• 08 dez 16

Adoção: um ato de amor!

É a coragem de assumir uma criança, sem preconceito ou ressalvas, e tomar para si todas as responsabilidades da vida dela.

Por: Olga Tessari
  • A satisfação de poder mudar a realidade de uma criança abandonada

    Entrevista com Olga Tessari

    Segundo o dicionário, adoção significa aceitação voluntária e legal de uma criança como filho. Mas a definição, de fato, vai além disso. É um ato de amor e coragem assumir, sem preconceito ou ressalvas, uma criança e tomar para si todas as responsabilidades da vida daquele ser que passou a fazer parte da sua história.

    Engana-se quem pensa que essa é a última tacada de quem não pode, por algum motivo, gerar um filho. Muitos casais encaram a adoção como uma maneira de mudar a realidade de uma criança abandonada. “Sempre sonhei em adotar uma filho e meu marido amou a ideia. Fizemos a escolha por pura opção, e foi a coisa mais incrível que já me aconteceu”, diz Sandra Betinassi, 36 anos, especializada na concepção de bolos diferenciados.

    A mãe de Mariana, hoje com 7 anos, lembra com emoção quando conheceu a menina em um orfanato em São Paulo, com apenas 40 dias de vida. Foi paixão à primeira vista. Sabia que ela era para ser minha. Voltei dias depois para buscá-la, diz. “Minha gravidez durou quatro dias”, brinca.

    A decisão de adotar ou não uma criança não pode ser encarada de forma simplista. “É uma escolha que precisa ser muito bem pensada e resolvida entre o casal. Caso contrário, está fadada ao fracasso”, afirma a psicoterapeuta e escritora Olga Tessari. Se há dúvidas, o ideal é esperar até adquirir a segurança necessária para assumir a responsabilidade. Conversar com pais adotivos e assistentes sociais pode ajudar a chegar a uma decisão. “Precisa querer muito. Essa é a maternidade mais consciente que existe”, afirma Olga.

    Uma dúvida que sempre surge é: quando e como contar à criança que ela é adotada? “Essa questão deve ser encarada com naturalidade”, defende Olga. Para ela, a criança tem o direito de saber sobre a adoção e isso deve ser contado em um momento oportuno, sem dar à conversa um tom muito sério. “Não pode ter hora nem lugar marcado para falar sobre o assunto. É preciso esperar o momento certo e falar com serenidade. Deixar claro que o amor independe dos laços sanguíneos.”

    Sandra e o marido, Gilson, sempre fizeram questão de contar a verdade à filha e não se sentiram ofendidos quando a menina quis conhecer suas origens. “Esse nunca foi um assunto tabu dentro da minha casa. Desde bem pequena, Mariana sabe que foi adotada e adorou conhecer e brincar com as crianças do orfanato de onde veio”, conta Sandra. “Ela lida tão bem com a situação que até já falou sobre sua história para todos os amiguinhos da escola”, orgulha-se.

    Matéria publicada na Revista Veja – São Paulo em 10/05/2006