• 28 fev 17

Mundo fake: vida paralela na internet

Com páginas falsas na internet, o criador ou fake pode ser, ter e fazer o que bem quer, sem ser descoberto.

Por: Olga Tessari
  • Mundo Fake: a vida paralela na internet

     

    Através de páginas falsas na internet, o criador ou fake pode ser, ter e fazer o que bem quer, sem ser descoberto ou vigiado

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    A mim, me cabe ser eu mesmo. Mas quem sou eu? Sou um só? Ou sou vários de mim?

    Assumir identidades diferentes dependendo do espaço em que se está não é nenhuma novidade para na história da humanidade. O que modifica são as formas dessa prática, a velocidade com que se superam e a faixa etária que a cada ciclo revela-se mais tenra.

    Nesse sentido, a internet se transformou na porta de entrada para os fakes (em inglês, falso), páginas falsas no Orkut, em serviços de mensagem instantânea (como o msn messenger) e em fóruns, em que o dono pode ser, ter, fazer o que bem entender, sem ser descoberto e vigiado.

    Os fakes usam identidades falsas, claro, de famosos, personagens de filmes, desenhos animados, animes e até mesmo de pessoas conhecidas do dono da conta. Como não se sabe quem é o dono do fake, é comum chamar o próprio dono desse perfil de “fake”

    Antes, o orkut era uma farra só, todo mundo “fuçava” a página pessoal de outra pessoa no completo anonimato, daí a folga acabou com a vinda do visualizador de perfis que fez com que os usuários fizessem uma conta a parte para poder vasculhar a vida alheia sem ser incomodado. Mas a coisa toda foi tomando uma proporção tão grande que os fakes, para alguns internautas, já ganharam mais importância do que a página verdadeira que eles tem. E se proliferam em sites de relacionamento como Orkut e Myspace o que os entendidos no assunto chamam de Mundo FaKe, um universo paralelo em que você pode ser e ter o que você quiser, até uma heroína de animes japoneses, uma pessoa com as características físicas que quiser ou ainda uma celebridade hollywodiana ou até Deus.

    Mas será que ser outra pessoa na rede compromete a sua identidade? A resposta é não, para a psicoterapeuta Olga Tessari. “O fato de se identificar com alguém e querer se aproximar da forma de vida dessa pessoa é um processo normal na busca pela identidade própria, típica da adolescência. Um exemplo disso é a necessidade dos jovens de andarem em grupos. Por isso é natural eles quererem assumir uma personalidade diferente da deles, principalmente os mais tímidos, os fakes ajudam a botar para fora traços que gostariam de ter”.

    Segundo a especialista, atrás de um fake você pode ser quem quiser e externar características que existem dentro de você e que nem sabia. “Como os atores por exemplo que afirmam que adoram interpretar vilões porque é mais desafiador e eles podem exorcizar a maldade que há em cada um. Assim também funciona o fake, quando você opta por fazer um de um personagem é porque no fundo a identidade dele lhe é interessante”.

    O fake precisa ser encarado como uma brincadeira, uma válvula de escape ou até como uma forma de manter a privacidade e o anonimato na internet, de acordo com a psicóloga.

    A coisa complica apenas se você perceber que a página falsa está ocupando todos os momentos da sua vida e te atrapalhando a viver a vida real.

     

    Matéria publicada na Gazeta Digital por Leidiane Montfort em 03/05/2009