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O abuso sexual
acontece principalmente em crianças e
adolescentes e nem mesmo os homens escapam
da violência. Os estragos na vida de quem
não procura ajuda são grandes e trazem
graves conseqüências
O
que é estupro?
Pela lei brasileira, estupro
corresponde a qualquer
penetração vaginal forçada,
portanto apenas mulheres podem
ser estupradas.
O abuso sexual em homens é
considerado atentado ao pudor,
que se refere a penetração anal,
sexo oral ou qualquer contato
sexual sem o consentimento da
vítima.
Na legislação norte-americana,
todos os fatos citados são
definidos como estupro.
Um homem
aparentemente comum pára você na rua,
identifica-se como fotógrafo de uma agência
de modelos e cobre-lhe de elogios. Em
seguida, vocês dois seguem para um parque
onde ele diz que fará algumas fotos suas.
Foi com esse papo que o motoboy Francisco de
Assis Pereira, mais conhecido como "maníaco
do parque", estuprou e matou cerca de nove
mulheres no Parque do Estado, em São Paulo.
Quase dez anos depois, nem todas as vítimas
foram confirmadas e dados da Organização
Mundial da Saúde - OMS de 2002 relatam
que, em alguns países, cerca de 47% das
mulheres declaram que sua primeira relação
sexual foi forçada pelo parceiro. A
proporção de mulheres que disseram ter sido
vítimas de uma tentativa de abuso ou que
foram forçadas por um companheiro íntimo a
fazer sexo em algum momento de suas vidas é
de 10,1% no Brasil (São Paulo) e chega a
46,7% no Peru (Cuzco).
Sabe-se
também que o Hospital Pérola Byington,
em São Paulo, atende de dez a doze vítimas
por dia. Um serviço especial em parceria com
a Delegacia da Mulher disponibiliza a
viatura, que apanha a pessoa em qualquer
distrito que ela estiver e leva ao local,
onde serão feitos exames de corpo e delito e
será oferecido atendimento psicológico e
ginecológico.
A diretora da
Delegacia da Mulher de São Paulo, Márcia
Salgado, conta que grande parte dos abusos é
realizada por pais, padrastos ou parentes
próximos. Muitas vezes é o próprio marido
quem o faz. Esse foi o caso da mãe do
auxiliar de cabeleireiro *Paulo, 22 anos.
Paulo e o
irmão mais velho viam a progenitora sofrer
de violência física e sexual, sendo que o
esposo era o agressor. O garoto também foi
estuprado, quando tinha 6 anos, por um
vizinho não muito próximo, mas preferiu não
dizer nada para que a mãe não sofresse mais
e até hoje a família não sabe. "Na época, eu
tive dores e sangramentos, hoje, tenho
alguns bloqueios. A minha primeira relação
sexual foi muito difícil, eu tinha 15 ou 16
anos e não conseguia, chorava. Sou
homossexual e tenho um parceiro fixo, mas
até conseguir me estabilizar, tinha muito
medo e desconfiava das pessoas", diz.
Não há um
perfil de vítima preferido pelos agressores.
Alguns estupradores de rua gostam mais de
determinado tipo físico ou idade, mas não
existe uma categoria que desperte mais a
atenção deles.
Márcia
ressalta que não há um levantamento
estatístico do perfil do estuprador.
"Psicólogos relatam que eles podem ser
pessoas que vivenciaram abuso ou
presenciaram alguém próximo sofrendo esse
tipo de agressão. Por isso se espelham
nessas situações e cometem o crime."
A conselheira
e palestrante da Campanha Quebrando o
Silêncio, Rosemari Tavares de Oliveira,
conta que a maioria das mulheres que procura
pela ajuda da campanha tem esperança de que
o agressor vá parar de fazer aquilo. As que
são violentadas por alguém da família não o
entregam à polícia porque têm medo de passar
fome ou morar na rua.
De acordo com
Rosemari, uma pesquisa Ibope mostra que a
violência contra a mulher preocupa mais a
sociedade do que o câncer ou a AIDS, sendo
que 51% dos entrevistados conhecem ao menos
uma que já tenha sido agredida pelo
companheiro. "Numa matéria publicada pela
Agência Estado, sobre um dossiê do Rio de
Janeiro, há os seguintes dados: traçando o
perfil das vítimas de AVP (Atentado Violento
ao Pudor) no estado, o estudo concluiu que
74,4% eram mulheres solteiras, 52% eram de
cor ´parda´ ou ´preta´ e 62,5% tinham até 17
anos. Crianças de até 11 anos representavam
40,1% e adolescentes entre 12 e 17 anos,
22,4% do total. O dossiê mostra que, em
65,5% dos casos, as vítimas conheciam os
acusados. Englobando pais, padrastos e
parentes acusados, este percentual chegou a
30,7%, sendo que 19,4% eram pais ou
padrastos", diz.
