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Camisinha nas escolas

 

 

    

Camisinha nas Escolas

 

* Entrevista com Dra Olga Inês Tessari

 

*o texto está registrado de acordo com a Lei de Direitos Autorais

 

Publicada no Diário de S Paulo
por Cristina Christiano
setembro/2010

 

* Veja indicação de leitura de outros textos no final da página *

 

 

Proposta do Ministério da Saúde de instalar máquinas de preservativos
em escolas de ensino médio divide opinião até de estudantes, que temem ser alvo de piadas

 

A proposta do Ministério da Saúde de instalar, a partir de 2011, máquinas de camisinhas em escolas públicas de ensino médio já está provocando polêmica até mesmo entre estudantes. A maioria diz não se sentir à vontade para pegar o preservativo diante de todos porque teme ser alvo de piadas.

 

"O pessoal não tem maturidade para lidar com um equipamento desses na escola. Outro dia mesmo, alguns meninos pegaram um monte de camisinhas em um posto de saúde, encheram de água e ficaram brincando de guerra na rua", conta Mayara Shimoda, de 18 anos, estudante do Centro Técnico Camargo Aranha.

 

A proposta surgiu a partir de pesquisa feita pelo ministério em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apontando que jovens entre 13 e 19 anos têm vida sexual ativa, mas a maioria encontra dificuldades de acesso aos preservativos.

 

O estudante Brian Ziroldo, de 18 anos, é um caso raro. Há dois anos, diz, não sai de casa sem camisinha, por orientação do pai. "A gente conversa abertamente sobre isso e tenho sempre uma ou duas de reserva."

 

Já as amigas Giovanna Silvério de Souza e Natália Coutinho Braga, de 17 anos, dizem que não têm coragem de falar sobre camisinha em casa, porque os pais não entenderiam. "Muita gente ainda nem teve a primeira experiência sexual e, mesmo os que tiveram, preferem manter sigilo", afirmam.

 

Pai de um garoto de 14 anos e de uma jovem de 17, o contador Alcides Marques do Espírito Santo diz que a facilidade de acesso à camisinha pode estimular a prática de sexo precocemente. A opinião dele é compartilhada pelo motorista Reinaldo Rodrigues, pai de dois garotos. "Sexo tem que ser tratado com carinho. Por isso não é só pegar camisinha e vestir que vai deixar tudo bem."

 

Na opinião da estudante Larissa Espelho Maia, de 17 anos, é difícil mostrar intimidade em público. "Tenho certeza de que os garotos vão zoar ou achar que é para programa", diz.

 

Preconceito

A psicoterapeuta Olga Tessari afirma que a maioria dos pais evita falar sobre sexo com os filhos porque não quer admitir que eles cresceram. "Para os pais, os filhos são sempre crianças." Na opinião dela, a dificuldade de aceitação da máquina na escola é o preconceito, porque ela torna  público algo todos sabem que existe, mas fingem não ver.

"A educação sexual deveria começar na pré-adolescência, mas a maioria das escolas ainda evita o assunto porque o tema desagrada a maioria dos pais", lamenta a psicoterapeuta. 

A reportagem constatou, em conversa com adolescentes, que a maioria ainda associa o uso da camisinha à gravidez e não ao risco de se contrair doença sexualmente transmissível. Pesquisa do Ministério da Saúde feita em 2008 comprova isso. Na primeira relação, o uso de preservativo chega a 60% dos jovens, mas a partir do relacionamento estável a camisinha vai sendo substituída por anticoncepcional.

 

Na fase de teste, 40 máquinas ficarão à disposição de alunos

A máquina de camisinha foi desenvolvida por alunos e professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina. O equipamento tem capacidade para armazenar 500 preservativos. Quando o estoque acabar, um alarme sonoro dispara avisando que está na hora de reabastecer.

 

Em uma fase inicial, serão instaladas 40 máquinas em Santa Catarina, João Pessoa e Brasília. Segundo o Ministério da Saúde, a Paraíba ficou em segundo lugar entre os estados que participaram da elaboração do projeto de construção de camisinha e, Brasília, é para que os técnicos do órgão possam acompanhar de perto os testes com a máquina. Em 2011, o projeto deverá ser ampliado para outros estados.

 

De acordo com Ellen Zita, assessora técnica do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do Ministério, a proposta é deixar as máquinas em locais onde os estudantes possam retirar as camisinhas com discrição, como por exemplo nos banheiros. Cada jovem terá  uma senha para retirar e o número de acesso é ilimitado.

 

Muitas escolas já distribuem espontaneamente preservativos a seus alunos. O equipamento seria mais uma forma de aproximar o jovem da camisinha e lembrá-lo de que está à disposição.

 

Camisinha é hábito na primeira relação

Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids feita pela Unicef em parceria com o Ministério da Saúde revela que os jovens já se habituaram à  camisinha. Na última relação sexual com parceiros casuais, por exemplo, 68% usaram preservativo. Já com parceiros fixos, o número de jovens que costumam usar cai para 30,7%

 

Adolescentes de hoje vieram da era da Aids

O estudo aponta que, depois da primeira relação sexual, o uso da camisinha cai. Passa de 61% para 50% nas relações sexuais com parceiros casuais. "Os jovens de hoje nasceram na era da Aids, por isso a relação com o preservativo é mais habitual", avalia Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério.

 

Meninas apostam na relação de fidelidade

De acordo com Mariângela Simão, um dos motivos da queda do uso de preservativos é  que, quando se estabelece a confiança entre os jovens, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas, porque elas apostam na fidelidade do companheiro e não aceitam traição.

 

 


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Dra Olga Inês Tessari
Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo"

Escritora - Palestrante - Pesquisadora – Supervisora – Consultora Comportamental
Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral

Desenvolve e ministra cursos, palestras, workshops: projetos específicos para empresas e grupos.

Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, autoestima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, do casal e da família, mediadora de conflitos dos problemas e dificuldades nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc.), trabalha também em equipe multidisciplinar com os distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia).Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias inteiras em seu consultório ou em domicílio.
 

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