comum que as pessoas procurem
no alimento uma forma de aliviar o
sofrimento. A compulsão é causada pelo
desejo de preencher um vazio comendo, não
pela fome', esclarece.
Gula não é
compulsão
Gula é aquela
bola um pedaço de pizza a mais. Tentação que
todos podem se permitir, de vez em quando,
sem remorsos. Já a compulsão é descontrole. A
pessoa não mastiga direito, nem sente o
gosto do que está comendo. Movido por
questões emocionais e não por fome, o
compulsivo tenta engolir os problemas.
Bulimia e
compulsão: transtornos distintos
Ao contrário
da bulimia, em que se come exageradamente e,
depois, devido à preocupação com o peso,
apela-se para diuréticos, laxantes, vômitos
induzidos e jejum prolongado,...
No transtorno
compulsivo, a sensação de remorso não leva a
pessoa a tentar reverter a comilança com
atitudes agressivas, por isso, a compulsão
alimentar é um dos grandes causadores da
obesidade.
O Dr. Luiz de
Oliveira é endocrinologista. E pode ser
encontrado em Bauru pelo telefone (014)
0223-6454.
A Dra
Olga Inês Tessari, psicóloga e
psicoterapeuta, é consultora do Mulher
Atual. Para contatá-la, acesse o site
http://ajudaemocional.tripod.com/
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