• 28 jan 17

Carro blindado

Quando a insegurança eleva o medo e faz a pessoa a buscar mais proteção.

Por: Olga Tessari
  • Carro blindado – Escudo contra a violência

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    Carro blindado!

    Trânsito caótico, buzinas que não param de soar, vendedores ambulantes a cada farol e o perigo iminente de assalto… Essas são algumas das situações que os motoristas têm que enfrentar diariamente no trânsito das grandes cidades. Aliados às notícias e aos índices de violência que ganham destaque nos noticiários, esses fatores geram uma insegurança muito grande nos cidadãos em relação ao trânsito. Para garantir segurança no meio desse caos urbano, cada vez mais as pessoas estão optando pela compra de um carro blindado.

    Esse é o caso do advogado A.B.S, de 33 anos, que após duas tentativas de seqüestro decidiu comprar um carro blindado e garante que foi uma ótima escolha. Segundo o advogado, antes, cada segundo parado no semáforo parecia uma eternidade. “Você fica apreensivo, de olhos atentos nos retrovisores, e quando aparecem aqueles vendedores de mil e uma coisas, você começa a rezar para que não seja um assaltante disfarçado”, desabafa. Para ele, a bordo de um carro à prova de balas esse tipo de situação deixa de existir. “Quando você pára no semáforo, muda tranqüilamente a estação de rádio, fica completamente indiferente ao que está acontecendo ao seu redor”.

    Segundo a psicóloga e psicoterapeuta especialista em medo de dirigir, Olga Inês Tessari, muitas vezes, movida pelo medo de ser assaltado, a pessoa faz qualquer loucura para se proteger, mas alerta que o excesso pode ser prejudicial. “Conheço pessoas que não colocam o pé para fora de casa sem um carro blindado e só se sentem em segurança assim”. Segundo a psicóloga, além do medo do assalto, existe o temor de ter o carro encurralado em algum lugar. Para essas situações de risco é preciso saber como agir.

    Em uma situação tensa como essa, a adrenalina vai a mil e pode ser difícil manter o controle, mesmo a bordo de um carro com uma proteção maior. Em caso de uma abordagem violenta, a Dra. Tessari aconselha respirar fundo e refletir rapidamente a respeito da situação. Se existir a possibilidade de escapar, a pessoa deve fazê-lo, afinal o carro blindado foi feito isso mesmo. Caso a blindagem não seja suficiente, o melhor a fazer é seguir as instruções do bandido. Entregar o carro, as chaves e fazer o que for mandado.

    Segundo o delegado titular da delegacia de furto e roubo de veículos, Manoel Camassa, afirmou que dar qualquer conselho com relação à maneira correta de agir durante um assalto a mão armada é muito perigoso. “Vai depender muito do tipo de blindagem que a pessoa colocou em seu carro. Se for uma blindagem de boa qualidade, a melhor alternativa fica sendo a fuga. Mas em caso contrário é melhor não arriscar.”

    Entretanto, Camassa afirmou que a maior incidência de roubos de blindados acontece na hora do embarque e do desembarque. “É a hora em que o bandido profissional, que estuda e planeja o roubo, se aproveita da situação. Este tipo de assaltante reconhece um carro blindado e espera o momento certo para efetivar o assalto.”

    O delegado também fez questão de destacar a falta de boletins de ocorrência (BO) sobre tentativas de assaltos em carros blindados. “O número de boletins a esse respeito é muito pequeno. Fica difícil desenvolver qualquer estatística com relação a esse tipo de crime.” De acordo com o Camassa, as pessoas só dão queixa quando tem o veículo roubado.

     

    Matéria publicada nos sites Carsale e Auto Z por Mariana Carnicelli no ano de 2003