• 04 fev 17

Casal: viajar sozinho faz bem

Viajar sozinho pode ser uma experiência de valorização da relação e da própria individualidade!

Por: Olga Tessari
  • Viajar sozinho faz bem ao casal

    Quando viajar sozinho faz bem ao casal

     

    Viajar sozinho faz bem ao casal e colabora até para melhorar a relação! Ficar sozinho não significa se livrar do parceiro. Pelo contrário: pode ser uma experiência de valorização da relação e da própria individualidade!

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Se você pensa que os momentos de lazer só podem ser passados ao lado da pessoa amada, você ainda vive um relacionamento que envolve sentimentos de posse sobre o parceiro. “Como ele vai se divertir sem estar ao meu lado?”, “Ela vai ficar à disposição dos outros, como se estivesse solteira?” podem ser algumas das dúvidas que povoam sua mente.

    “Existe uma crença, geralmente feminina, de que, quando a pessoa ama, tem que ficar ao lado do parceiro o tempo todo. Toda atividade de lazer tem que ser acompanhada”, afirma a psicóloga Olga Tessari. Para essas pessoas, ser um casal pressupõe viajar junto e curtir esses momentos de lazer sempre lado a lado.

     

    Montanha, praia ou o glamour da cidade?

    Casais modernos se separam para viajar – e cada parceiro segue o destino que mais o agrada! No entanto, uma nova espécie de romantismo surge entre os casais modernos: seguros de sua relação, têm confiança recíproca e gostam, sim, de se separar para viajar a lazer. Duas pessoas que dialogam sempre e entendem que cada um tem gostos e desejos diferentes conseguem passar um tempo longe sem problemas. E não há nada de errado em fazer isso.

    Segundo Olga Tessari, autora do livro Dirija a sua vida sem medo, esse tipo de viagem pode ser muito positiva por permitir à pessoa fazer o que gosta, na hora e do jeito que preferir. Além disso, esse tempo distante pode despertar a saudade entre o casal, que volta para casa duplamente feliz: porque teve ótimas experiências sozinho e porque reencontrará seu parceiro novamente.

    Geralmente, para que isso funcione, os casais tendem a ser formados por pessoas financeira e emocionalmente independentes, seguras de si e da relação e que não vêem o outro como propriedade particular. “São pessoas que se amam e querem ver o outro feliz. Então, deixa-o livre pra fazer o que quiser”, afirma.

     

    O perigo

    Por outro lado, viagens solitárias podem indicar alguns problemas.

    O primeiro, e mais óbvio, é usá-las como pretexto para ficar longe do outro. Neste caso, a relação não deve estar em seus melhores momentos. Como a pessoa não consegue resolver os problemas conjugais, usa o tempo em que está sozinha para respirar. Depois, volta revigorada para agüentar um pouco mais, até a próxima viagem.

    O segundo problema é quando o casal está mal, embora não se dê conta da crise no relacionamento. Pode acontecer que, numa dessas viagens, um dos parceiros comece a pensar sobre a relação e decida por terminá-la. “É importante notar que o problema não é a viagem, ela é apenas um desencadeador”, explica a psicóloga. Isso acontece porque você pode estar habituado à vida de casal, vivendo no “automático”, e, na viagem, começar a observar “os outros” e a compará-los ao parceiro – com isso, passa a ver seus defeitos e chatices.

    “Afastar-se é uma maneira de rever essa pessoa sob uma ótica diferente”, afirma. E essa nova visão também pode ser positiva, se “os outros” mostrarem que a pessoa que está ao seu lado é realmente especial.

     

    Matéria publicada na Revista Época por Lana Lopes em 18/12/2008