• 04 fev 17

Rivalidade entre mulheres

Até que ponto a competição e a rivalidade entre elas é algo bom ou ruim?

Por: Olga Tessari
  • Rivalidade entre mulheres

     

    Rivalidade entre mulheres – Mulheres são como sol e lua, em geral, quando juntas, provocam eclipse.

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Isto mesmo, um fenômeno curioso, embora nem sempre agradável de se ver, uma vez que boa parte delas vive em eterna competição. Não sem motivos, hoje se fala até mesmo, que a indústria da beleza e da cosmética estimula isso, pois reza a lenda que elas se digladiam para aparecer mais e melhor aos olhos da outra.

    Tanto é, que não raro elas vão até mesmo à televisão, falar de suas cirurgias plásticas, feitas para ficar parecidas com suas artistas preferidas. Neste caso, não são rivais, mas tampouco quer dizer que reinaria a amizade entre elas, se tivessem de conviver dentro do mesmo espaço.

    Segundo a psicóloga Olga Tessari, de São Paulo, é preciso diferenciar a rivalidade da competição, pois no que uma é benéfica, a outra é maléfica. Para Olga, que mantém um site na rede (www.olgatessari.com), é do ser humano competir, e por isso mesmo, quando se trata de mulheres que o fazem, pode ser saudável, desde que não afete a integridade física e moral da outra pessoa.

    O que leva duas mulheres a não gostar uma da outra, sem nem ao menos se darem a chance de se conhecer mais, é o fato de que algumas são muito influenciáveis por opiniões alheias (efeito esponja). Daí, não se permitem ter sua própria impressão sobre alguém ou outra mulher se essa recebeu alguma crítica ou restrição pessoal”, afirma.

    Para a psicóloga existem aquelas que, por ocupar uma posição privilegiada, capaz de influenciar pessoas, se tornam algozes das que julgam oferecer algum perigo profissional ou pessoal. Competir pode ser um incentivo para se conquistar postos e alçar vôos maiores. No entanto, o risco acontece quando as pessoas perdem a noção de limites.

    Ela lembra que a inveja pode ocorrer entre duas pessoas que são igualmente bem-sucedidas. “Ter inveja do sucesso da outra, mesmo tendo seu próprio espaço e reconhecimento, tem mais a ver com imaturidade e falta de conhecimento de vida e de aprendizagem de algumas lições. As mulheres com alta performance, confiantes sobre suas habilidades, raramente apresentam esse comportamento, mesmo quando são muito competitivas”, afirma.

    Todavia, aquelas mais inseguras podem ser vingativas e invejosas porque levam para o lado pessoal qualquer movimento. “Elas julgam ser adversárias mesmo de quem não oferece risco real. Basta acreditar que estão perdendo posição”, diz.

    Entre os homens, também existe competição e rivalidade, porém, não ocorre como no mundo feminino, uma vez que eles são compenetrados num determinado objetivo. “O ambiente competitivo é aceito no universo masculino como diferencial e também porque o homem, quando tem algum problema, tem mais facilidade de falar para a pessoa em questão”, diz.

    A psicóloga lembra que é bem verdade que não são todos. “É claro que alguns apresentam os mesmos comportamentos observados nas mulheres, portanto, estamos falando sobre médias”, diz.

    A competição nasce no berço, e pode ser observada dentro da própria família. Já a rivalidade tem a ver com características da personalidade de cada um. E como já foi dito, nem toda competição é aversiva ou inadequada se forem obedecidos alguns critérios éticos. “Fato é que o problema pode ocorrer em qualquer contexto, mas é mais velado no trabalho e difere por sua intensidade e freqüência entre as mulheres”, diz.

    As situações de competição, seja entre profissionais, irmãs ou colegas de sala de aula, podem ter como pano de fundo um repertório distorcido se há exageros, tentativas sistemáticas de desqualificação do outro e resolução dos problemas usando intermediários.

     

    Convivendo melhor:

    • Ninguém agrada a todos o tempo todo, mas é importante que você tenha sua avaliação sobre as pessoas;

    • Não permita que usem você como instrumento de vingança ou disputa de território;

    • Lembre-se: pessoas que têm o comportamento de manipular outras em benefício próprio podem fazer o mesmo com você, se não seguir as regras ditadas por ela;

    • Não entre no jogo alheio. Avalie o comportamento da fonte de informações;

    • Verifique quais motivações alimentam a necessidade de determinada mulher ao criticar a outra.

     

    Quando elas são rivais no amor, é pior

    As mulheres são sempre as piores inimigas umas das outras, mas quando o assunto envolve o coração, a situação pode se agravar ainda mais. Segundo a consultora em relacionamento, Rosana Braga, de São Paulo, em artigo recente “não é o que você sente, mas o que faz por causa do que sente!”, que vai determinar a forma como reage. Os sentimentos, diz ela, mudam de intensidade de pessoa para pessoa. E não é só isto.

    Para a escritora, o sentimento muda em freqüência, profundidade e consciência. Mas, sobretudo, a atitude a partir de cada sentimento depende da maturidade e do equilíbrio emocional de cada um. “Tem gente que leva um “fora” e se mata, literalmente. Mas tem gente que cresce, aprende a se valorizar mais e se torna mais forte para a próxima relação. A diferença não é que para a primeira foi muito difícil passar por isso e para a segunda foi fácil. Para as duas certamente foi difícil. Aliás, para todo mundo é doloroso se sentir rejeitado/a”, diz.

    Porém, Rosana observa que há uma diferença entre as duas pessoas, essencial: a primeira consegue enxergar apenas uma saída, a fuga de si mesma; a segunda encontra outras maneiras de lidar com sua dor. Segundo a consultora, é importante aprender com a segunda, sempre, e se mostrar uma rival de alto nível. “Afinal, tem gente que sente ciúme e arma uma baita confusão, dá vexame, ofende, agride e perde a razão.

    Mas tem gente que, apesar de também se magoar por causa do mesmo sentimento, consegue elaborar a situação e compreende que é possível resolvê-la de maneira mais criativa, conversando, expondo seu ponto de vista, mostrando seus limites, por exemplo”, finaliza.

     

    Matéria publicada no DiárioWeb por Cecília Dionizio em 16/11/2006