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Morar sozinho

 

 

 

Vôo solo

  

 

* Entrevista com Dra Olga Inês Tessari

*o texto está registrado de acordo com a Lei de Direitos Autorais

 

 

Publicada no site do Padre Marcelo

Por Rodrigo Herrero

Janeiro/2008

 

 

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Desafio de morar sozinho requer muitas responsabilidade e organização

 

 

 

Morar sozinho para um jovem é a senha para a independência e liberdade. Já para os pais pode ser uma irresponsabilidade, imaturidade, ou ainda a afirmação de que é cedo para isso. O que ninguém discorda, porém, é que essa mudança pode ser um passo decisivo na vida de quem busca andar com os próprios pés.

 

 

A webdesigner e estudante Gisele Silva de Leles, de 24 anos, sempre teve vontade de morar sozinha, também para eliminar as costumeiras “briguinhas familiares”, mas encontrou em uma necessidade profissional o trampolim definitivo para consolidar seu projeto de vida de morar no centro de São Paulo.

 

 

“Eu só tomei coragem quando eu tinha 19 anos, morava em Suzano e trabalhava em dois empregos, de manhã em Suzano e à tarde em Itaquaquecetuba (cidades da grande São Paulo). Eu não conseguia conciliar o trabalho com a possibilidade de entrar para a faculdade. Comecei, então, a procurar um apartamento ou quitinete, me permitindo trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Após alugar uma quitinete larguei os dois empregos, juntei minhas economias e mobiliei o lugar. Consegui um emprego logo e tudo deu  certo, me matriculei num cursinho e voltei a estudar”, diz.

 

 

Ela conta que o mais complicado foi convencer os amigos e, principalmente, os pais, de que ela estava fazendo a coisa certa. “Foi meio difícil para minha mãe aceitar a minha ausência e encarar a minha nova fase de vida. Afinal os pais nunca querem que agente cresça”, afirma. Depois de ter vivido quatro anos essa experiência, hoje ela se casou, mas garante que foi uma etapa positiva em sua vida.

 

 

Já o webdesigner Vinicius de Oliveira Chagas, de 23 anos, que vive sozinho a quatro anos, entrou nessa aventura meio que por acaso. De um concurso no interior de São Paulo que o fez morar na casa da tia surgiu uma bolsa para permanecer por lá, fazendo com que ele procurasse uma residência, com a mãe passando o primeiro mês para “ajeitas as coisas” para ele, fato que o deixou acomodado.

 

 

“Durante esse um mês que minha mãe ficou em casa, ela sempre queria me ensinar a fazer arroz, ou a lavar roupas, eu nunca ligava muito, porque achava que ela não iria embora. Até que do dia pra noite ela foi e eu me vi sem saber fazer nada. Então comecei a aprender na marra, ia cozinhar feijão e perguntava para as meninas da minha classe ou procurava na internet. Foi então que percebi que morar sozinho não era tão aventureiro assim. Pelo contrário, você tem  muito mais responsabilidades do que aventuras”, opina.

 

 

Para a psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari, são vários os motivos que podem levar uma pessoa a querer morar sozinha, dependendo disso para o possível sucesso dessa empreitada. “Se for uma opção pessoal, ela quer ter a sua liberdade, a sua independência e está consciente dos problemas e dificuldades inerentes a esta escolha”, considera. “Quando é a necessidade que leva a pessoa a morar sozinha, seja por conta de ter que estudar ou de trabalhar longe de sua casa, nem sempre ela deseja morar só ou está pronta para lidar com as dificuldades. Já para aquela pessoa que foge de uma realidade ruim dentro de sua casa, qualquer situação é melhor do que aquela em que vivia, embora ela pode vir a sofrer ainda mais por conta de outros problemas relativos ao fato de não ter tido um planejamento para esta mudança”.

 

 

Prós e contras

 

Morar sozinho tem diversos benefícios, mas também muitas obrigações. Para o jornalista Emerson Frossard Neto, de 27 anos, sendo três vivendo sozinho em Niterói, após ter saído da cidade natal Rio Bonito (interior do Rio de janeiro), a pior coisa (para eles e para muita gente ouvida pelo Portal) é lavar a louça. “Também não é nada agradável pagar tantas contas. Antes só tinha que arcar com a conta do meu celular, despesas com carro e gastos do dia-a-dia. Agora tenho IPTU, condomínio água, gás, luz, telefone fixo, celular, TV por assinatura. Às vezes me sinto um pouco sozinho também, mas levo numa boa. Nada que uns telefonemas não resolvam”, garante.

 

 

O ponto mais positivo para Gisele é a proximidade de sua residência ao local de trabalho, de estudo, além facilidade de acesso a locais de lazer e cultura e da possibilidade de manter a casa desarrumada, organizando-a a hora que quiser. Mas faz uma ressalva importante: “Além da coragem é preciso extrema confiança e equilíbrio para morar sozinho, pois não existe ninguém além de você para bancar todas as contas. Na casa dos pais é tudo mais fácil, pois são várias pessoas e cada um tem a sua responsabilidade. Sozinho é você e Deus. Às vezes eu pensava: ‘o que eu faria se ficasse sem trabalho?’. Mas, por outro lado, é extremamente gratificante a experiência de vida e responsabilidade que você adquire”.

 

 

Refletir

 

Por tudo isso, a psicóloga Olga Tessari coloca a necessidade de se refletir bem antes de tomar uma decisão dessa, vital para o andamento futuro da própria vida. “Para que a experiência seja positiva, é preciso refletir sobre os fatores que podem atrapalhar essa nova vida, tais como a solidão, a desorganização, a falta de responsabilidade para com os gastos e com os cuidados da casa, aprendendo a administrar o seu tempo para que mantenha sua casa e suas coisas em relativa ordem”, orienta.

 

 

E para quem já se decidiu por morar sozinho, aí vão algumas dicas dadas por quem já está nessa estrada há algum tempo: “Verificar a proximidade com utilidades públicas e domésticas, mercados, bares, padarias, pois, eventualmente, quem mora sozinho come fora. Posto de saúde também, pois se você ficar doente a mamãe não estará lá com o chazinho, e posto policial, para a sua segurança. E um bom relacionamento com o porteiro, pois ele sempre te socorre nos momentos de urgência, como indicar uma lavanderia mais barata, trocar um chuveiro”, elenca Gisele.

 

 

Neto avisa que os primeiros meses são difíceis e pede que todos tomem cuidado com as contas, dos principais “vilões” apontados pelos entrevistados: “Tem que ser organizado e ter grana para arcar com essas despesas todas”. Chagas sugere que se converse bastante com quem experimentou essa vivência, assim como com amigos, pais. E finaliza de modo bem-humorado: “Leve sempre essa frase com você: ‘A toalha que você deixa em cima da cama depois do banho, nunca mais vai voltar sozinha pro banheiro’”.

 

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Dra Olga Inês Tessari

Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo"
Escritora - Palestrante - Pesquisadora – Supervisora – Consultora


Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto-estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, do casal e da família, mediadora de conflitos dos problemas e dificuldades nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc.), trabalha também em equipe multidisciplinar com os distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia).
Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias.
Desenvolve e ministra palestras, cursos, palestras e projetos específicos para empresas e grupos em geral.
Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral
Visite o site: www.ajudaemocional.com
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