A socióloga e
pesquisadora do Núcleo de Estudos em
Violência da Universidade de São Paulo,
Wania Pasinato, esclarece que não existem
estatísticas nacionais que definam o número
de vítimas de estupro, mas sabe-se que é o
crime com maior "cifra negra", ou seja,
casos que não são denunciados.
O que muda
Uma pessoa
que foi vítima de abuso sexual leva consigo
insegurança, culpa, depressão, problemas
sexuais e de relacionamento íntimo, baixa
auto-estima, vergonha, fobias, tristeza,
desmotivação, síndrome do pânico e, além
disso, podem ocorrer tendências suicidas.
A psicóloga
Olga Tessari explica que a vítima se torna
estigmatizada, com uma tendência social de
acusá-la direta ou indiretamente por ter
provocado ou estimulado o ato. Dessa forma,
ela pode se considerar "impura" ou "indigna"
por pensar que, de algum jeito, colaborou
com o ocorrido. "Por mais que digam que ela
não teve culpa, a pessoa estuprada
culpa-se", diz.
A mulher
tende a imaginar que ninguém vai aceitar o
que aconteceu e que o parceiro pode
rejeitá-la por ter sido estuprada. Os
traumas chegam a acarretar fadiga
inexplicável, transtorno de apetite, insônia
e falta de atenção.
A
coordenadora do curso de psicologia do
Centro Universitário Adventista de São Paulo
- UNASP, Tercia Pepe Barbalho, conta
que, durante o estupro, o corpo da mulher
pode produzir as secreções responsáveis pela
lubrificação e até mesmo uma estranha
excitação. O fato não acontece sempre, mas,
quando ocorre, pode levar a pessoa a sentir
ainda mais culpa. É importante ressaltar que
se trata de uma defesa do organismo e não
significa que houve de fato o prazer ou
consentimento.
Entre as
conseqüências, são normais também sintomas
parecidos com o Estresse Pós-Traumático
(transtorno de ansiedade comum em soldados
pós-guerra). Além disso, muitas mulheres
entram para o mundo da prostituição, em
razão da baixa-estima e da vergonha em
buscar por um relacionamento. Elas se sentem
como se tivessem perdido valores íntimos.
Logo vem o
medo de não conseguir se relacionar com o
sexo oposto ou aquele causador da violência
e a desconfiança exagerada de tudo, além do
isolamento. Todos esses traumas podem gerar
problemas físicos como anorgasmia (falta de
orgasmo), frigidez, falta de libido e fobia.
Para atingir o prazer, a pessoa precisa
estar completamente relaxada e, após um
estupro, ela não consegue o feito, já que se
lembra da cena do abuso durante a relação.
A psicóloga e
perita Ester Esquenazi explica que a vítima
tende a negar qualquer tipo de sentimento e
prazer para que sofra menos e acaba se
tornando insensível aos vínculos que possam
trazer deleite. Por esse motivo, inclusive,
a insensibilidade dos órgãos genitais se
torna uma forma de defesa. Enfermidades como
asma, epilepsia, diabetes, artrite,
hipertensão e doenças coronarianas aumentam
e fogem do controle nas situações de
agressão sexual.
O alto nível
de ansiedade decorrente do abuso pode trazer
problemas como obesidade, anorexia,
alergias, problemas do trato digestivo,
taquicardia, tontura, falta de ar, uso de
bebida, cigarro e drogas. De acordo com a
psicóloga Silvana Peres, bissexualidade,
homossexualidade, introversão e até
problemas de pele fazem parte da lista.
Cada pessoa
absorve o trauma de uma forma diferente, de
acordo com a experiência de vida, valores e
crenças. No geral, o primeiro passo do
tratamento terapêutico é conscientizar o
paciente de que ele não teve culpa no
ocorrido, utilizando técnicas para reerguer
a auto-estima. Dependendo da pessoa, é
sugerido um trabalho em conjunto com a
família. Devido à intensidade do trauma, em
alguns casos, é preciso que um médico
receite medicamentos que variam de pessoa
para pessoa.
