• 04 fev 17

Depressão na Terceira Idade

É preciso que o idoso se submeta ao tratamento adequado para superar essa doença!

Por: Olga Tessari
  • Depressão na Terceira Idade

     

    Depressão na terceira idade? Doença que já foi considerada natural com o avanço da idade pode até levar à morte

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Cada vez mais comum nos dias de hoje a depressão continua sendo uma incógnita na vida de muitas famílias. Seja por falta de conhecimento ou por não receber a devida importância, muitos que sofrem desse mal acabam não recebendo tratamento adequado. Na terceira idade a situação pode ser ainda pior: a depressão é a principal doença mental da terceira idade. Por já possuírem diversas limitações físicas, dentre outros fatores, os idosos podem apresentar um quadro depressivo grave, deixando os parentes sem saber a melhor forma de agir.

    A psicóloga, pesquisadora e escritora Olga Tessari relata que a doença pode até levar ao suicídio, pois os doentes não enxergam uma saída para esse mal. É importante lembrar, portanto, que a depressão não é apenas uma tristeza passageira frente a um fato adverso da vida. Ela apresenta-se de maneira profunda e duradoura e, em geral, dura semanas, podendo-se estender por meses e até anos. Conheça um pouco mais sobre o tema na matéria abaixo e saiba reconhecer os sinais desse problema.

     

    Problema antigo

    Ao contrário do que se possa imaginar a depressão não é uma doença nova. Pelo contrário, o mal sempre existiu e, principalmente, na terceira idade era encarado como parte da vida, explica a doutora Olga Tessari. “Até bem pouco tempo atrás, era comum as pessoas acreditarem que a depressão era algo comum aos idosos e que não havia nada a fazer para resolver o problema, a doença era encarada como uma característica dos idosos, digamos assim”.

    Com os avanços da medicina e da psicologia, a conscientização em torno da depressão vem aumentando, o que leva à busca do tratamento para resolver o problema. Como a população idosa cresce a cada dia, observa-se também um cuidado maior para com eles. Atualmente envelhecer não é mais sinônimo de uma vida sedentária e sem expectativas e a busca pela qualidade de vida nessa fase aumenta o ânimo no tratamento desse mal.

     

    Causas

    A Dra. Olga Tessari ressalta que existem diversas causas para que a depressão seja tão comum nessa fase da vida. Dentre elas a dificuldade em lidar com as limitações físicas próprias da idade, o medo de envelhecer, a perda de amigos e parentes, a perda do trabalho por conta da aposentadoria – que leva a uma mudança de vida nem sempre igual ou melhor – a aproximação com a morte, a segregação familiar, além da dificuldade em elaborar novos projetos de vida e a falta de atividades que preenchem o tempo disponível.

    “A morte de parentes e amigos leva o idoso a constatar que sua morte pode estar próxima, o que pode levá-lo à depressão, por não conseguir enxergar boas perspectivas na vida”, relata a especialista.

    Por isso é importante que a família esteja atenta aos sinais de alerta da doença. Em um estado depressivo é comum que o idoso deixe de lado as suas atividades normais do dia-a-dia, sem nenhuma causa que justifique esta paralisação (como uma doença temporária, por exemplo) ou que se queixe constantemente de dores pelo corpo, dificuldades físicas e incapacidade. Além disso existe um isolamento do convívio familiar, aparência abatida, irritação e desânimo.

    Caso esses sintomas se apresentem por mais de três meses e na maior parte dos dias, é importante que a família leve-o para uma avaliação médica o mais breve possível. Olga também alerta que falar para o idoso que ele precisa se animar e sair desse estado pode piorar ainda mais a condição depressiva, uma vez que ele já tentou melhorar por si mesmo e sem sucesso. A cobrança familiar, nesse caso, pode colaborar para que a autoestima da pessoa diminua, piorando seu estado clínico.

     

    Tratamento

    Reconhecendo que se trata realmente de uma doença, é importante que exista tratamento médico e psicológico para superar essa fase. Olga conta que a depressão pode ser definida, em última instância, como “ver-se sem saída”: “A pessoa depressiva pensa que seu caso não tem solução e que não adianta fazer absolutamente nada porque nada vai dar certo. Seus pensamentos são sempre muito negativos”.

    Portanto, é difícil fazer com que o idoso aceite a ajuda médica, por isso, em muitos casos, a pessoa precisa ser levada à força para o tratamento e necessita de alguém que a acompanhe durante o processo. Pesquisas comprovam que a eficácia do tratamento conjunto de medicação e tratamento psicológico, traz resultados mais eficientes e rápidos.

    Os antidepressivos, que só devem ser tomados com a devida orientação médica, produzem resultados mais efetivos quando são combinados com acompanhamento psicológico. Como as causas da depressão passam pela forma como a pessoa lida com suas emoções e suas experiências, é fundamental o acompanhamento psicológico. Foi-se o tempo em que o tratamento psicológico era algo que se perpetuava por anos a fio: novas técnicas trazem resultados efetivos em pouco tempo de tratamento.

     

    Insista na recuperação

    O caminho pode ser árduo, mas é importante que a família e os amigos se envolvam no tratamento dos idosos que apresentam o problema. Caso não seja tratada ou encarada com a devida seriedade, a depressão pode levar a morte. “Quando não enxerga uma saída, o suicídio pode parecer um alívio, o fim de um sofrimento para o doente”, relata Olga Tessari. A ausência de tratamento também leva ao surgimento de doenças infecciosas, ataques cardíacos e derrames.

    Olga também afirma que em caso de resistência, a família deve levar o idoso ao médico mesmo contra a sua vontade e, principalmente, verificar se o tratamento está sendo seguido corretamente depois da consulta. “É comum o idoso até ir ao médico, mas depois não tomar a medicação ou frequentar as consultas psicológicas. Por isso é fundamental ter uma pessoa responsável e de confiança para acompanhar o idoso durante esse período” – alerta a psicóloga Olga Tessari.

     

    Matéria publicada na Revista Ciclo – Saúde Integral em agosto/2008