• 14 jan 17

Depressão e expectativa de vida

Entenda melhor a depressão e saiba como acabar com ela!

Por: Olga Tessari
  • Depressão e expectativa de vida!

     

    A depressão pode colaborar para diminuir a expectativa de vida

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

     

    AVISO!!!
    Quem sofre com a depressão, deve procurar um médico ou psicólogo urgente!

     

    Saiba mais sobre essa doença 

    A depressão tem diminuído a expectativa de vida do brasileiro. Problemas psiquiátricos têm diminuído a expectativa de vida do brasileiro mais do que doenças cardiovasculares.

    A depressão está longe de ser um mal menor – pelo contrário, é uma doença séria que exige acompanhamento médico. A importância do tratamento foi reforçada com a divulgação do estudo “Health in Brazil” (Saúde no Brasil), publicado no periódico científico Lancet, no último dia 9 de maio.

    Um dos dados mais alarmantes dessa extensa pesquisa é o de que as doenças psiquiátricas, incluindo a depressão, têm diminuído a expectativa de vida do brasileiro mais do que doenças cardiovasculares, que ocupam o segundo lugar no ranking.

    Aparentemente silenciosa, a depressão é responsável por 19% dos anos a menos – junto a outros distúrbios psíquicos, como psicose e abuso do álcool -, enquanto problemas cardiovasculares foram responsabilizados por 13% desse retrocesso.

    De acordo como a pesquisa, 18 a 30% dos brasileiros já apresentaram sintomas de depressão. Além disso, 10,4% dos moradores adultos da região metropolitana de São Paulo sofrem com a doença.

    Não é fácil lidar com a depressão, ainda mais quando sabemos que, em geral, o comportamento do paciente costuma enterrá-lo ainda mais no quadro. “O ‘slogan’ dele é ‘não vejo saída, não tem solução'”, explica a psicóloga e escritora Olga Tessari.

    Confira a seguir quais são os hábitos mais nocivos ao tratamento da doença:

     

    Isolamento social 
    É um dos principais comportamentos nocivos e pode variar de acordo com o nível da depressão. A psicóloga Adinéa Vacchiano, do Rio de Janeiro, diz que, em casos de depressão leve, ainda há algum envolvimento e até mesmo vontade de superação. Em nível moderado, existe mais dificuldade em suportar a pressão, o que compromete o rendimento de sua produção e a clareza da percepção. Isso facilita o isolamento. Já na depressão severa, o depressivo pode sofrer até mesmo de amnésia e ilusões, chegando ao isolamento total

    Nesse último estado, o ciclo de pensamentos negativos se torna constante, podendo levar a pessoa até mesmo ao suicídio. Aqui, familiares e amigos são fundamentais para resolverem algo que está fora do alcance das mãos do depressivo: sua recuperação. O convívio social tem papel importantíssimo, já que tornará menos frequente essas ideias ruins

    A dica da psicóloga Olga Tessari é chamar a pessoa para fazer coisas que a agradem. Brigas frequentes em casa ou a obrigação de ter que fazer algo que não gosta diminui ainda mais a autoestima do portador da depressão, piorando o quadro da doença.

    Ao mesmo tempo, a ajuda médica jamais deve ser esquecida. “A depressão provoca desequilíbrio na produção de algumas substâncias e precisa de medicação para restabelecer essa produção, além de terapia, que tratará das causas da doença”, esclarece Olga Tessari

     

    Compulsão por álcool e comidas gordurosas 

    Quando o depressivo não encontra solução de seus problemas em lugar algum, ele pode recorrer à garrafa de álcool mais próxima, com a promessa de fugir da realidade por alguns instantes. Segundo a neuropsicóloga Evelyn Vincur, do Rio de Janeiro, o álcool é um grande depressor do sistema nervoso central (SNC), que leva o consumidor ao estado de euforia inicial com relaxamento. No entanto, depois que o efeito passa, a sensação de que nada tem solução retorna.

    Outro comportamento perigoso é a compulsão alimentar, que também aparece como tentativa de escapar do sofrimento e suprir necessidades afetivas, seja com doces, refrigerantes, frituras ou outros alimentos gordurosos. “É uma carência, mas, como essa forma de substituir o afeto não é preenchida emocionalmente, a pessoa repete a compulsão, que passa a ser um círculo vicioso”, conta a psicóloga Aridinéa Vacchiano.

     

    Automedicação com antidepressivos e ansiolíticos 

    Embora a medicação seja tarja preta, ou seja, altamente restrita, são comuns os casos de automedicação entre depressivos. Os comprimidos – antidepressivos, fórmulas para emagrecer e calmantes -, podem vir de familiares, vizinhos, ou até mesmo de uma compra ilegal. “Alguns ingerem em torno de 20 a 40 comprimidos de uma só vez, em uma tentativa impensada de parar de sofrer”, exemplifica a neuropiscóloga Evelyn Vinocur. Atitudes como essa, segundo a psicóloga Olga Tessari, podem piorar o quadro de prostração do depressivo.

