• 16 jan 17

Anorexia e Bulimia

Problemas muito sérios que requerem tratamento com vários profissionais!

Por: Olga Tessari
  • Anorexia e bulimia

    Anorexia e bulimia devem ser encaradas como problemas reais de saúde pública

    Matéria baseada em textos do site da © Dra Olga Tessari

     

     

    ::: ATENÇÃO! :::

    Anorexia e Bulimia são problemas muito sérios que devem ser tratados ao mesmo tempo e em conjunto com médico, psicólogo, educador físico e nutricionista

     

    Quanto mais o ser humano sofistica sua maneira de viver e amplia suas necessidades, torna-se vítima potencial da complexidade estressante de um enorme aparato supostamente indispensável à sua vida.

    Como simples exemplo para reflexão: hoje a anorexia atinge 20% dos adolescentes em sua maioria de classe média e alta, com a proporção de 10 mulheres para um homem.

    Quais índices de anorexia e bulimia teríamos no Renascentismo, cujo ideal de estética feminino inclinava-se por uma mulher mais robusta e cheia?

    É inegável a influência da mídia na causa de transtornos alimentares. Isto porque a mídia comumente impõe o estereótipo em que a magreza é um fator importantíssimo, se não indispensável, para o sucesso social e econômico de uma pessoa, desde redes de televisão até filmes e revistas. Tal influência é bastante negativa em crianças e adolescentes, cujas personalidades ainda estão em formação.

    O corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade. Desta forma, a propaganda dos regimes convence o público de que o corpo pode ser moldado. Assim, a busca pelo corpo perfeito tem se manifestado em três áreas: nutrição/dieta, atividade física e cirurgia plástica.

    Distúrbio da interação familiar, eventos estressantes relacionados à sexualidade e formação da identidade pessoal são apontados como fatores desencadeantes ou mantenedores da bulimia. Segundo estatísticas, das pessoas que sofrem de anorexia e bulimia, apenas um terço consegue se recuperar e cerca de 20% morrem em função do estado agudo de desnutrição.

    A magreza excessiva provoca complicações renais, hormonais e gástricas e até parada cardíaca.

    A anorexia e a bulimia ocorrem quase que exclusivamente em mulheres jovens. Menos de 10% dos pacientes são homens. Algumas garotas chegam a manifestar ausência de menstruação por mais de três meses. Muitas meninas que sofrem dessas doenças demoram a descobrir e, quando descobrem, negam estar doentes.

    Sabemos que a diferença básica entre anoréxicos e bulímicos é o estado de caquexia (extrema desnutrição) a que podem chegar pacientes com anorexia. O que identificamos em ambas é o comportamento obsessivo-compulsivo manifestado nas diferentes formas das duas doenças.

    A psicóloga Olga Inês Tessari, ao tratar do assunto, considera que as meninas não estão se aceitando como realmente são. Estimuladas pelas modelos das revistas e televisão, elas vão em busca de um padrão físico diferente do que possuem geneticamente. Na medida em que os padrões estéticos sobrepõem a qualquer outro valor de estima do ser humano, a sociedade caminha para penalizar e excluir aqueles que não se enquadram neste rigor físico.

    Acredito que este mal começa a não ser apenas uma preocupação dos integrantes das classes alta e média, visto que a imposição dos modelos perfeitos permeia todas as classes e suscita o desejo de todos pertencer ao rol das perfeições estéticas e anatômicas.

    Assim como as drogas e o tabaco, estes distúrbios alimentares devem ser considerados como um vício, que causa dependência psicológica e, como tal, deve merecer a devida atenção e tratamento. Este é um problema mundial, com grandes tendências de crescimento visto que a globalização, com seus benefícios, é claro, mas com a cruel exclusão social, também provoca a exclusão estética.

    O mundo globalizado impinge o comportamento único para o ideal de vida na Terra. Recente pesquisa divulgada na imprensa nacional aferiu que a maioria das mulheres prefere perder seu emprego a ganhar alguns quilos a mais.

    Precisamos propor políticas públicas em todas as instâncias de poder no sentido de debater saídas para atenuar o avanço destas doenças. Sabendo do mal que essas patologias representam para a nossa sociedade devemos buscar soluções, tanto na área da prevenção quanto na área de tratamento.

    Percebemos que a luta é desigual. Mas creio que é necessário agir.

    Promover campanhas institucionais no sentido de alertar e esclarecer sobre as doenças. Realçar valores sociais e humanos que elevem a autoestima do cidadão a partir de sua essência e constituição física, entre tantas ações.

    Em março deste ano, dia 29, por nossa solicitação, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais promoveu audiência pública para discutir a respeito da gravidade que representa os distúrbios alimentares ocasionados pela anorexia e bulimia. À época apresentei requerimento ao Ministério da Saúde, aprovado consensualmente pelos parlamentares e referendado pelas autoridades presentes, no sentido de que a União, Estados e municípios devem tratar estas patologias como uma questão de saúde pública, devido à crescente manifestação das mesmas em proporções significativas, atingindo pessoas de diferentes classes sociais.

     

    Publicada no Jornal da Manhã – MG por Fahim Sawan – Médico e Deputado Estadual em 19/11/2006