• 30 jan 17

A depressão pós-parto

Ela tem as mesmas características de uma depressão e traz muito sofrimento para a mãe.

Por: Olga Tessari
  • A depressão pós-parto

    Nada de frescura… depressão pós-parto é doença

    AVISO: se você sofre com a depressão pós-parto, procure um médico ou psicólogo urgente!

     

    A depressão pós-parto acontece quando? Irritação, tristeza, baixa autoestima. Típicos sinais de uma mulher na TPM, certo? Nem, sempre. A chamada “sensibilidade à flor da pele” pode significar mais do que um período emocional ruim. No caso de mulheres que acabaram de ter filho, pode ser sinal de depressão pós-parto, que atinge cerca de 10 a 15% das mulheres que amamentam.

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Esta doença tem as mesmas características da depressão normal, ou seja, a pessoa sente uma tristeza muito grande de caráter prolongado, com perda de motivação para a vida, podendo até mesmo tentar o suicídio.

    Para ser considerado depressão pós-parto é necessário que ela ocorra até o sexto mês após o parto. Em casos mais graves da doença, algumas mulheres apresentam tendência ao abandono do recém nascido.

    Fisicamente, sintomas como alterações gastrointestinais, com ressecamento de boca, de intestino, dores de cabeça, insônias podem ser indícios de uma depressão.

    A consultora de vendas Sandra Lukits percebeu aos 33 anos que sofria da doença, logo após o nascimento da filha. “Eu não queria essa gravidez e minha barriga cresceu como se não pertencesse ao meu corpo… Eu não gostava de tocar nela nem de sentir o bebê mexendo”, confessa ela.

    Sandra conta que o marido estava encantado com a criança e ficava intrigado da relação dela com a filha. Os amigos sempre a consideraram uma mulher forte e batalhadora, por isso achavam que ela não precisava de ajuda, era só uma fase ruim. A consultora procurou ajuda médica, mas no início foi em vão.

    Segundo ela, o médico foi muito grosso e insensível e não conseguiu ajudá-la em nada. “Chorei muito nesse dia, pois ele [médico] tinha sido cruel. Resolvi ir a uma homeopata, que foi muito legal, conversou com calma e me passou um floral. Mas o mais importante foi que eu, comigo mesma, ia dizendo `Eu vou sair dessa”, revela.

    Hoje com 37 anos e 30 quilos mais magra, Sandra é terapeuta de holística (especialista que trata corpo, alma e mente do paciente ao mesmo tempo) justamente para ajudar mulheres que passam por este problema. “Minha filha está com quatro anos e chora a cada 5 minutos, mas ela é linda”, afirma.

     

    Diagnóstico e Tratamento

    Em geral, o primeiro sinal de alerta, de que algo está errado com a mãe vêm da própria família, principalmente da avó materna do recém-nascido. “A mulher se sente impotente, não está bem e não sabe o que fazer para melhorar, por isso entra num conflito emocional muito grande”, afirma a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari.

    Quando a família se dá conta de que o problema existe e comenta com o médico, o tratamento é feito com anti-depressivos , principalmente terapia e, às vezes, acompanhamento psiquiátrico.

    Segundo Olga Tessari, “a família acaba pressionando para que ela [mulher com depressão] fique bem, mas da maneira errada e isso pode piorar o quadro clínico”, revela a especialista.

    O tempo de tratamento depende de cada paciente e geralmente oferece resultados satisfatórios.

    Mas existe um preconceito da sociedade com este tipo de doença, muitas vezes tida como frescura,e por isso a dificuldade para detectá-la e tratá-la ainda é grande.

     

    Matéria publicada no site Grávidas e Grávidos por Ana Carolina Cassola