    Antidepressivos também podem ter efeitos devastadores em pessoas que apresentam quadro de depressão bipolar. Essa depressão representa uma fase característica do portador do transtorno bipolar, que varia entre a fase de euforia e a de depressão, conta o psiquiatra Max Fabiani, da Clínica Conviver, de São Paulo.

    Evelyn completa, dizendo que a medicação pode causar a chamada “virada maníaca”, onde, segundo Fabiani, o paciente tem uma drástica mudança de estado. “Nestes casos, o uso do antidepressivo só pode ser feito junto com um estabilizador de humor ou antipsicóticos de última geração”, adiciona a neuropsicóloga.

     

    Abandono do tratamento 

    Mesmo depois de procurar o tratamento médico, a batalha não está vencida. Isso porque, explica o psiquiatra Max Fabiani, a perda de ânimo é tamanha que até a medicação pode ser abandonada. Outro desestímulo é a mudança frequente de medicações que acontece no começo do tratamento. Quando isso acontece, os sintomas voltam ainda mais fortes. Em casos de depressão leve a moderada, o quadro de isolamento social piora e a pessoa tende a se tornar mais irritadiça

    “O abandono é muito complicado, pode agravar ainda mais o quadro e, nisso, angústia se torna tão forte que a pessoa realmente quer se matar”, alerta Fabiani. Ele conta que, em sua experiência em clínicas psiquiátricas, pôde observar que o suicídio é, de fato, recorrente em pacientes que abandonam o tratamento

    A ajuda que pode ser dada por quem está próximo ao depressivo nada tem a ver com estímulos como “Força, não se deixe dominar!” ou “Saia dessa cama!”. “É um distúrbio grave e sério, e o tratamento deve ser incentivado”, justifica o psiquiatra. Segundo ele, o que pode ser feito é o acompanhamento nas consultas, de forma que a pessoa se sinta estimulada a continuar o tratamento

     

    Sedentarismo 

    A atividade física é uma importante arma contra qualquer tipo de desânimo, já que estimula a produção de substâncias ligadas à felicidade, a serotonina e dopamina. O grande problema, em casos de depressão, é tirar o doente de seu estado letárgico.

    O depressivo, como explica a psicóloga Olga Tessari, está prostrado, sem vontade de fazer nada. “O corpo fica cansado, as ‘pernas parecem chumbo’, e a vontade de deitar e de ficar em casa aumentam”, adiciona a neuropsicóloga Evelyn Vinocur. Portanto, para que o depressivo pratique alguma atividade física, ele precisará de ajuda médica ou um incentivo emocional.

     

    Você mesmo 

    O pior inimigo do depressivo pode ser ele mesmo. Pensamentos como “não adianta” ou “não tem solução” não irão parar sozinhos. Pelo contrário, aumentarão, conforme a pessoa se afunda na depressão. Por isso, mesmo que o doente não assuma essa maneira que se sente, é importante que familiares e amigos estejam atentos aos seus sintomas.

    “Uma série de sinais fazem você perceber se a pessoa não está bem, antes da depressão propriamente dita. Se ela anda irritada, foge de muita alegria, evita o contato social, reclama muito e tem dificuldade pra acordar de manhã, são sinais de que tem algo errado”, enumera a psicóloga Olga Tessari. Insatisfação, insônia, alteração do apetite, falta de energia, fadiga, diminuição do desejo sexual, lentidão ou agitação excessiva, perda ou ganho de peso são outros indicativos que apontam para a depressão.

    Você desconfia que algum querido seu esteja com depressão? Ajude-o! Faça-o rir, leve-o pra passear, incentive o tratamento. E o mais importante: não o julgue.

     

    O que é a depressão? 

    Depressão é uma doença que se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza. Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas, porém mulheres são duas vezes mais afetadas que os homens. Em crianças e idosos a doença tem características particulares, sendo a sua ocorrência em ambos os grupos também frequente.

     

    Como se desenvolve a depressão? 
    Na depressão como doença (transtorno depressivo), nem sempre é possível haver clareza sobre quais acontecimentos da vida levaram a pessoa a ficar deprimida, diferentemente das reações depressivas normais e das reações de ajustamento depressivo, nas quais é possível localizar o evento desencadeador

    As causas de depressão são múltiplas, de maneira que somadas podem iniciar a doença. Deve-se a questões constitucionais da pessoa, com fatores genéticos e neuroquímicos (neurotransmissores cerebrais) somados a fatores ambientais, sociais e psicológicos, como: estresse, estilo de vida, acontecimentos vitais, tais como crises e separações conjugais, morte na família, climatério, crise da meia-idade, entre outros.

     

    Como se diagnostica a depressão? 