Algumas
mulheres superam o problema sozinhas. De
qualquer forma, na maioria da vezes, a
pessoa simplesmente oculta a questão para si
mesma, não resolvendo, mas apenas
escondendo. O profissional não deve tratar a
pessoa com sentimentos de pena, para que ela
não se sinta vítima para sempre.
Caso a mulher
tenha engravidado, tem a possibilidade, por
lei, de abortar a criança. Nesse ponto,
questionamentos vêm a tona, como o momento
certo para gerar um filho ou não, sentir-se
preparada para isso, saber se vale a pena
ter uma criança que é fruto de um momento
tão indesejado e, ao mesmo tempo,
perguntar-se se deve interromper a gravidez,
de acordo com a religião e valores que
carrega.
"Se a pessoa
não resolver estes conflitos, certamente o
filho será indesejado e sofrerá muito com os
maus tratos dessa mãe que verá nele, a todo
o momento, o fruto de um trauma que a fez
sofrer e que a mantém em sofrimento", afirma
Olga.
É o que
acontece com *Helena. A técnica de
enfermagem sofreu de abuso sexual há 22 anos
e até hoje vive sob o mesmo teto do
agressor: o marido, que não foi denunciado
por medo. Como fruto do estupro ela teve uma
filha, com quem se esforça para manter uma
boa relação, engordou, se tornou ansiosa,
nervosa, perdeu o emprego e não consegue ter
amigos, porque o esposo pode não gostar.
"Aconteceu na
volta de uma viagem à casa de meus pais. Ia
passar 20 dias fora, mas acabei ficando uma
semana a mais. Quando cheguei, com meu filho
pequeno, ele pegou o bebê, jogou num canto e
me atacou dizendo que queria saber se eu
estava com outro na viagem e por isso
demorei em voltar. Eu avisei para ele que
não podia ser daquele jeito, senão iria
ficar grávida e não tínhamos condições de
ter outro filho ainda. Ele disse que se eu
estivesse grávida o filho não era dele e
queria a prova de que eu tinha ficado 30
dias sem ninguém. Por isso, me estuprou.
Passei a ter medo dele. Tive uma filha e
odiava aquela criança. Nunca nos demos bem.
Vi-me várias vezes dizer coisas terríveis
para ela. Depois me arrependia", conta.
Em relação
aos homens que são vítimas de atentado ao
pudor, especialistas contam que, apesar de
não se ouvir falar muito no assunto, o fato
não é tão raro como as pessoas pensam e o
abuso pode causar estragos tão grandes
quanto nas mulheres. Além dos problemas já
citados, pode haver uma baixa-estima e
sensação de homossexualismo. Ser estuprado
lhe dá o questionamento de ter sido
impotente, principalmente se ele tiver algum
tipo de ejaculação ou similar durante o ato,
imaginando se é ou não homossexual.
Grande parte
de confusões da orientação sexual é
resultado da violência na infância. Os
homens que foram violentados costumam
carregar o fardo pelo resto da vida, sem
nunca tocar no assunto, por sentir que a
masculinidade foi abalada. Por outro lado,
ele pode se tornar homofóbico, já que toda
imagem que possa relembrar o trauma lhe
causa repulsa.
Ester lembra
que há alguns casos de estupro que foram tão
traumáticos, que não puderam ser superados
de forma alguma. "Posso dar um exemplo, onde
uma mulher foi estuprada por sete homens e,
apesar de todo amparo, ela não agüentou o
sentimento de ser usada e acabou se atirando
no metrô, causando morte imediata. Nos casos
onde a recuperação é inatingível, o suicídio
é a opção que eles encontram", diz.
Para ir
esquecendo ou amenizando os efeitos do
acontecido, a vítima deve, aos poucos,
permitir o diálogo sobre o fato. A ajuda do
psicólogo é importante para extravasar
sentimentos como raiva, repulsa, dor, nojo e
vergonha.
O que
fazer depois?
Saiba como
deve agir logo após o abuso sexual
Após a
agressão, é importante que a mulher procure
o hospital mais próximo ou delegacia. O
Ministério da Saúde assegura que "todas
as unidades de saúde que tenham serviços de
ginecologia e obstetrícia constituídos
deverão estar capacitadas para o atendimento
a esses casos (de estupro). É preciso que a
unidade esteja apta a atuar com presteza e
rapidez nesse tipo de atendimento, de modo a
evitar-se maiores danos à saúde física e
mental da mulher".
