• 08 jan 17

Autoconfiança!

Confiar em si mesmo é o caminho para ter uma boa autoestima!

Por: Olga Tessari
  • Autoconfiança – Confiar em si mesmo

     

    Autoconfiança – Confiar em si mesmo

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

    Confie mais em si!

    Em pleno século 21, com toda modernidade, globalização e evolução da sociedade ainda há quem espere pela aprovação dos outros para agir. Essas pessoas não se conscientizaram, ainda, do mal que causam a si mesmas. Mal sabem que com isso perdem autenticidade, liberdade, conforto e, principalmente, a personalidade, a própria identidade. A necessidade de agradar terceiros, sem se satisfazer primeiro, é extremamente prejudicial à evolução mental, espiritual e até física.

    De acordo com a psicóloga e psicoterapeuta de São Paulo Olga Tessari, pessoas que agem desse modo não se amam, e gostar de si mesmo é, inclusive, antídoto contra influências de pessoas indesejáveis. “Infelizmente, quem tem baixa autoestima se deixa influenciar por outras pessoas e, muitas vezes, muda o curso de sua vida por causa delas. A conseqüência é uma vida infeliz justamente porque vão contra seus próprios desejos e planos”, afirma.

    A terapeuta psicorporal Valmira Barreto, de Rio Preto, acredita que se amar não seja condição apenas do querer simplesmente. “Não se gostar é sintoma de ‘algo’ muito mais profundo. Não podemos banalizar. O gostar de si mesmo está atrelado a origem/nascimento e aos primeiros anos de vida”, diz. Ela afirma que o gostar de si mesmo é parte do resultado da história de vida de cada indivíduo. Esse grau de amor próprio irá ditar as relações, o jeito de se relacionar com todos e tudo na vida. “Entender e aceitar a história de vida de cada um, o caminho do autoconhecimento, é o principal meio de ser mais amoroso consigo, e conseqüentemente, estabelecerá a si e às pessoas ao redor como funciona esse ritmo.”

    Segundo Valmira, somente a segurança interna proporciona escolhas adequadas para o viver bem. Quando a pessoa não encontra seu próprio ritmo, não se conhece e não está em harmonia consigo, o objeto de amor e aprovação do próprio ritmo é o outro e tudo tem de vir deste. “É quando a ‘coisa’ pega e as pessoas se moldam ao ritmo do outro. Se perdem de si mesmas, do próprio ritmo.” Quando se vive para atender ao outro, a pessoa não se respeita e, na maioria das vezes, só sente o incômodo, sem nem saber que toda angústia e insatisfação vem por não se conhecer, não saber dos seus próprios limites.

    Segundo as especialistas, somente por meio da busca do autoconhecimento é possível aprender a se amar de verdade.

     

    Características da baixa autoestima:

    :: Insegurança
    :: Inadequação
    :: Perfeccionismo
    :: Dúvidas constantes
    :: Incerteza do que se é
    :: Sentimento vago de não ser capaz de realizar nada
    :: Depressão
    :: Não se permitir errar
    :: Necessidade de agradar, aprovação e reconhecimento

     

    O que diminui a autoestima:

    :: Críticas e autocríticas
    :: Culpa
    :: Abandono
    :: Rejeição
    :: Carência
    :: Frustração
    :: Vergonha
    :: Inveja
    :: Timidez
    : Insegurança
    :: Medo, humilhação e raiva
    :: Perdas e dependência financeira e emocional

     

    Para elevar a autoestima é preciso:

    :: Autoconhecimento
    :: Gostar da imagem refletida no espelho
    :: Identificar as qualidades e não só os defeitos
    :: Aprender com a experiência passada
    :: Tratar-se com amor e carinho
    :: Ouvir a intuição
    :: Manter diálogo interno
    :: Acreditar que merece ser amado(a) e é especial
    :: Fazer todo dia algo que goste como dançar, ler, descansar, ouvir música ou caminhar

     

    Respeito é sinônimo de boa autoestima

    Respeitar para ser respeitado. A expressão é bastante conhecida e vale ao pé da letra no âmbito da educação social, nas relações de trabalho, familiar e afetiva entre outras. Porém, só consegue respeitar o próximo aquele que consegue respeitar a si mesmo. E só consegue respeitar a si mesmo aquele que se ama. Para quem não sabe, auto-estima é a opinião e o sentimento que cada pessoa tem por si mesma. É ser capaz de respeitar, confiar e gostar de si. Quem não se ama, não se respeita, não tem limites e assim sucessivamente. A vida dessas pessoas tende a não ser das melhores, principalmente porque, geralmente, são negativas, pessimistas.

    A psicoterapeuta Olga Tessari ressalta que respeitar a si mesmo é saber o que deseja, quais os próprios limites e até onde pode ir com solicitações de terceiros. “Não é ser egoísta (pensar somente em si), mas não se prejudicar por causa de ninguém.” Ela diz que pessoas com baixa autoestima certamente a tem por causa de sua história na infância. Em geral, segundo ela, os pais eram muito críticos, exigentes e não respeitavam os limites dela enquanto criança. Pais com esse perfil desejam que o filho faça muito mais do que é possível para ele e isso gera na criança a sensação de não conseguir ser o que eles desejam e, pior do que isso, acreditam que os pais não gostam dela.

    “É por isso que quando adulta, a criança que foi tratada dessa forma segue a vida em busca da aprovação alheia, sem perceber que jamais conseguirá a aprovação de todos. A maior aprovação que ela deve buscar é dela mesma”, afirma Olga Tessari. Enquanto a pessoa não descobre quais as causas reais da sua falta de autoconfiança, respeito e amor-próprio segue a vida em busca da aprovação alheia. Faz de tudo para se sentir querida, amada, quando na verdade o que precisa é amar a si mesma. Além disso, com o tempo quem convive com essas pessoas enjoa e se cansa delas. Já crianças que foram respeitadas, aprenderam a se respeitar, sabem dos próprios limites e sabem dizer não quando necessário. Olga Tessari reforça que pessoas com baixa autoestima costumam ter vida sofrida, infeliz e contrária aos seus desejos. Por isso, precisam de tratamento psicológico para se conhecer melhor e aprender a respeitar a si mesmas.

     

    Matéria publicada no DiárioWeb por Renata Fernandes em 07/03/2007