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Idosos e Tecnologia 4

 

 

    

Vovôs tecnologia: a vida moderna agita a terceira idade

* Entrevista com Dra Olga Inês Tessari

 

*o texto está registrado de acordo com a Lei de Direitos Autorais

 

 

Publicada na Revista Farmais Ano 10 Ed 128
Por Layla Marques

 

* Veja indicação de leitura de outros textos no final da página *

 

Foi-se a época em que as pessoas aguardavam a aposentadoria para descansar. Hoje em dia, os idosos querem mesmo é ficar antenados às novidades.

Houve um tempo em que as pessoas passavam a vida toda trabalhando e, quando se aposentavam, a palavra de ordem era descansar. Ficar o dia todo em casa, assistir TV, limpar uma coisa aqui, outra ali, era o ápice. Mas esta realidade tem passado por intensas mudanças. A terceira idade agora está em universidades, entende de Internet e é cada vez mais antenada às tecnologias da vida moderna.

“Comprei meu computador porque via todo mundo usando. Tudo o que sei aprendi mexendo sozinho. Procuro peças para meu carro na Internet, comparo preços em diversas lojas e também pesquiso sobre doenças”, conta o aposentado Milton Félix Oliveira, de 65 anos. Assim como Oliveira, a necessidade da independência frente ao computador tem incentivado muitos idosos a participarem de atividades que estimulam este aprendizado. É o caso de Vacir José da Silva, de 56 anos. Ele participa junto com sua esposa, Maria de Lourdes Rodrigues, 54 anos, mais conhecida como Sra. Malu, de oficinas da FATI (Faculdade Aberta da Terceira Idade), da Unifeg, em Guaxupé (MG). “Sinto-me mais fortalecido quando participo das oficinas de informática”, diz o aposentado.

As atividades da FATI, que atendem hoje cerca de 150 idosos, começaram quando a Universidade de Guaxupé solicitou a alguns professores que criassem oficinas para a terceira idade. Um deles é o professor Leonardo Carlim, formado em Publicidade e Propaganda pela UNIMEP e em Comunicação e Cultura pela UNISO. Há um ano, ele dirige as oficinas de fotografia e rádio.  “A oficina vem para desmitificar o rádio. Há a oportunidade de eles conhecerem toda a elaboração e apresentar as reportagens. Inclusive, a oficina deu tão certo que ganhamos um programa na rádio comunitária da cidade, o Espaço FATI, apresentado todas as quartas pela manhã”, conta Carlim.

As atividades buscam estimular não apenas a capacidade física, mas também psicológica dos idosos. Na oficina de fotográfica, por exemplo, os alunos trazem sua própria câmera digital e aprendem desde a história até as técnicas fotográficas. “Eles aprendem rápido. Comparando-os aos alunos da graduação, os da terceira idade são muito mais dedicados e exigem mais empenho de nós professores. Eles perguntam bastante, o que traz um dinamismo diferente para as aulas e é muito bom e positivo, principalmente porque me exijo mais enquanto professor”, confessa o docente.

Estes estímulos são fundamentais para a qualidade de vida não apenas de idosos como de todas as pessoas. Nesta idade, porém, é um ótimo aliado à alegria. “O ser humano é movido pelo prazer. Na terceira idade você não trabalha mais, teve muitas perdas, tende a ser mais depressivo e, em alguns casos, tem as suas expectativas da aposentadoria frustradas. Por isso, estar ativo, desenvolvendo atividades que exigem mais da pessoa é fundamental, ela com certeza ficará mais animada”, afirma Olga Tessari (SP), psicóloga e autora do livro Dirija sua vida sem medo.

Se divertir, ter amigos, conhecer lugares, fazer coisas novas é fundamental para uma vida saudável. “Quando respeitamos nossas limitações, nada fica inviável. É importante aproveitar esta fase da vida para fazer atividades que proporcionam prazer, como praticar esportes, caminhar e até mexer na Internet. Esta última, contudo, abre um leque de possibilidades. É na web que a pessoa terá a oportunidade de reencontrar amigos em redes sociais, ler notícias, conhecer um novo mundo. Esta ferramenta colabora bastante para reacender a chama da vida deste idoso, principalmente por ser um braço da curiosidade”, incentiva a psicóloga.

É o caso da Sra. Malu que, quando morava em São Paulo não tinha interesse em participar destas atividades, mas quanto foi para Guaxupé com seu marido decidiu se envolver. “Não conhecíamos ninguém e precisávamos fazer amigos. Comecei assistindo palestras sobre temas bem interessantes, não apenas para terceira idade, como osteoporose, prevenção de quedas. Estávamos sem fazer nada e decidimos participar mais. Foi quando iniciamos as oficinas de rádio e informática”, compartilha.

O incentivo da família, estimulando o idoso a ser mais ativo e parceiro da tecnologia, conforme aconselha Olga, também é imprescindível. “A pessoa de mais idade precisa ser estimulada por pessoas próximas, mesmo que, a princípio, ela não queira sair, incentive-a. Um ótimo argumento é dizer o quanto ela vai gostar da atividade e o quanto precisa dela para executar aquela tarefa. Nesta fase o idoso não se sente tão útil como antes, e ser convidado a ajudar será muito importante para ele. Persista caso ele se mostre resistente. Vai valer a pena”.

 

A vida continua e o melhor, com qualidade

Simpático e sempre risonho Sr. Milton dá uma lição de sabedoria àqueles que acham que só por ter chegado aos 50, 60 anos o dever já foi inteiramente cumprido. “Algumas pessoas da minha idade acham que a vida acabou, mas como diz o ditado, só acaba quando termina. Não sabemos o prazo da vida, pode ser um dia, 10 dias, 10 anos, e por isso precisamos viver. É sempre bom fazer alguma coisa para não travar [risos]”, diz.  Em acordo, o professor Leo, como é conhecido por seus alunos, compartilha que “as atividades são tão importantes para eles, que muitos pensam na Quarta Idade. Eles têm visão de futuro e isso é fantástico. Eles deixam de lado a tristeza e se envolvem de verdade”.

