• 06 jan 17

Crise do casal após filhos

Muitos casais se afastam ou passam por uma crise depois que os filhos nascem: entenda!

Por: Olga Tessari
  • Crise do casal após a chegada dos filhos

     

    Porque alguns casais se afastam ou passam por uma crise após o nascimento de um filho?

     

    Texto de © Olga Tessari

    O casal vivia bem e feliz, planejou a gravidez, sonhou e fez mil planos, está feliz com a chegada do bebê!

    Mas, em muitos casos, nenhum dos dois se dá conta de que, a partir do nascimento da criança, uma verdadeira revolução se instala na rotina e nos hábitos do casal que, se não for bem administrada, pode provocar uma crise no casamento.

    Quando o bebê nasce, todas as atenções são voltadas para ele, um ser indefeso e que necessita de muitos cuidados para sobreviver. Na medida em que os dias passam, marido e mulher já não tem mais tempo nem disposição para passeios, jantares, os momentos a sós do casal praticamente não existem mais!

    A mulher fica sensível, irritada, cansada, afinal, não é fácil conhecer e aprender a lidar com seu bebê, cultivando a paciência para suportar seu choro sem saber o que fazer para acalmá-lo ou para ele dormir; ela também precisa conciliar os cuidados do bebê com a toda a administração da casa, acreditando que, devido ao fato dela permanecer o dia todo em casa, será capaz de cuidar de tudo sozinha. Ledo engano!!

    O marido nem sempre consegue perceber essas dificuldades de sua esposa, até porque não participa da rotina diária por estar fora de casa trabalhando; fica enciumado por perder a atenção exclusiva dela, tendo que dividi-la com o bebê e, nessa fase o instinto materno sempre vai falar mais alto: a mãe vai priorizar o filho em detrimento do pai, afinal, ela, mais do que ninguém, precisa protegê-lo e cuidar dele para que ele cresça forte e saudável e não vai medir esforços para que isso aconteça, mesmo que tenha de deixar de dar a atenção devida ao marido! Até o choro do bebê passa a se tornar insuportável para o pai, ele irrita-se porque não consegue dormir, porque suas roupas já não estão bem arrumadas ou mesmo porque a esposa não cozinha mais como antes e reclama!

    A mulher, por sua vez, enxerga esta irritação dele para com o bebê como uma cobrança, como se ela não cuidasse do bebê da forma adequada, passando a vê-lo como uma pessoa egoísta que só pensa em si mesmo, fazendo-se de vítima, chorando pelos cantos, pensando que ele é uma pessoa insensível que não vê o quanto ela se dedica para que tudo transcorra da melhor forma possível.

    A parte sexual do casal fica prejudicada, pois a mulher tem que se abster do sexo por um determinado período para que seu corpo se recupere e volte ao normal depois da gravidez e do parto; seu desejo sexual diminui em função do stress causado pela mudança de rotina, pela falta de sono adequado, pelo acúmulo de tarefas, assim como pelo fato de sentir dores nas relações sexuais, caso este período de abstinência não seja respeitado; ela também sente-se insegura com o aspecto de seu corpo, supondo já não ser mais tão atraente para o seu marido quanto era antes da gravidez, sentindo vergonha de exibi-lo ao marido, ocultando-o atrás de trajes largos, não usando mais as lingeries sedutoras que ambos apreciavam.

    Por outro lado, o desejo sexual do marido continua o mesmo de sempre, afinal ele não passou por mudanças hormonais, nem tem toda esta sobrecarga que estressa a sua mulher e não consegue entender porque a esposa já não tem o mesmo desejo sexual. O marido passar a ver a sua esposa mais como a mãe de seu filho do que como sua mulher, passando a chamá-la de “mãe” e não mais de “querida” ou “amor”. A mulher pode fazer o mesmo, vendo seu marido mais como o pai de seu filho do que seu companheiro.

    Fica claro que, diante de tudo isso, os conflitos entre o casal podem se intensificar, gerando brigas, discussões e mal entendidos porque ambos tem suas razões para agirem da forma como agem e nem sempre conseguem enxergar ou entender as razões do outro. Ambos agora não são apenas um casal, há mais um membro na família, o que os leva a cumprirem mais um papel em conjunto: o de pais! O filho é de ambos, portanto, ambos devem conciliar e dividir os cuidados com o bebê.

    Um pai que acompanha o dia a dia e é solidário com a mãe, dividindo com ela tarefas que possa ou saiba cumprir, entende melhor o cansaço de sua esposa, torna-se cúmplice dela e saberá criar um clima de romantismo e de intimidade, respeitando os limites de sua esposa neste momento.

    Um beijo, um afago, ficar ao lado da esposa enquanto ela embala o bebê para dormir faz com que ela se sinta amada. Ela, por sua vez, passa a retribuir os carinhos recebidos, o que propiciará um clima de namoro como antes do bebê nascer, colaborando para uma maior intimidade entre o casal.

    É importante que haja muito diálogo, compreensão e paciência para ambos entenderem um ao outro e compreenderem que passam apenas por uma fase de rearranjos e de experiências que, se bem administradas por ambos, servirão para uma aproximação maior ainda do casal, através da harmonia e da cumplicidade!