A dislexia,
doença que está sendo muito comentada devido
a personagem da novela da Rede Globo Duas
Caras, é um dos muitos distúrbios
relacionados a aprendizagem que atinge cerca
de 15% da população, segundo dados da
Associação Brasileira de Dislexia. A doença
caracteriza-se pela dificuldade da criança
em entender diferentes formas da linguagem,
dificuldade de leitura e de escrita e até
mesmo de soletração.
Sandra Regina
Fâmula, moradora de São Caetano do Sul e mãe
de Guilherme Corneto, conta como percebeu
este distúrbio no filho. “Quando descobri
ele estava com 9 para 10 anos. Ele
apresentava muitas dificuldades na escola,
tinha notas baixas e isso me fez perceber o
problema”. Com relação à escola, a mãe diz
que os professores fazem de tudo para se
adaptar. “O disléxico tem dificuldade em
escrever, ler e entender, então, isso
influencia em todas as matérias. Como cada
caso é único e cada disléxico apresenta
dificuldade específica, acaba não sendo
fácil para a escola também”, afirmou.
Por demorar
para ser detectada (geralmente é vista no
início da vida escolar), muitas crianças
disléxicas são rotuladas de desmotivadas e
preguiçosas, visto que têm dificuldades de
aprender. Ao contrário do que se pensa, a
dislexia, que surge de forma hereditária,
causa dispersão e também uma demora da
criança em aprender a falar e organizar a
linguagem de modo geral.
Os disléxicos
recebem informações em uma área diferente do
cérebro. Ou seja, são pessoas com cérebro
normal, mas que processam a informação de
uma forma mais lenta. No processo de
leitura, recorrem somente à área cerebral
que absorve fonemas. A conseqüência disso é
que disléxicos têm dificuldade em
diferenciar fonemas de sílabas, pois sua
região cerebral responsável pela análise de
palavras permanece inativa. Suas ligações
cerebrais não incluem a área responsável
pela identificação de palavras e, portanto,
a criança disléxica não consegue reconhecer
palavras que já tenha lido ou estudado;
tornando assim uma grande barreira, pois
toda palavra que ela lê aparenta ser nova e
desconhecida.
Para detectar
esse distúrbio é preciso uma avaliação
multidisciplinar, que diferencie a dislexia
de outras disfunções como, por exemplo, um
retardamento mental leve. Segundo a
fonoaudióloga Adriana Nascimento Gabanini, é
possível suspeitar que uma criança tenha
dislexia com 4ou 5 anos de idade, mas só um
tempo depois da fase de alfabetização, com
cerca de 9 anos, e com a avaliação de vários
profissionais, é possível ter certeza do
diagnóstico de dislexia.
A fonoaudióloga faz parte do Programa de
Dislexia ABC, que tem parceria com a
Prefeitura de Santo André, é formada por uma
equipe multidisciplinar de neuropsicólogos,
fonoaudiólogos, neuropediatras e
psicopedagogas. Que, em parceria com a
prefeitura, avalia crianças das escolas da
rede pública da região. Assim, cada
profissional pode ajudar no desenvolvimento
da criança em sua dificuldade específica. “A
fonoaudióloga ajuda na melhora do ritmo,
leitura, na velocidade de produção,
interpretação e trocas na fala”, explica
Adriana.
A psicóloga
Olga Tessari, diz que o psicólogo deve fazer
uma avaliação de forma que tanto a criança
quanto a família tenham consciência do
problema e de como agir para que este não
cause sofrimento, uma vez que a dislexia não
tem solução, embora seja possível lidar
muito bem com ela. “A criança disléxica pode
estudar em uma escola normal, desde que
tenha a assistência psicológica necessária e
que os pais também sejam orientados sobre
como agir com ela”, alerta.
A professora
Dalva Loreatto dos Santos, supervisora da
área de Psicologia Escolar do curso de curso
de Psicologia, diz que é de fundamental
importância o trabalho em parceria com a
escola. “Os pais que já contam com o
diagnóstico realizado por profissionais,
devem informar à escola e juntos encontrarem
alternativas de ações pertinentes para as
situações do cotidiano escolar”, completa
Dalva.
Como saber
se seu filho tem dislexia:
Algumas
falhas no aprendizado e comportamento podem
ser observadas:
-
Dificuldades com a linguagem;
-
Dificuldades na escrita e ortografia;
-
Lentidão
na leitura;
-
Falta de
memorização das palavras.