• 21 fev 17

Idosos e Terapia Psicológica

A importância da terapia psicológica para o bem-estar e felicidade do idoso.

Por: Olga Tessari
  • Idosos e a terapia psicológica

     

    A importância da Terapia Psicológica para idosos.

     

    Direito autoral das respostas © Dra Olga Inês Tessari

     

    Perguntas e respostas

     

    De acordo com sua experiência, quais os principais questionamentos existenciais que os idosos brasileiros apresentam?

    Olga Tessari: A crise de identidade que acomete o idoso é conseqüência da mudança de papéis, em função da diminuição do seu padrão de vida por conta da aposentadoria que, na maioria dos casos, é de valor muito inferior ao salário que a pessoa recebia quando estava na ativa. Além disso, as perdas diversas e a diminuição dos contatos sociais colaboram para esses questionamentos.

    Se a pessoa não teve uma boa vida, se ela não se realizou ao longo de sua vida, é na terceira idade que ela vai fazer seus questionamentos. Outro questionamento é feito em função da forma como a família o trata, segregando-o do convívio ou mesmo destratando-o.

     

    Toda pessoa na terceira idade deve procurar o auxílio de um psicólogo(a) ou deve fazê-lo apenas em casos específicos? Quais?

    Olga Tessari: O profissional psicólogo colabora para que a pessoa tenha uma vida plena e feliz. Se o idoso está bem e feliz, não há essa necessidade. Ele deve procurar o psicólogo sempre que se sentir infeliz, que estiver com sintomas de depressão, de isolamento, de se sentir inútil, ao estar irritado sem motivo aparente ou mesmo sem motivação para a realização das tarefas mais simples do dia a dia.

    A família tem um papel fundamental para perceber se o idoso necessita de tratamento ou não! Vale dizer que problemas emocionais mal resolvidos ao longo da vida tendem a se agravar na medida em que a idade avança.

     

    De modo geral, quais são as atividades e objetivos da terapia direcionada aos indivíduos maduros?

    Olga Tessari: O tratamento psicológico para a terceira idade não difere da terapia para outras faixas etárias, pois o que se busca é o bem estar da pessoa de acordo com o padrão de bem estar dela, ajudando-a a lidar com as adversidades sem sofrimento, auxiliando-a a usufruir o melhor da vida, colaborando para que ela continue elaborando e realizando os seus projetos de vida em busca de uma vida plena e feliz.

     

    Em quais casos é recomendada a participação de familiares no acompanhamento psicológico de idosos? Por quê?

    Olga Tessari: Na maioria das vezes, a participação familiar é fundamental na evolução do tratamento psicológico!

    Em geral, os idosos moram com seus filhos ou com pessoas de idade menor que a sua e sua família, por conta de suas próprias obrigações/atividades, não costuma dar a eles a atenção necessária, muitas vezes não dispondo de tempo para ouvi-los, criticando-os ou até desrespeitando-os, o que os leva a se sentirem num plano secundário: essa falta de atenção familiar pode colaborar com a diminuição da autoestima e para o surgimento da depressão nos idosos, quando eles não exercem outras atividades sociais que compensem esta falta de atenção familiar.

     

    Quais são os sintomas mais comuns da depressão na terceira idade?

    Olga Tessari: A depressão é a principal doença mental da terceira idade. A depressão nos idosos vem normalmente acompanhada de outros problemas físicos, o que acaba mascarando a doença (dores pelo corpo, mal estar, cansaço, apatia.Além disso, muitos familiares tendem a encarar a depressão como um fato normal nesta faixa etária – a depressão pode surgir em qualquer idade!

    Diversos fatores contribuem para desencadear a doença: mudanças na renda (porque a pessoa se aposenta), os filhos saem de casa, alteração de papel social, a dificuldade em lidar com as limitações físicas próprias da idade, o medo de envelhecer, a perda de amigos e parentes, a perda do trabalho por conta da aposentadoria – que leva a uma mudança de vida nem sempre igual ou melhor – a aproximação com a morte, a segregação familiar, além da dificuldade em elaborar novos projetos de vida e a falta de atividades que preencham o tempo disponível.

    Por isso é importante que a família esteja atenta aos sinais de alerta da doença.

    Em um estado depressivo é comum que o idoso deixe de lado as suas atividades normais do dia-a-dia, sem nenhuma causa que justifique esta paralisação (como uma doença temporária, por exemplo) ou que se queixe constantemente de dores pelo corpo, dificuldades físicas e incapacidade. Além disso, existe um isolamento do convívio familiar, aparência abatida, irritação e desânimo. Caso esses sintomas se apresentem por mais de três meses e na maior parte dos dias, é importante que a família leve-o para uma avaliação médica e psicológica o mais breve possível.

    A cobrança familiar para que o idoso saia desse estado por si mesmo, uma vez que ele já tentou melhorar por si mesmo e sem sucesso, nesse caso, pode colaborar para que a autoestima do idoso diminua, piorando seu estado clínico. A depressão exige cuidados médicos e psicológicos!

     

    *Olga Tessari é psicóloga e escritora. Maiores informações e contato no site www.olgatessari.com

     

    Matéria publicada no site Casas de Repouso em 28/07/2009