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Ortorexia
NATUREBA AO EXTREMO
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Entrevista com
Dra Olga Inês Tessari
*o texto está registrado de acordo com a Lei
de Direitos Autorais
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Publicada na Revista Sua Escolha Ano 8 –
Edição 58
por Kamila Otelinger em
abril/2010
* Veja indicação de leitura de outros textos
no final da página *
Compulsão por alimentos saudáveis pode
trazer danos à saúde e problemas de
relacionamento
Todos querem levar uma vida saudável. Além
de nos fazer viver mais, hábitos como se
exercitar regularmente, evitar o álcool e o
tabagismo e manter o peso sob controle nos
fazem viver melhor. E para garantir mais
saúde, a alimentação é um ponto fundamental.
Uma boa dieta deve ser livre de gorduras,
alimentos enlatados, transgênicos,
agrotóxicos, corantes, conservantes etc. Mas
quando os cuidados com a alimentação
tornam-se uma obsessão, é preciso ficar
atento. Preocupar-se exageradamente com os
alimentos que consome, perseguir calorias,
verificar a adição de corantes,
estabilizantes, checar a associação de
agrotóxicos e qualquer outra substância
química nos alimentos de maneira desenfreada
é o que os médicos chamam de ortorexia, a
mania que o individuo tem de ser natureba o
tempo todo.
Apesar de ter sido descrita há pouco tempo e
ainda não ser reconhecida como uma
enfermidade, a ortorexia é um distúrbio
alimentar. De acordo com a psicóloga Olga
Tessari, o pensamento do ortoréxico gira
em torno de sua dieta aliado a uma
verdadeira obsessão em analisar o conteúdo
nutricional dos alimentos. “Indivíduos que
desenvolvem ortorexia avaliam calorias,
vitaminas e nutrientes, permitindo-se apenas
alimentos saudáveis e, em circunstância
alguma, desviam-se do seu programa
alimentar”, comenta a psicóloga.
Mas você deve estar se perguntando: o que há
de errado em se preocupar com a alimentação
fazendo com que ela seja a mais saudável
possível? O problema todo não está na dieta
em si, já que todos nós podemos nos
beneficiar ao adotarmos uma ingestão de
alimentos saudáveis de forma mais habitual.
As dificuldades surgem quando o indivíduo
vive obcecado em relação ao conteúdo dos
seus alimentos e torna-se extremamente
rígido com a alimentação, a ponto de não
ingerir nada que não seja natural, mesmo com
fome, o que pode se estender tanto na
escolha como no preparo das refeições e na
imposição do seu hábito alimentar para as
pessoas com quem convive.
Aliás, o âmbito familiar e social dos
ortoréxicos é um dos grandes afetados, pois
os portadores deste distúrbio estão sempre
se comparando com pessoas de hábitos
alimentares convencionais e julgam-se, em
certos casos, superiores aos demais.
Para o psicanalista Miguel Ruivaco, esses
fatores geram dificuldades no relacionamento
social, pois o ortoréxico não se permite
arriscar sua dieta ou sentir-se contrariado
em sua opção alimentar. “Geralmente, o
ortoréxico não admite estar colocando sua
saúde em risco e considera seu estilo
alimentar mais saudável do que o dos demais.
Por isso, busca estar acompanhado por
aqueles que compartilham de seus ideais, o
que pode acarretar problemas de
relacionamento”, informa o psicanalista.
E os prejuízos não param por aí. Para a
pessoa que sofre de ortorexia, a alimentação
é sua principal fonte de conflito e ela
sente-se frustrada quando não consegue
convencer amigos e familiares de sua opção.
Além disso, quando quebra alguma de suas
regras auto impostas, cede à tentação e come
algo considerado incorreto, surge a culpa, o
remorso, a auto cobrança e mais sofrimento.
É aí que o indivíduo aumenta o controle
sobre si mesmo e vive prisioneiro de suas
próprias exigências.
Apesar de ser um distúrbio considerado novo
e que atinge na maioria das vezes as
mulheres, a ortorexia não surgiu por acaso.
Estudiosos acreditam que fatores sociais
podem ter desencadeado a patologia através
da propagação pela mídia sobre a necessidade
de uma alimentação saudável e correta. Prova
disso são as enormes quantidades de dietas
tidas como milagrosas veiculadas
indiscriminadamente na mídia, que na maioria
das vezes querem introduzir na mente da
população que essas dietas trarão um corpo
perfeito, juventude, saúde e longevidade.
A exigência da sociedade por medidas
perfeitas também é uma das responsáveis pelo
aumento nos casos de ortorexia. “A cobrança
por uma saúde perfeita e um corpo na medida
dos padrões exigidos pela moda são fortes
pressões sociais, sendo que não importa
saber quem a pessoa é ou como se sente e
assim como ela tem que ser para conseguir
ser aceita no seu grupo”, conta a psicóloga
Lia Maria Brocoloti.
É importante lembrar que a procura pela
alimentação correta e balanceada de maneira
saudável não faz mal a ninguém. Mas no caso
dos ortoréxicos, essa busca é feita de forma
desenfreada e obsessiva, o que, em muitos
casos, os faz deixar de consumir quantidades
significativas de nutriente como a vitamina
B12, cálcio, zinco e ferro.
Segundo a nutricionista Thais Navarro,
nesses casos é muito importante fazer a
reposição de tais nutrientes, já que a falta
deles traz inúmeros prejuízos à saúde, como
anemia, osteoporose, deficiência
imunológica, ausência de cicatrização,
ressecamento da pele, perda de peso,
sensibilidade óssea, distúrbios digestivos,
problemas de crescimento, impotência sexual,
perda de cabelo, depressão, apatia, lesões
oculares, amnésia, hipertensão, insônia,
irritabilidade e dormência, entre outras.
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Dra Olga Inês Tessari
Autora dos livros:
"Dirija sua vida sem medo" e
"Amor X Dor"
- Escritora -
Pesquisadora - Palestrante -
Supervisora - Mediadora de
Conflitos -
-
Desenvolve e ministra cursos,
palestras, workshops: projetos
específicos para empresas e
grupos -
-
Consultora Comportamental em
temas da Psicologia para a mídia
em geral -
- Especialização em Psicologia
das Emergências e Desastres -
-
Professional & Life Coach
-
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Psicóloga
e Psicoterapeuta desde
1984 (CRP06/19571), atua
nas áreas de ansiedade,
autoestima, medos,
timidez, pânico,
estresse, depressão,
insegurança; orientação
de pais; problemas
específicos da criança,
do adolescente, da
mulher, do homem, da
terceira idade, do casal
e da família; situações
de emergências e
desastres. Mediadora
de conflitos dos
problemas e dificuldades
nos relacionamentos em
geral (do casal, dos
pais com os filhos,
entre amigos, parentes,
vizinhos, colegas de
trabalho, etc), sempre
buscando a qualidade de
vida das pessoas.
Trabalha também com
equipe multidisciplinar
com os distúrbios da
alimentação (obesidade,
compulsão, bulimia,
anorexia). Atendimento e
aconselhamento de
adolescentes, adultos,
pais, casais, grupos e
famílias inteiras em seu
consultório, on line ou
em domicílio. |
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o site:
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