Para a Sra. Malu, participar das oficinas além de lhe deixar mais segura diante a tecnologia e a vida moderna, faz com que ela esqueça até de uma possível dor. “A rádio exercita minha mente. Quando vou entrevistar alguém preciso pesquisar sobre o entrevistado e faço isso na Internet. As pessoas acham que sabem tudo, mas, na verdade somos eternos aprendizes. Aprendo coisas que não são do meu mundo e construo amizades. Estas atividades são muito positivas para nós, pois quando uma pessoa está com baixo astral, recupera o ânimo rapidamente e fica mais alegre. Sabe, quando participo até a dor que sinto passa, fico mais motivada e paro de criar doenças na minha cabeça”, confessa. 

Quem foi que disse que só porque chegou na terceira idade e o mundo está se modernizando a vida acabou? Pelo contrário, há um mundo novo para ser descoberto e só depende de uma atitude. Não fique esperando a vida passar assistindo-a de camarote.  “Se está com dor, faça as atividades com dor mesmo. Sua qualidade de vida vai melhorar e a dor? Nem vai se lembrar dela”, finaliza Olga Tessari.

 

Entrevista com Adriana Santos, coordenadora e responsável pela oficina de informática da FATI 

FARMAIS - Como se sente ao ensinar informática a idosos?
Adriana - É muito prazeroso e gratificante compartilhar conhecimentos com a terceira idade. Quando eles descobrem, por exemplo, que a tecla “enter” do computador é igual ao “enter” do caixa eletrônico e que isso não estraga nada, o sorriso da descoberta é algo indescritível para quem está à frente deles. 

FARMAIS - Eles aprendem com facilidade?
Adriana - Quanto ao aprendizado, eles aprendem sim, dentro do que lhes é necessário para utilização da informática (digitar um texto, ler notícias ou receitas na internet, comunicar-se com familiares distantes). É lógico que o aprendizado é um pouco mais lento e a absorção também, mas se compararmos os jovens de 30 anos com as crianças de hoje, percebemos que a rápida evolução da tecnologia causa ainda muito estranhamento a muitos.

 

FARMAIS - Qual a importância de pessoas com idade avançada participarem de atividades como esta, pensando em saúde fisíca e psicólogica?
Adriana - Acredito que a vida seja um movimento (físico, espiritual e mental), quando pessoas da terceira idade se propõem a participarem de atividades diversas como: oficinas de rádio, fotografia, informática, dança, coral, literatura e outras estão se movimentando e isso proporciona um bem estar muito grande, pois, percebem que com o passar dos anos o que acontece é apenas o surgimento de algumas limitações e não uma impossibilidade. 

FARMAIS - Tem alguma história bacana sobre a contribuição das oficinas na vida de um aluno? Conte-nos um pouquinho como foi.
Adriana - Tenho várias histórias, acho até que daria um livro [risos]. Vou pontuar alguns benefícios: 

1)  Casais que participam da oficina e ganham computadores de seus filhos que moram fora têm a oportunidade de ver os filhos e netos todos os dias. Essa proximidade faz com que eles se sintam mais próximos e seguros quanto ao bem estar dos filhos, pois, estão vendo-os pela webcam.

2)  A autonomia que se desenvolve para utilizar caixas eletrônicos, celulares, aparelhos de DVD´s. Tudo isso é possível porque eles percebem que conseguem utilizar o computador e que demais aparelhos tecnológicos também podem ser aprendidos – “não é tão difícil assim” – dizem eles.  A autonomia é muito importante na vida das pessoas mais velhas, é importante que elas sintam que ainda podem. A partir do momento que eles acreditam que não podem mais e que só dependem de outras pessoas, aos poucos eles começam a se anular e param de se movimentar, e vida é movimento.

 

Expectativa de vida 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil deixará de ser um país jovem para se tornar um país com predominância de idosos. Atualmente, a expectativa média de vida é de 71,3 anos. Estima-se que em 2024 deve passar para 76 anos, isso por que a taxa de natalidade (número de nascimentos por ano) tem caído e a expectativa de vida, aumentado.

 

Envelhecimento ativo

As dicas são da psicóloga Olga Tessari 

> Chega de se lamentar.  Não perca anos de sua vida pensando que já acabou

> Desligue a TV. Pare de assistir tragédias e conheça o mundo

> Ocupe-se. Faça atividades que lhe proporcionam prazer

> Você é útil. Pessoas a sua volta precisam de seu conhecimento e experiência

> Você está vivo. Por isso, saia da zona de conforto e conheça novos lugares

 


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Dra Olga Inês Tessari

Autora do livro: Dirija sua vida sem medo

- Escritora - Pesquisadora - Palestrante - Supervisora - Mediadora de Conflitos -
- Desenvolve e ministra cursos, palestras, workshops: Projetos específicos para empresas e grupos -
- Consultora Comportamental em temas da Psicologia para a mídia em geral -
- Professional & Life Coach -

Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571), atua nas áreas de ansiedade, autoestima, medos, timidez pânico, estresse, depressão, insegurança, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, do casal e da família. Mediadora de conflitos dos problemas e dificuldades nos relacionamentos em geral (do casal, dos pais com os filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc), sempre buscando a qualidade de vida das pessoas. Trabalha também com equipe multidisciplinar com os distúrbios da alimentação (obesidade, compulsão, bulimia, anorexia). Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias inteiras em seu consultório, on line ou em domicílio.

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