    Na depressão a intensidade do sofrimento é intensa, durando a maior parte do dia por pelo menos duas semanas, nem sempre sendo possível saber porque a pessoa está assim. O mais importante é saber como a pessoa sente-se, como ela continua organizando a sua vida (trabalho, cuidados domésticos, cuidados pessoais com higiene, alimentação, vestuário) e como ela está se relacionando com outras pessoas, a fim de se diagnosticar a doença e se iniciar um tratamento médico eficaz.

     

    O que sente a pessoa deprimida?

    Frequentemente, o indivíduo deprimido sente-se triste e desesperançado, desanimado, abatido ou ” na fossa “, com ” baixo-astral “. Muitas pessoas com depressão, contudo, negam a existência de tais sentimentos, que podem aparecer de outras maneiras, como por um sentimento de raiva persistente, ataques de ira ou tentativas constantes de culpar os outros, ou mesmo ainda com inúmeras dores pelo corpo, sem outras causas médicas que as justifiquem. Pode ocorrer também uma perda de interesse por atividades que antes eram capazes de dar prazer à pessoa, como atividades recreativas, passatempos, encontros sociais e prática de esportes. Tais eventos deixam de ser agradáveis. Geralmente o sono e a alimentação estão também alterados, podendo haver diminuição do apetite, ou mesmo o oposto, seu aumento, havendo perda ou ganho de peso. Em relação ao sono pode ocorrer insônia, com a pessoa tendo dificuldade para começar a dormir, ou acordando no meio da noite ou mesmo mais cedo que o seu habitual, não conseguindo voltar a dormir. São comuns ainda a sensação de diminuição de energia, cansaço e fadiga, injustificáveis por algum outro problema físico.

     

    Como é o pensamento da pessoa deprimida?
    Pensamentos que frequentemente ocorrem com as pessoas deprimidas são os de se sentirem sem valor, culpando-se em demasia, sentindo-se fracassadas até por acontecimentos do passado. Muitas vezes questões comuns do dia-a-dia deixam os indivíduos com tais pensamentos. Muitas pessoas podem ter ainda dificuldade em pensar, sentindo-se com falhas para concentrar-se ou para tomar decisões antes corriqueiras, sentindo-se incapazes de tomá-las ou exagerando os efeitos “catastróficos” de suas possíveis decisões erradas.

     

    Pensamentos de morte ou tentativas de suicídio 

    Frequentemente a pessoa pode pensar muito em morte, em outras pessoas que já morreram, ou na sua própria morte. Muitas vezes há um desejo suicida, às vezes com tentativas de se matar, achando ser esta a ” única saída ” ou para ” se livrar ” do sofrimento, sentimentos estes provocados pela própria depressão, que fazem a pessoa culpar-se, sentir-se inútil ou um peso para os outros. Esse aspecto faz com que a depressão seja uma das principais causas de suicídio, principalmente em pessoas deprimidas que vivem solitariamente. É bom lembrar que a própria tendência a isolar-se é uma consequência da depressão, a qual gera um ciclo vicioso depressivo que resulta na perda da esperança em melhorar naquelas pessoas que não iniciam um tratamento médico adequado.

    Sentimentos que afetam a vida diária e os relacionamentos pessoais Frequentemente a depressão pode afetar o dia-a-dia da pessoa. Muitas vezes é difícil iniciar o dia, pelo desânimo e pela tristeza ao acordar. Assim, cuidar das tarefas habituais pode tornar-se um peso: trabalhar, dedicar-se a uma outra pessoa, cuidar de filhos, entre outros afazeres podem tornar-se apenas obrigações penosas, ou mesmo impraticáveis, dependendo da gravidade dos sintomas. Dessa forma, o relacionamento com outras pessoas pode tornar-se prejudicado: dificuldades conjugais podem acentuar-se, inclusive com a diminuição do desejo sexual; desinteresse por amizades e por convívio social podem fazer o indivíduo tender a se isolar, até mesmo dificultando a busca de ajuda médica.

     

    Como se trata a depressão? 

    A depressão é uma doença reversível, ou seja, há cura completa se tratada adequadamente. O tratamento médico sempre se faz necessário, sendo o tipo de tratamento relacionado ao perfil de cada paciente. Pode haver depressões leves, com poucos aspectos dos problemas mostrados anteriormente e com pouco prejuízo sobre as atividades da vida diária. Nesses casos, o acompanhamento médico é fundamental, mas o tratamento pode ser apenas psicoterápico.

    Pode haver também casos de depressões bem mais graves, com maior prejuízo sobre o dia-a-dia do indivíduo, podendo ocorrer também sintomas psicóticos (como delírios e alucinações) e ideação ou tentativas de suicídio. Nessa situação, o tratamento medicamentoso se faz obrigatório, além do acompanhamento psicoterápico (com psicólogo).

    Os medicamentos utilizados são os antidepressivos, medicações que não causam “dependência”, são bem toleradas e seguras se prescritas e acompanhadas pelo médico. Em alguns casos faz-se necessário associar outras medicações, que podem variar de acordo com os sintomas apresentados (ansiolíticos, antipsicóticos).

     

    Matéria publicada no site Serra das Águas em 25/05/2011