• 10 fev 17

Mulher crise dos 30 anos

As cobranças sociais e suas repercussões sobre a mulher balzaquiana.

Por: Olga Tessari
  • Mulher crise dos 30 ano

     

    A crise dos 30 anos da mulher

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Balzaquianas – Atrativos irresistíveis aos 30

    Se Balzac ainda estivesse entre nós, o que escreveria hoje sobre as mulheres Balzacas?

    A mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. O autor dessa frase se estivesse vivo completaria hoje 210 anos. Trata-se do romancista francês Honoré de Balzac que imortalizou a expressão mulher balzaquiana para se referir às damas que tinham vivido por mais de três décadas.

    Desde então, muito tem se especulado sobre essas mulheres, suas dúvidas, dilemas, cobranças íntimas e alheias, expectativas e frustrações. Se Balzac estivesse entre nós o que ele escreveria sobre as atuais balzaquianas? Existe mesmo uma crise nesse período?

    Arnaldo Jabor define a balzaca como uma mulher que “se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer. Poucas mulheres de 30 se incomodam com o que você pensa dela ou sobre o que ela está fazendo”.

    Para a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari, inicialmente, a crise dos 30 anos não é vista como doença ou algo muito perigoso. “É um sentimento que está relacionado a uma questão cultural, que pressupõe que a essa idade a mulher já deva estar encaminhada na vida, já construiu uma carreira e está casada ou prestes a se casar. Então ela se sente pressionada a atender a essas expectativas”.

    A sociedade suscita nessa mulher questionamentos como: o que eu estou fazendo da minha vida? Foi isso o que eu sonhei pra mim? Por que eu ainda não casei? Por que não param de me cobrar filhos?

    Para a psicóloga, as mulheres não devem ficar nervosas nessa situação porque existem cobranças em qualquer faixa etária da vida, essas são apenas as típicas dos 30 anos e é importante ter em mente que é assim para todo mundo. A coisa toda só vira uma crise propriamente dita se o comportamento auto avaliativo que você fizer começar a ser muito forte, o que pode desencadear em uma depressão.

    Esses sentimentos, no entanto, precisam ser acompanhados com cuidado porque podem gerar sérios problemas psicológicos como por exemplo a depressão. “Essa cobrança eleva a ansiedade, o que pode levar a problemas de memória, de concentração, e fazer a mulher ficar muito irritada”.

    O casamento é a maior cobrança para elas. Algumas pensam que só estarão completas quando estiverem com um homem ao seu lado, outras chegam a se apavorar quando percebem que todos os amigos estão casando e passa a se sentir sozinha porque perde as companheiras de balada. “Algumas pacientes me dizem que precisam se casar porque os amigos casaram, e ela se sente deslocada. O perigo é que elas acabam se casando com o primeiro que aparece, e isso trará ainda mais sofrimento para elas depois”.

    Balzac por Balzac

    Poucas mulheres “balzacas” leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. No livro, o autor descreve da seguinte forma “uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (…) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”.

    O escritor nasceu em 20 de maio de 1799 e morreu em 18 de agosto de 1850, tornou-se um dos maiores nomes do realismo na literatura, embora muitas de suas obras estejam incluídas obre a tradição literária do romantismo francês. Sua obra-prima é A Comédia Humana (La Comédie Humaine), que reúne oitenta e oito obras, procura retratar a realidade da vida burguesa da França na sua época.

    A Mulher de Trinta Anos é outro clássico escrito pelo francês e que ainda prossegue com frescor atual passados tantos anos de seu lançamento e que mostra a heroína Julie às voltas com problemas fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e ainda reflexões sobre o fracasso do casamento.

     

    Matéria publicada na Gazeta Digital por Leidiane Montfort em 20/05/2009