• 22 jan 17

Diferença de idade entre casais

A diferença de idade entre o homem e a mulher numa relação amorosa é um assunto polêmico.

Por: Olga Tessari
  • Diferença de idade entre casais

    Casais: diferença de idade entre eles

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

    Diferença de idade entre casais – Dá certo?

    Quem nunca se apaixonou por uma pessoa mais jovem ou que tem um conhecido, um primo ou um colega de trabalho, que já se relacionou com uma ninfetinha que atire a primeira pedra. Alguns artistas como Elba Ramalho, casada com Gaetano que é 24 anos mais novo, mantém um relacionamento duradouro.

    A diferença de idade entre o homem e a mulher numa relação amorosa é um assunto polêmico.

    A psicóloga e psicoterapeuta, Dra. Olga Inês Tessari, explica por que é tão comum. ‘O que importa neste tipo de relacionamento é a idade mental/emocional de cada pessoa, ou seja, a forma como as experiências de vida são encaradas e absorvidas por cada um. Existem pessoas que aos 40 anos, comportam-se como verdadeiros adolescentes, assim como há jovens de 20 anos que agem e pensam como adultos de mais de 40/50 anos. Portanto é comum pessoas de diferentes idades cronológicas se relacionarem.’

    A doutora afirma que homens e mulheres têm procurado este tipo de relacionamento porque existe uma afinidade. ‘Em geral, são pessoas de mente aberta a novas experiências, que não se sujeitam aos padrões comuns da sociedade, que buscam a manutenção da alegria, do bom humor, das aventuras e desafios característicos da fase dos jovens. As pessoas tentam viver ou reviver bons momentos que ficaram para trás’, comenta.

    Há pouco tempo, apenas os homens se relacionavam com pessoas mais jovens, as mulheres tinham medo do preconceito, mas a Dra. Olga comenta que isto diminuiu e que hoje em dia já é possível se dizer que não há muita diferença na porcentagem de homens e mulheres que se relacionam com pessoas mais novas.

    Apesar da sociedade se dizer moderna, a Dra. Olga fala que ainda há o preconceito. ‘Apesar de estar cada vez mais em desuso, o preconceito ainda existe, o homem que namora uma mulher bem mais velha, certamente é mais adulto do que a maioria dos jovens ao seu redor e quer um relacionamento estável, sem as neuras típicas das mais novas. No caso da mulher buscar um homem mais jovem, o preconceito pode revelar a realidade de ela buscar homens de mente mais aberta, menos machista (como a maioria dos mais velhos ainda são), mais carinhosos e companheiros, que dividem tarefas e são mais cúmplices e solidários. Além disso, o fato de ser desejada e amada por um homem mais novo colabora para a elevação de sua autoestima.’

    Quem não tem a mínima ideia de como é essa relação, saiba que, como tudo na vida, há o lado bom e ruim. ‘O(a) mais velho(a) alimenta o receio de que possa, em algum momento, ser trocado(a) por alguém mais jovem e atraente. O(a) mais novo(a), por sua vez, sente medo de ser trocado por alguém mais velho, com mais experiência de vida ou de que possa, ao longo do tempo, ficar mais velho e menos atraente para o outro, revelando uma baixa autoestima. Quando a autoestima de ambos é elevada e eles não deixam as opiniões alheias interferirem no relacionamento, certamente haverá muitas vantagens, pois a troca de experiências entre ambos será muito rica e diversificada.’

    Amigos, vizinhos e familiares podem não aprovar a relação devido a diferença de idade, o que pode atrapalhar ou até desgastar o relacionamento. A doutora fala que é comum as pessoas opinarem a respeito da vida do outro. ‘Pessoas próximas, familiares e amigos sempre supõem que sabem o que é o melhor para seus parentes e amigos, embora nem sempre o que é melhor para eles, seja para o outro. Se um determinado membro da família considera não ser bom se relacionar com uma pessoa muito mais jovem, ele vai pensar que também não deverá ser bom para o outro. É preciso ter paciência com elas, evitando discussões e brigas que não levam a nada, procurando levar a pessoa amada a uma convivência mais próxima para que a conheçam melhor. Do contrário, é importante fazer-se respeitar pela sua escolha e exigir este respeito, procurando mudar de assunto quando elas começarem o seu discurso ou mesmo dizendo que você respeita a opinião delas, mas que sua escolha já foi feita. Nada de ficar batendo boca ou agindo com rebeldia.’

    A doutora lembra ainda que se o casal não tiver muito diálogo, carinho mútuo e paciência para suportar a pressão dos parentes e amigos que condenam o relacionamento, certamente não conseguirá manter a relação por muito tempo, pois brigas e discussões serão constantes.

    A psicóloga alerta que se o filho for menor, em geral, os pais não aceitam que eles namorem pessoas muito mais velhas, devido à dificuldade em aceitar que eles possam crescer e ter opiniões, crenças e valores diferentes e ainda dá a dica de como enfrentar os pais sem brigas. ‘Os pais sempre pensam que sabem o que é o melhor para os filhos e, baseados na falsa crença de que pessoas mais velhas querem aproveitar-se da ingenuidade de seus filhos, reprovam o namoro com pessoas mais maduras.’

    ‘Mães se sentem ameaçadas pela mulher mais velha pensando erroneamente que ela vai tomar o seu filho ou pior ainda, que vai fazer o seu filho voltar-se contra ela; o pai considera que o homem mais velho apenas vai abusar de sua filhinha. Neste caso, os filhos devem insistir com os pais para que eles pelo menos tentem conhecer melhor o namorado (ou a namorada) antes de emitirem qualquer conceito baseados apenas na sua idade cronológica. Em geral, famílias que costumam dialogar e trocar ideias acabam por aceitar o namoro depois de conviver um pouco mais com os namorados de seus filhos, respeitando-os.’

    Para o relacionamento dar certo, Dra. Olga comenta que o respeito é primordial. ‘Temos que aceitar as pessoas como elas são. É importante também não se deixar levar pela opinião dos outros.’ Avalie cada opinião/crítica sem se irritar. Se o clima de pressão familiar para que o namoro acabe for muito grande, procure não deixar que este clima envolva o relacionamento.

    É comum casais brigarem por causa da opinião de familiares e amigos do(a) namorado(a) e este é o primeiro passo para minar um relacionamento. ‘Respeitar as diferenças de opinião da pessoa amada, fazendo com que ele(a) também respeite, assim como respeitar os parentes e amigos do(a) namorado(a), vai ajudar bastante. A pior coisa do mundo é ficar de cara feia ou evitar de ir às festas de amigos e encontros familiares apenas porque alguns deles não aceitam a união. Tenha paciência e conquiste cada um deles’, finaliza.

     

    Matéria publicada no site da Rede Transamérica por Ana Paula Carvalho – Da Redação