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Vingança
A
vingança corre nas suas veias?
*Entrevista com
Dra Olga Inês Tessari
*o texto está registrado de acordo com a Lei
de Direitos Autorais
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Publicada na Revista Nova
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Edição 430 - Editora Abril
* Veja indicação de leitura de outros textos
no final da página *
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Tratamento
Psicológico para a ansiedade e seus medos
- saiba mais! -
Querer dar o troco em um namorado infiel é
normal e, comprovam os cientistas, traz
prazer mesmo.
Mas existe um jeito de
extravasar a raiva sem descer do salto nem
ser prejudicada depois.
Armar o maior
barraco em público ao descobrir uma traição
está totalmente fora de moda. O que tem
feito muitas de nós se sentirem vingadas de
fato é botar a ficha do criminoso na
internet, com direito a foto e detalhes do
desempenho sexual, para alertar futuras
“vítimas” dos riscos que correm. Pelo menos
é o desejo de centenas de mulheres do mundo
todo, inclusive brasileiras, quando se
cadastram no polêmico site americano Don’t
Date Him, Girl! (Não saia com ele, garota!).
Ok, a atitude é ultra-arriscada — afinal,
bancar a internauta em fúria pode detonar um
processo por difamação. Mas que dá vontade
de imitar a Uma Thurman no filme Minha Super
Ex-Namorada e arruinar a vida do ex usando
mega poderes... ah, isso dá. Faz parte dos
nossos instintos querer dar o troco: estudos
comprovam que a vingança aciona uma região
do cérebro responsável pelo prazer da
recompensa. Ou seja, ver um traidor pagar
pelo erro equivaleria a receber um aumento
de salário!
Foi mais ou menos
essa a sensação experimentada pela arquiteta
Caroline*, de 28 anos, enquanto marretava o
carro do enganador e, mais tarde, curtia uma
noite de luxúria com o primo dele. Tanta ira
tinha motivo: três semanas antes de subir ao
altar, ela descobriu que o miserável dormia
em cama alheia havia seis meses! Outra que
soltou os demônios foi a esteticista
Melissa, de 35 anos. Depois de ficar viúva,
soube que o marido recebera uma declaração
de amor da melhor amiga dela. Então, foi à
casa da traidora quando sabia que apenas a
faxineira estava lá. Abriu os armários e
queimou todos os sapatos e roupas da
dissimulada em uma fogueira no quintal.
* Os nomes foram
trocados para preservar a identidade das
entrevistadas.
Você é oito ou
80?
E depois dizem que
a vingança é um prato que se come frio. Que
nada. Quem foi traída quer ver sangue — mas
se age por impulso quase sempre se arrepende
e, pior, paga um preço alto pelo momento de
fúria. Melissa está aí para provar. Ela
sentiu uma alegria inenarrável enquanto a
fogueira de roupas ardia no quintal. Apenas
na delegacia (a outra prestou queixa pelo
“incêndio”, claro) viu o tamanho da encrenca
em que se meteu. Além de responder ao
processo, perdeu a amiga: “Sei que não foi
leal escrever a carta para o meu marido,
mas, hoje, entendo que deve ter sido
doloroso viver um amor não correspondido”,
admite. Esse turbilhão de sentimentos é
semelhante ao efeito das drogas, segundo a
psicóloga Ana Stuart: na hora da vingança, a
adrenalina corre pelas veias e o prazer é
grande. “Depois, costuma dar uma depressão
danada e a pessoa percebe que não adiantou —
não trouxe o amado de volta”, diz.
“Vingança não tem
a ver com justiça por ser cometida à luz de
uma única perspectiva: a da pessoa ferida”,
alerta Ana. E nem sempre esses motivos são
os certos. “Quem se dá o direito de punir na
maioria dos casos não quer compreender a
outra parte. Às vezes, nem enxerga que ele
mesmo pode ter contribuído para a situação”,
completa Marcelo Toniette, psicólogo,
psicoterapeuta e membro da Sociedade
Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana.
Ana concorda: “Não existem culpados e
inocentes nas relações. Mesmo que de forma
inconsciente, em muitos casos somos nós quem
permitimos que essas coisas nos aconteçam”.
Caroline chegou a essa conclusão. “Estava
centrada na minha carreira e nos
preparativos do casamento, e ignorei os
indícios de que a relação ia mal. Preferi me
enganar e acreditar que tudo se resolveria
com o ‘sim’”, reconhece.