No hospital,
ela deverá fazer todos os exames
ginecológicos, tanto de rotina como aqueles
que diagnosticam doenças específicas
sexualmente transmissíveis. Após esses
exames, ela vai ingerir a pílula do dia
seguinte e os remédios necessários para
prevenir AIDS, Hepatite B e outros
problemas.
De acordo com
a ginecologista Sandra Novaes, a
probabilidade de uma mulher contrair
qualquer doença é maior do que no homem. Se
ela nunca teve relações sexuais
anteriormente, podem acontecer hematomas e
hemorragias. "Na delegacia, ela irá passar
por uma perícia e, caso tenha algum
ferimento maior ou uma hemorragia, pode ser
resolvido no próprio Instituto Médico Legal
- IML."
Apesar da
AIDS só poder ser diagnosticada cerca de
dois anos depois, há coquetéis de prevenção
para serem tomados nas primeiras horas,
segundo o ginecologista Eduardo Alfredo, daí
a necessidade de buscar por apoio o mais
rápido possível.
A psicóloga
do programa Bem Me Quer, que atende
vítimas da violência sexual no hospital
Pérola Byington, Daniela Lobo, explica
que é possível evitar muitos problemas se a
pessoa for atendida até 72 horas depois do
estupro. No hospital, eles cuidam de
mulheres de todas as idades e crianças
(meninos até 12 anos).
Quando chega
ao local, a vítima recebe o pronto
atendimento com as medicações necessárias.
Em seguida, ela vai para o serviço social
que a encaminha ao psicólogo e ao
ginecologista. Não é necessário fazer B.O.
(Boletim de Ocorrência) se ela não quiser.
O atendimento
psicológico será realizado por quanto tempo
for necessário, individual ou em grupo,
enquanto que o ginecológico segue por seis
meses. A mulher possui também o direito ao
abortamento, caso tenha chegado tarde demais
para evitar a gravidez, e os profissionais
procuram mostrar quais são as outras opções,
desde ter o filho até encaminhar para a
adoção.
No local, 40%
a 60% dos atendimentos são feitos em
crianças. "As mulheres chegam aqui muito
deprimidas, choram muito. Já as crianças não
têm a mesma reação, elas não percebem o que
está acontecendo, principalmente quando é um
abuso crônico, onde o pai, por exemplo, já
faz aquilo com freqüência", explica Daniela.
Tratamento de socorro
obrigatório publicado pelo
Ministério da Saúde
Para dar apoio à vítimas de
estupro, devem ser prestados os
seguintes serviços:
• prevenção da gravidez
pós-estupro, com prescrição da
anticoncepção de emergência que
impede a gravidez em até 98% dos
casos se a mulher procurar o
serviço de saúde em até 72 horas
após o estupro. O método tem
mecanismos de ação semelhante
aos demais anticoncepcionais
hormonais;
• prevenção das doenças
sexualmente transmissíveis;
• prevenção do vírus do HIV;
• prevenção da hepatite B;
• assistência psicológica;
• atendimento clínico e
ginecológico;
• orientações para doação do
recém-nascido quando a mulher
tomar esta decisão;
• encaminhamento das vítimas à
delegacia e instituto de
medicina legal sempre que
receber relato de estupro ou
outro tipo de violência sexual;
• atendimento humanizado para a
gestante que não aceita levar a
gravidez adiante.
A lei
- Grande parte das vítimas ainda tem medo de
denunciar o agressor.
Veja como funciona a
lei para o crime de estupro
Uma pessoa que tenha cometido o estupro
receberá uma pena que varia de 6 a 10 anos
de prisão, de acordo com o artigo 213 do
Código Penal Brasileiro, em regime fechado.
O crime é inafiançável e a possibilidade de
condicional ocorre apenas depois de cumprir
dois terços da pena. O acusado fica em cela
especial, mesmo que seja apenas prisão
preventiva ou temporária, pois os presos
seguem um tipo de "código de ética da
criminalidade" e ele pode sofrer violências
caso fique junto dos outros.
O especialista em Direito Privado César
Mormile, explica que o artigo 9 da Lei
8072/90 (Lei dos crimes Hediondos) dá ainda
a possibilidade de aumentar a pena em até
50%, considerando a agressão como crime
hediondo (de gravidade acentuada).
