• 04 fev 17

Ansiedade provoca obesidade?

Ansiedade elevada pode provocar a obesidade porque a pessoa se torna compulsiva.

Por: Olga Tessari
  • Ansiedade provoca obesidade?

     

    Será que a ansiedade provoca a obesidade?

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    A obesidade pode ser consequência da ansiedade?

    Comer de forma excessiva motivado pelos sentimentos faz mal à saúde

    Quando os sentimentos afetam nosso estômago na hora de comer, fazendo com que a ansiedade, a raiva, a tristeza, aumentem nosso apetite, é preciso tomar cuidado. Isso porque, comer levado pelos sentimentos pode trazer sérios riscos para a saúde.

    E para falar do assunto, o Portal de Comunicação Católica conversou por e-mail com a psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari. Leia os principais trechos da entrevista:

    (direito autoral das respostas © Dra Olga Inês Tessari)

     

    Portal de Comunicação Católica– O que explica o fato de uma pessoa comer demais após uma briga, discussão, ou antes de alguma apresentação importante, ou mesmo por passar algum momento conturbado em sua vida?

    Olga Tessari- Momentos conturbados são momentos de muita tensão, o que gera a elevação dos níveis da ansiedade muito acima daqueles considerados normais e aceitáveis, sem que causem algum prejuízo para o organismo. Quando uma pessoa fica ansiosa, automaticamente, ela procura alguma forma de aliviar esta tensão, pois ela traz consigo a manifestação de sintomas físicos ruins que provocam mal estar (taquicardia, suor, tremores, etc.). Além de provocar problemas de saúde se for mantida elevada em longo prazo: hipertensão, gastrites, alergias, etc.

     

    Portal de Comunicação Católica – Então a alimentação ajuda a acalmar a pessoa?

    Olga Tessari- Há pessoas que, quando se sentem ansiosas, ingerem bebidas alcoólicas, outras tomam calmantes e outras tantas comem, justamente buscando o alívio desta ansiedade, nem que ele seja temporário. Ao ingerirmos um alimento, nosso organismo secreta substâncias que têm a função de nos deixar mais tranquilos, mais relaxados, para que possamos fazer uma boa digestão.

    Já pensou se você, logo depois de comer, mantivesse o ritmo acelerado em que estava antes de alimentar-se? Certamente morreria de indigestão! Portanto, se em algum momento da vida uma pessoa esteve muito ansiosa e comeu naquele exato momento, ela acabou fazendo uma associação da ingestão de comida com o estado de relaxamento que o ato de alimentar-se provoca e passará a buscar a comida todas as vezes em que se sentir ansiosa, justamente para aplacar esta ansiedade.

     

    Portal de Comunicação Católica– Quais são as principais motivações que levam a pessoa a comer mais?

    Olga Tessari- Temos que diferenciar o comer demais por causa de determinados hábitos familiares ou culturais daquele comer em demasia gerado por questões emocionais. Famílias judias e italianas, por exemplo, tem o hábito de celebrar todos os acontecimentos com comida farta. As “mamas”, por sua vez, só ficam felizes se os familiares comerem uma grande quantidade de alimentos, em geral, altamente calóricos praticamente em todas as refeições.

    Na nossa cultura, temos o hábito de comemorar qualquer evento com uma mesa farta de alimentos, o que pode levar as pessoas a comerem em demasia também. Comer também é um dos prazeres na vida e, se sua vida carece de outros prazeres, claro que você vai compensar a falta destes outros prazeres comendo de forma exagerada.

    Como eu já disse, a ansiedade elevada também é um fator que leva uma pessoa a comer em demasia, assim como estar entediada, irritada ou com raiva sem saber como ou não ter condições de poder extravasá-la da forma adequada (é como se ela usasse o alimento para “engolir” a sua raiva); solidão, carências, perdas, planos que não dão certo, excesso de obrigações, falta de lazer, privações ou outros conflitos emocionais também podem levar a pessoa a comer mais do que o normal.

     

    Portal de Comunicação Católica– Esse problema, pelo que li, é conhecido como Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica. O que esse descontrole alimentar pode causar à pessoa?

    Olga Tessari- O excesso de peso é a consequência mais comum do ato de comer compulsivamente, sem contar os problemas de saúde que a obesidade pode acarretar. E, na medida em que a pessoa engorda, como ela não consegue diminuir a sua “gula”, sua autoestima diminui porque ela tem consciência de que come em exagero, mas se considera incapaz de seguir uma dieta ou de ingerir menos alimentos por mais do que alguns dias. Ela se sente fora do padrão social (atualmente o padrão é ser magro, quase esquelético) e começa a fugir de situações onde tenha que expor o seu corpo (praia e piscina nem pensar!), sem contar que passa a ser discriminada no seu meio, além de ter que conviver com comentários maldosos e ser motivo de piadas de mau gosto.

     

    Portal de Comunicação Católica- Acaba até se tornando um problema social, de convívio interpessoal. O que mais pode acarretar?

    Olga Tessari- Na medida em que a pessoa se priva do prazer do convívio com outras pessoas e de se locomover livremente por todos os lugares, ela passa a comer mais ainda (lembre-se da substituição de outros prazeres por comida). Todos estes fatores somados acabam por elevar ainda mais o nível da ansiedade, mais um fator que a leva a comer mais e mais, o que faz com que ela sinta sua autoestima cada vez menor, o que também pode levar à depressão, justamente porque ela não vê saída para o seu problema.

    Pessoas com excesso de peso são alvo fácil de pessoas inescrupulosas que vendem “fórmulas milagrosas” para acabar com o excesso de peso, justamente porque elas querem um resultado rápido por se sentirem incapazes de um tratamento a longo prazo. Vale dizer que estas fórmulas mágicas muitas vezes trazem mais problemas a sua saúde e nem sempre resolvem a questão do excesso de peso.

     

    Portal de Comunicação Católica– O que fazer para que esse hábito prazeroso não afete a saúde das pessoas, sendo desculpa a ingestão de comida para qualquer acontecimento?

    Olga Tessari- Em primeiro lugar, descobrir os fatores que elevam o nível da ansiedade e aprender a lidar com eles de forma que não seja preciso comer para aplacar a ansiedade. Além disso, procurar diversificar os seus prazeres ao máximo, pois quando estamos envolvidos em uma atividade muito prazerosa, dificilmente nos lembramos de comer. É importante aprender a se alimentar de forma equilibrada, substituindo alimentos muito calóricos por outros mais saudáveis e menos engordativos e, principalmente, ter equilíbrio emocional.

     

    Matéria publicada no site Portal Católico por Rodrigo Herrero em 22/07/2008