• 25 fev 17

Homens que traem têm QI menor

Pesquisa associa a infidelidade à baixa inteligência e causa polêmica entre os estudiosos.

Por: Olga Tessari
  • Homens que traem são menos inteligentes? Tem menor QI?

     

    Homens que traem podem ter um QI menor, diz a pesquisa.

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    O baixo QI da traição

    Homens que traem são menos inteligentes, é o que garante um estudo divulgado pela London School of Economics.

    Pesquisa associa a infidelidade à baixa inteligência e causa polêmica entre estudiosos que apontam outros motivos para essa atitude que provoca sofrimento e desagregação.

    Homens que traem são menos inteligentes. É o que garante um estudo divulgado recentemente por uma das mais respeitadas escolas de economia e ciências políticas do mundo, a London School of Economics.

    Para chegar a essa conclusão, foram cruzados dados de duas grandes pesquisas norte-americanas que avaliaram atitudes sociais e quociente de inteligência (QI) de milhares de adolescentes e adultos. Assim se percebeu que as pessoas que acreditam na importância da fidelidade para uma relação têm QI mais alto.

    Outra conclusão da pesquisa é que assumir uma relação de exclusividade é uma novidade na evolução da espécie humana, e que homens inteligentes são mais propensos a adotar novas idéias.

    Quanto às mulheres, o estudo mostra que a fidelidade não está ligada ao QI porque elas sempre foram relativamente monogâmicas.

    A pesquisa animou mulheres do mundo inteiro, mas grande parte dos especialistas tem outra leitura sobre os resultados: “Os testes de QI foram desenvolvidos para designar uma capacidade de aprendizagem masculina e são mais ligados a um raciocínio matemático. Hoje sabemos que há vários tipos de inteligência, tanto que algumas pessoas se destacam mais nas áreas humanas e outras nas exatas”, explica Oswaldo Rodrigues Jr, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade.

    “Há também a inteligência emocional, que é diferente das outras. Então é preciso, em primeiro lugar, saber que metodologia foi utilizada nestes testes”, acrescenta.

    Outra que discorda é a antropóloga Mirian Goldenberg, que estuda temas relacionados à traição há mais de 20 anos e já lançou diversos livros sobre o assunto (veja entrevista abaixo): “Acho que não é possível generalizar. Cada um tem seus próprios motivos. Na minha pesquisa, 60% dos homens traem. Será que 60% dos homens têm o QI baixo? Acho que é um problema mais cultural do que do cérebro”, questiona.

    De qualquer maneira, a traição é um assunto que sempre levanta polêmica e assusta quem ama, por ter o poder de transformar a vida do casal em um verdadeiro pesadelo.

    Para a psicóloga Olga Tessari, um passo muito difícil a ser tomado quando a traição é descoberta é tentar entender a própria parcela de culpa. “O mundo cai e a tendência é que a pessoa traída se vitimize, ache que o outro é um crápula e esqueça que, se a relação não está bem, ela também precisa reavaliar sua conduta.”

    Para não ter de passar pelo sofrimento que uma traição pode causar, a dica dos especialistas aos casais é conversar muito e sempre: “Falar ao outro o que o incomoda e também saber ouvir é essencial para um relacionamento saudável”, adverte Olga Tessari.

    “Estabeleçam os limites do relacionamento, acertem o que consideram traição. Porque muitas vezes o que um acredita ser traição não é nada demais para o outro”, acrescenta Rodrigues Jr.

    E ser feliz, perdoando é a primeira regra. “É preciso se respeitar acima de tudo”, finaliza Olga Tessari.

     

    Matéria publicada na Folha Universal em 01/04/2010