Vontade de
esganar
E se a cólera
persistir? A psicóloga Olga Tessari sugere
recorrer à técnica do desenho animado: “No
pensamento, vale tudo. Você pode imaginar
que ele está explodindo, caindo de um
penhasco...” Outro jeito é pensar na
reparação. “Tente não desperdiçar energia
para dar um corretivo no outro e foque em
curar as suas feridas”, ensina Ana. Há casos
em que nem é preciso se abalar. Quem não
sabe de histórias de infratores arrependidos
mendigando para voltar? Segundo a psicóloga,
a grande desforra é aquela que a sua avó já
aconselhava: a indiferença. Não é fácil, mas
possível. E você nem suja as mãos.
A réplica light
Não é que você
deva encarnar a santa com coroa, mesmo
porque reprimir o que sente dá até gastrite.
Apenas considere que tem jeito de extravasar
a raiva sem se prejudicar ainda mais. Regina
Barreca, professora na Universidade de
Connecticut, nos Estados Unidos, e autora de
Doce Vingança — Os Prazeres Perversos da
Desforra (Record), dá um parâmetro para
quando sentir vontade de punir aquele
infeliz que a machucou. “Imagine se
conseguiria contar seus planos de vingança
às amigas e rir da história junto com elas.
Caso se envergonhe da ação, é sinal de que
estava prestes a ir longe demais”, ensina,
sugerindo uma réplica, digamos, light. Vamos
supor que flagre o namorado com sua colega
de trabalho. Em vez de fazê-los perder o
emprego, os amigos ou humilhá-los até
implorarem perdão, que tal se inspirar na
atitude da leitora Márcia? Trocada por outra
da noite para o dia, ela aguardou a chance
de marcar encontro com o falsário numa festa
e, quando o sujeito veio cheio de bossa,
tascou um beijo... no amigo dele, um antigo
paquera de quem estava a fim.
Acerto de contas
Rejeitadas pelo
homem que amavam, estas leitoras mataram a
sede de vingança sem partir para atitudes
extremas.
"Um namorado vivia
dizendo que, apesar de bonita, eu estava
gorda. Quando terminamos, entrei na academia
decidida a ficar repaginada em seis meses.
Emagreci 6 quilos e até mudei o corte de
cabelo. Nos reencontramos por acaso na praia
e ele veio com aquela frase: “Uau, como você
está linda!” Aproveitei a deixa para
comentar: “Nossa, você não tinha essa
barriga!” - GISLAINE, CURITIBA, PR
"Na época da
faculdade, meu namorado me deixava em casa e
saía com outra. Quando descobri, reuni as
duas famílias e contei tudo — o pai dele
ficou uma fera e até “confiscou” o carro.
Daí, entrei em depressão, mas logo conheci
um homem maravilhoso, com quem estou até
hoje. Meu ex terminou com a garota pouco
tempo depois — porque ela só estava
interessada em dinheiro — e me pediu perdão.
Hoje, ele ainda sofre pelo que fez. Mas não
tem jeito, a gente colhe o que planta." -
KAREM, JI-PARANÁ, RO
* Os nomes foram trocados para preservar a
identidade das entrevistadas.
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Tratamento
Psicológico para a ansiedade e seus medos
- saiba mais! -
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Dra Olga Inês Tessari
Autora dos livros:
"Dirija sua vida sem medo" e
"Amor X Dor"
- Escritora -
Pesquisadora - Palestrante -
Supervisora - Mediadora de
Conflitos -
-
Desenvolve e ministra cursos,
palestras, workshops: projetos
específicos para empresas e
grupos -
-
Consultora Comportamental em
temas da Psicologia para a mídia
em geral -
- Especialização em Psicologia
das Emergências e Desastres -
-
Professional & Life Coach
-
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Psicóloga
e Psicoterapeuta desde
1984 (CRP06/19571), atua
nas áreas de ansiedade,
autoestima, medos,
timidez, pânico,
estresse, depressão,
insegurança; orientação
de pais; problemas
específicos da criança,
do adolescente, da
mulher, do homem, da
terceira idade, do casal
e da família; situações
de emergências e
desastres. Mediadora
de conflitos dos
problemas e dificuldades
nos relacionamentos em
geral (do casal, dos
pais com os filhos,
entre amigos, parentes,
vizinhos, colegas de
trabalho, etc), sempre
buscando a qualidade de
vida das pessoas.
Trabalha também com
equipe multidisciplinar
com os distúrbios da
alimentação (obesidade,
compulsão, bulimia,
anorexia). Atendimento e
aconselhamento de
adolescentes, adultos,
pais, casais, grupos e
famílias inteiras em seu
consultório, on line ou
em domicílio. |
Visite
o site:
www.ajudaemocional.com
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