A mulher deve denunciar o agressor para a
autoridade policial, com o intuito de que
haja a apuração do caso mediante instauração
do inquérito policial e processo criminal
oferecido pelo Ministério Público. É
importante que, se for possível, a vítima
ofereça o retrato falado do estuprador.
Quando o ato foi cometido por um conhecido,
o advogado André Tavares de Oliveira
aconselha a procurar alguém de confiança
para contar e dar o apoio necessário, além
de seguirem juntos para uma delegacia, ou
mesmo telefonar para fazer a denúncia.
"Temos o disque denúncia em caso de abuso,
número 100. Em São Paulo, temos o número
181. Após a denúncia, a polícia se encarrega
de investigar o caso", explica.
Caso a agressão tenha sido contra uma
criança, qualquer pessoa que tenha
conhecimento do abuso pode procurar pelo
conselho tutelar, que providencia a proteção
da vítima e dá início à investigação. Se o
estupro for claro e evidente, o agressor
segue direto para cadeia, em prisão
temporária. Motivos financeiros e ameaças
fazem com que muitas pessoas não denunciem o
problema, principalmente se for alguém da
família.
Aquele que foi agredido deve seguir direto
para algum distrito policial, sem tomar
banho ou apagar as evidências, pois de lá
será encaminhado para o exame de corpo e
delito. O acusado não tem nenhum contato com
a vítima após a denúncia, a não ser no
julgamento, caso o juiz acredite ser
necessário.
Lei Maria da Penha
A
Lei Maria da
Penha, criada como
mecanismo de defesa para a mulher, não
contém nenhuma menção em relação ao crime de
estupro, mas pode ser usada pelo juiz
durante a prolação (pronunciação) da
sentença.
Com a lei, que entrou em vigor no dia 7 de
agosto de 2006, o rigor para as punições
aumentou. Logo após a data, um homem foi
preso no Rio de Janeiro por tentar
estrangular a ex-esposa.
Hoje, os familiares que cometem qualquer
tipo de violência contra a mulher podem ser
presos em flagrante, sem a possibilidade de
penas alternativas. O tempo de detenção, que
antes era de um ano, passou a ser de três.
Além disso, ele é retirado do domicílio e
proibido de se aproximar da vítima.
O nome da lei é em homenagem a Maria da
Penha Maia, uma mulher que sofreu agressões
do próprio marido durante seis anos e chegou
perto da morte, tendo sido eletrocutada e
até afogada. Ela ficou paraplégica e o
esposo foi punido após 19 anos de
julgamento, ficando preso por apenas dois.
Quem são eles?
O agressor está, principalmente, no círculo
de relações da vítima
De
acordo com o advogado André Tavares de
Oliveira, dados do Fundo das Nações
Unidas para a Infância - UNICEF relatam
que cerca de 70% das crianças e adolescentes
recebem maus-tratos físico e mental dentro
de casa, ou seja, abuso físico, emocional ou
sexual e negligência de cuidados. Cerca de
90% dos agressores são homens e mais de 80%
são conhecidos das vítimas, sendo que o
incesto pode ocorrer em 10% das famílias.
"Embora a
maioria dos abusadores seja do sexo
masculino, as mulheres também abusam
sexualmente de crianças e adolescentes.
Esses casos começam lentamente através de
sedução sutil, passando à prática de
´carinhos´ que raramente deixam lesões
físicas", diz.
Quem é o agressor
Pai - 52%
Padrasto - 32%
Tio - 8%
Mãe - 4%
Avô - 2%
Primo/ Cunhado - 1%
André conta que a maior porcentagem de
vítimas está entre crianças menores de 10 e
12 anos e até bebês. Quando a criança atinge
uma idade maior, ela começa a questionar,
mas não é fácil se livrar do abuso, pois
muitas vezes o fato envolve ameaças.
Os
estupradores costumam utilizar força física,
armas brancas e de fogo, além de ameaças de
espancamento ou morte para dominar a vítima,
impedindo-a de denunciar. A intenção deles é
agredir, ferir e humilhar a pessoa,
tratando-a como um objeto de desejo sexual
com o qual possa fazer o que bem entender.
A socióloga
Wânia Pasinato conta que eles são pessoas
comuns que, inclusive, não possuem
comportamentos diários fora do normal, mas
uma pequena parcela pode ter distúrbios
psicológicos. Segundo ela, no Brasil existe
uma cultura de que a mulher está
"disponível", o que leva o homem a pensar em
agredí-la sexualmente.
