• 27 fev 17

Internet – Geração Hi-Tech

As tecnologias atraem os jovens e é preciso ficar atento para não se limitar a elas.

Por: Olga Tessari
  • Internet – Geração Hi-Tech

     

    A internet fascina e desvia a tenção de muitas outras atividades!

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    Novidades

    Todos os dias a internet surge com novida­des que fascinam públicos de todas as idades. As mais recentes são as redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter. Mesmo não sendo destinadas às crianças, elas aderem às inovações. É o caso de Lucas Domingues, 12 anos, que fica cerca de 4 horas por dia em sites de relacionamento. “Tanto faz conversar pessoalmente ou online”, opina o garoto.

    Essa relação com o mundo virtual pode comprometer a sociabilidade das crianças. De acordo com Sonia Maria de Souza, presidente da seção São Paulo da Associação Brasileira de Psicopedagogia, os pais devem “intervir nas relações sociais virtuais assim como nas não-virtuais”, uma é tão importante quanto a outra e ambas carecem de atenção.

    Isso é o que o pai de Lucas tenta fazer. Edgar Veras monitora e dá instruções ao filho. “Tem alguns cuidados que a gente precisa tomar porque tem muita coisa que não é para determinada idade, e as crianças querem ir além”, afirma. Pena que nem todos os pais pensam as­sim.

    Muitas crianças ficam livres para fazer o que querem nas horas vagas e acabam exagerando. Vinicius Teixeira, 12 anos, passa grande parte do tempo livre no computador e já chegou a passar a noite em claro para ficar na internet. “Fiquei mexendo e nem vi a hora passar”, conta. Nesse caso, a intervenção dos responsáveis é necessária para que a diversão não se torne prejudicial.

    “Os pais tem que saber quais sites a criança está visitando e vigiar o tempo de uso. Monitorar é fundamental”, orienta Regina Gaiarsa, psiquiatra da infância e da adolescência. A dica serve para os pais de Lucas Thomaz, 12 anos, que já desobedeceu a mãe por causa do computador. “Minha mãe mandou arrumar a cama, daí eu saí para mexer na internet”, conta. Isso não aconteceu porque Lucas foi mal educado.

    O “deixar para depois” é comum entre as crianças. Carla Bernardes também passa por esse problema com o filho. “Ele é desorganizado e esquece de estudar. Se a professora dá lição, eu tenho que ficar cobrando”, diz.

    Se a internet é um desafio para os pais, é também para os professores. O fácil acesso ao con­teúdo virtual modificou o comportamento dos alunos em sala de aula. Para Cleusa Raquel Diniz, coordenadora de Tecnologia Educacional do Colégio Marista Arquidiocesano, as crianças de hoje são mais ativas e interativas. “Muitas vezes elas checam as informações que os professores trazem e questionam as fontes”, afirma. Isso prova que a web pode ser utilizada a favor do conhecimento. Basta que as crianças saibam que nem tudo que está disponível é confiável.

     

    Celular

    “Depois que ganhou o aparelho, ela acha que pode me controlar. Me liga pra dizer que estou atrasada ou demorando a chegar”. Essa frase poderia ser dita por uma adolescente que está cansada de ser monitorada pela mãe. Mas acredite, não é nada disso. Quem faz a fiscalização dos horários é a pequena Rafaella Galhardo, que tem 4 anos. Ela não sabe ler, mas aprendeu a ligar para a mãe porque decorou a posição dos números. Érika Pedros, mãe da menina, acredita que o telefone móvel não tem tanta utilidade para a filha. “É mais um mimo mesmo”, diz.

    Na opinião de Regina Gaiarsa, psiquiatra da infância e da adolescência, o celular é desneces­sário para as crianças pequenas. “Uma criança de 3 ou 4 anos dificilmente vai a uma festa de aniversário sozinha. Sempre tem pessoas tomando conta dela”, afirma. O caso de Rafaella não é um fato isolado. Ela é o retrato da geração que nasceu em plena revolução tecnológica. Os carrinhos e as bonecas não atraem tanto quanto os eletrônicos. “O celular é usado como brinquedo e isso não pode ser permitido pelos responsáveis”, afirma Regina, que frequentemente vê crianças brincando com o apa­relho dos pais na sala de espera do consultório e até mesmo durante as consultas médicas.

    É por esse motivo que Irani Goulart, mãe de Vinicius Silva, está relutante em dar um telefo­ne móvel para o filho. “Ele quer mais para brincar com os joguinhos, é muito pequeno ainda, quem sabe daqui uns dois ou três anos”, diz. Talvez daqui a algum tempo o celular seja mais útil para Vinicius e não sirva somente como entretenimento.

    Muitas vezes, a vontade das crian­ças é passageira e só ocorre como uma curiosidade pelo novo. Foi o que aconteceu com Mateus Henrique, que apesar de ter 10 anos já passou pela fase de euforia por causa do aparelho. “Quando eu ga­nhei era muito importante, mas agora desprezei”, afirma com um tom de convicção.

     

    Videogame

    Atari, Nintendo, Playstation, Wii e X-Box. A evolução dos videogames trouxe junto de si algumas dúvidas que permeiam entre pais e profis­sionais da medicina. Afinal, os jogos são benéficos ou prejudiciais às crianças?

    Um estudo realizado pela União Europeia e divulgado em fevereiro de 2009 aponta que o videogame faz bem aos pequenos. O brinquedo ajuda a desenvolver a criatividade e a reflexão estratégica, dentre outras habilidades. Não é à toa que alguns médicos usam determinados jogos para aperfeiçoar aptidões como coordenação motora e agilidade nas respostas, o que serve como treino para procedimentos mais minuciosos.

    A notícia é boa para Julio César de Sou­za, 9 anos, que apesar de não gostar de internet, diz “amar” videogame. Ele não é o único. Antonio Henrique Diano, 10 anos, também adora o brinquedo. “Eu fico mais ou menos o dia inteiro jogando”, diz com uma risadinha no canto da boca. O pai, Geraldo Diano, se preocupa com o filho. “Eu acho que tem jogos que não passam coisas positivas”, comenta.

    O fato é que muitos games incentivam e premiam os jogadores por suas atitudes violentas. Outros ainda incitam o preconceito. Mas o relató­rio da UE alega que não existe uma ligação direta entre os jogos e o comportamento agressivo.

    Para Olga Tessari, psicóloga, se a criança se torna agres­siva é porque ultrapassa os limites dela. “A criança que não pratica atividade física tende a ficar mais tensa, o que a torna agressiva e o nível de sua agressividade também está relacionado ao seu ambiente, não aos jogos”, explica.

    Esse não é o caso de Pedro Lago, 9 anos, que apesar de gostar de videogame, não deixa de empinar pipa e jogar bola na rua. “O Pedro tem uma coisa que muitas crianças não têm, que é gostar de brincar e não só ficar ligado em tecnologia”, diz Adriana Santos, mãe do garoto. O exemplo serve para Paulo Henrique da Silva, 10 anos, que fica enrolando no videogame quando a mãe chama para fazer outras coisas.

    Nes­se caso, os responsáveis não devem simplesmente proibir a brincadeira. De acordo com Francisco Assumpção Junior, psiquiatra infantil, os pais devem educar os filhos, o que pressupõe limitar, ensinar, prover e permitir. Para ele, “a criança pre­cisa ter acesso ao mundo e não se limitar a uma atividade específica e única”.

     

    Trabalho de Alunos da UNESP – Especial Crianças do Século XXI – 2010