• 04 fev 17

Depressão em idosos

São diversos fatores que contribuem para desencadear a doença nos idosos.

Por: Olga Tessari
  • Depressão em idosos

    A depressão em idosos é uma doença difícil de ser diagnosticada nessa fase da vida.  “Não saía sozinha de casa e quando isso acontecia, eu voltava depressa. Tive gastrite, tremedeira.” Quem lê esta frase pensa que essa pessoa sofreu um sequestro ou foi vítima de um assalto. Poderia até ser. Mas, o que Dirce Soncini Zaffani, 64 anos, relata é a sua depressão.

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Após seis meses da morte do marido os primeiros sintomas começaram a aparecer. Problema de pressão, noites sem dormir, dor na coluna e a perda de 30 quilos. Na época, nove anos atrás, Dirce foi tratada por um geriatra que lhe indicou medicamentos e vitaminas. Foram dois anos lutando contra a depressão. Hoje, Dirce orgulha-se em dizer que “está bem melhor.”

    O caso da aposentada é apenas um dos milhares que existem por aí. No entanto, por ter sido reconhecida de forma rápida, a doença pôde ser controlada mais facilmente.

    O psiquiatra geriátrico Cássio Bottino diz que os idosos podem apresentar algumas características que dificultam o diagnóstico da depressão.

    “Eles não se queixam tanto de estar triste. O mais comum é o idoso se queixar de dores pelo corpo, dificuldades físicas e incapacidade, do que propriamente se dizer triste ou deprimido”, revela. Foi assim com Virgínia Vigorito, 78 anos. Ela sentia dores nas costas e pensava que estava com algum problema no pulmão. Além disso, também tinha palpitações. O médico que a acompanhava detectou possíveis sintomas depressivos e a encaminhou a um psiquiatra. A aposentada lembra que reagiu de forma negativa. “Eu não estava louca nem deprimida”, afirma.

    Mesmo com a explicação de que era só para “por os nervos no lugar”, Virgínia não se convenceu. Essa negação diante da doença pode acontecer de acordo com Bottino. O médico afirma que o idoso não se reconhece deprimido.

    A depressão na melhor idade é chamada de multifatorial. Ou seja, diversos fatores contribuem para desencadear a doença: mudanças na renda (porque a pessoa se aposenta), os filhos saem de casa, alteração de papel social, morte de parentes. Além do mais, existem, do ponto de vista biológico, modificações estruturais do cérebro e dos neurotransmissores. Estes, comuns no envelhecimento, podem predispor a depressão, informa o psiquiatra.

    No entanto, é possível prevenir a doença. De acordo com a psicoterapeuta Olga Tessari atividades físicas e que tragam prazer são fundamentais. “Os grupos da terceira idade são fundamentais porque o idoso encontra gente parecida com ele, com valores, usos e costumes semelhantes. Quando encontra pessoas semelhantes, ele se sente muito bem, é um antídoto contra a depressão”, ressalta Olga Tessari.

    Dirce freqüenta há seis anos um grupo desses. “A gente se distrai”, garante a aposentada que já participou de inúmeros passeios. Hoje, recuperada, dá o seguinte conselho para quem possa estar passando por um estado depressivo: “procure tratamento, não se deixe abater porque senão você pode até morrer.”

    Segundo Bottino, é comum os pacientes, depois de melhorarem um pouco, não quererem mais se tratar. O médico também esclarece o papel da família nesse momento. “A família pode insistir para que o idoso se trate. Esse é um aspecto importante porque às vezes o idoso não quer se tratar ou acha que isso não é relevante”, explica.

    Além disso, depois de iniciado o tratamento, deve-se persistir para que a pessoa tome a medicação de maneira adequada e também estimulá-la, a medida que vai melhorando, para que volte a desenvolver atividades que ela tinha antes.

    A psicoterapeuta Olga Tessari afirma que o maior desafio do profissional que cuida de um paciente depressivo é encontrar alguma coisa que o motive para a vida. Isso porque “eles pensam que seu problema não tem solução, só lhes resta a morte. A depressão em idosos deve ser tratada para ser resolvida e, assim, permitir que eles tenham qualidade de vida”.

    Dirce e Virgínia asseguram que nunca pensaram em desistir de viver. “A gente precisa levantar”, completa Dirce.

     

    Matéria realizada pela estudante de Jornalismo Glaucia Koga em dezembro/2006