Alguns
possuem distúrbios psíquicos que impedem o
auto-controle, já que todas as pessoas têm
desejos sexuais, mas conseguem dominar a
vontade. Apesar disso, o ato é premeditado e
o agressor reflete qual a melhor vítima e
oportunidade para alcançar seu objetivo.
Em cerca de
75% dos casos, de acordo com o advogado
César Mormile, o criminoso tem conhecimento,
ainda que superficial, da vítima, além de
manter contato direto ou indireto com ela.
Ele não é um homem estranho que anda
escondido na rua, mas sim alguém que integra
o círculo de relações da pessoa. A idade
mais comum das mulheres agredidas é entre 16
e 40 anos.
A psicóloga
Tercia Barbalho explica que o estuprador é
um homem com sentimentos odiosos em relação
às mulheres, inadequação e insegurança ao
que se refere à sua performance sexual. Além
disso, pode apresentar desvios sexuais como
sadismo ou anormalidades genéticas com
tendência à agressividade.
Previna-se
A delegada Márcia Salgado
explica que "ninguém tem o
direito de dizer para a vítima
ficar calma e analisar o
indivíduo, pois assim como ele
pode estar simulando ter uma
arma, ele pode tê-la de
verdade". O importante mesmo é
tomar alguns cuidados para não
ser pega:
• Caminhe em turma, pois isso
dificulta o acesso.
• Combine horários em comum para
sair de casa com algum vizinho
ou conhecido.
• Não se distraia na rua e,
principalmente, no trânsito, com
celular e música. A distração
não permite que você veja quem
está se aproximando ou se está
sendo seguida.
• Se for possível, evite passar
sozinha próximo de terrenos
baldios ou locais abandonados.
• Não mantenha contato com
estranhos em ambientes isolados
e desconhecidos.
• Procure evitar pontos de
ônibus ou ruas sem iluminação.
• Evite sair com estranhos. É
comum a mulher confiar no homem
que "ficou" em alguma festa, mas
muitos casos de estupro são
cometidos por amigos de amigos
que foram apresentados.
• Muitos estupros acontecem
durante assaltos. Entre ser
estuprada e correr o risco de
morte, seja sábia e não tente
reagir.
• Tome cuidado com
relacionamentos iniciados na
internet e que partem para a
vida real.
• Um spray de pimenta pode ser
uma boa arma para escapar do
ataque na rua, por exemplo.
• Caso esteja sendo seguida,
olhe bem para o rosto do suposto
agressor e, se for um local
seguro, pergunte algo do tipo
"que horas são?" O estuprador
tem medo de ser identificado e
pode perder o interesse pela
vítima.
Dra Olga Inês Tessari
Autora dos livros:
"Dirija sua vida sem medo" e
"Amor X Dor"
- Escritora -
Pesquisadora - Palestrante -
Supervisora - Mediadora de
Conflitos - -
Desenvolve e ministra cursos,
palestras, workshops: projetos
específicos para empresas e
grupos - -
Consultora Comportamental em
temas da Psicologia para a mídia
em geral -
- Especialização em Psicologia
das Emergências e Desastres -
-
Professional & Life Coach
-
Psicóloga
e Psicoterapeuta desde
1984 (CRP06/19571), atua
nas áreas de ansiedade,
autoestima, medos,
timidez, pânico,
estresse, depressão,
insegurança; orientação
de pais; problemas
específicos da criança,
do adolescente, da
mulher, do homem, da
terceira idade, do casal
e da família; situações
de emergências e
desastres. Mediadora
de conflitos dos
problemas e dificuldades
nos relacionamentos em
geral (do casal, dos
pais com os filhos,
entre amigos, parentes,
vizinhos, colegas de
trabalho, etc), sempre
buscando a qualidade de
vida das pessoas.
Trabalha também com
equipe multidisciplinar
com os distúrbios da
alimentação (obesidade,
compulsão, bulimia,
anorexia). Atendimento e
aconselhamento de
adolescentes, adultos,
pais, casais, grupos e
famílias inteiras em seu
consultório, on line ou
em domicílio.
As informações contidas nesse site têm caráter educativo e
informativo e não descartam, em hipótese alguma, as consultas com um
psicólogo ou médico
Olga Inês Tessari
CRP06/19571
Consultório
Rua Costa Aguiar, 1810 - Ipiranga - São Paulo - SP -
Brasil
Tel: (11) 2605-6790 - Cel: (11) 99772-9692 Mapa
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