• 24 dez 16

Fofoca

Ela enturma e diverte, mas excessos são prejudiciais à imagem do fofoqueiro.

Por: Olga Tessari
  • Fofoca enturma e diverte, mas excessos são prejudiciais à imagem do fofoqueiro.

     

    Entrevista com Olga Tessari

     

    Sabe da última?

    Quem nunca foi vítima de um diz-que-diz ou até mesmo fez fofoca sobre alguém? Em qualquer roda de amigos, é natural que surjam algumas fofoquinhas, quase sempre sobre alguém que não está presente.

    “O ato de fofocar faz com que a pessoa se sinta parte de um determinado grupo, transmite a sensação de intimidade entre as pessoas”, analisa a psicóloga Adriana Lima.

    É próprio de todo ser humano observar o comportamento alheio, seja para aprender, para copiar e basear-se nele para mudar a sua vida. Mais comum ainda é as pessoas se observarem para avaliar os comportamentos, se elas se enquadram no padrão social vigente. “É com a observação que se percebe o diferente, o bizarro, o excêntrico e o que foge ao padrão. A partir daí é que começam os comentários e a troca de opinião sobre o que é observado”, diz a psicóloga Olga Tessari. Daí para a fofoca é questão de tempo.

    Segundo Olga Tessari, a fofoca nada mais é do que maldizer uma pessoa, seja porque ela transgride as regras, seja porque desperta inveja, seja porque constitui uma ameaça aos padrões impostos socialmente ou mesmo porque existe apenas o desejo de denegrir a imagem dessa pessoa.

    Não podemos esquecer do velho ditado que diz: “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Ou seja, cada pessoa, ao fofocar, acrescenta um detalhe e assim abre-se uma porta para aumentar, distorcer ou mudar o fato.

    A necessidade da fofoca, no caso de pessoas que acabam denegrindo a imagem de outras, está ligada, em geral, ao sentimento de inferioridade e baixa autoestima. No entanto, há gente que sente prazer em falar da vida alheia apenas por diversão, enquanto alguns se preocupam em saber e relatar as fofocas porque consideram a sua vida monótona, sem graça ou por quererem fugir da sua realidade. “Quem fala demais da vida alheia não vive a sua própria vida, exceção feita aos profissionais que vivem da fofoca como atividade profissional” explica Olga Tessari.

    É o caso do jornalista Nelson Rubens, apresentador do TV Fama na RedeTV. Ele explica que as notícias que repercutem mais e dão mais Ibope são as que “fisgam” o telespectador, as que envolvem uma celebridade em um escândalo, separação, gravidez ou os casos de novos amores.

    Entretanto, faz uma ressalva a quem gosta de um diz-que-diz: “Toda informação deve ser investigada, mesmo que a fonte seja confiável”, conta. Caso contrário, uma fofoquinha corriqueira, mesmo sem maldade alguma, pode se transformar em um grande boato.

    Uma fofoca pode ser bem-vinda, desde que ela não prejudique a vida de alguém e nem se torne compulsiva. Devemos lembrar que os fofoqueiros correm riscos se não souberem medir suas palavras. Dependendo do que é dito, a pessoa pode perder a confiança dos outros e ficar marcada por “inventar histórias”.

    Portanto, se a coceira da fofoca te pegar, tenha como lição o famoso bordão de Nelson Rubens: “eu aumento, mas não invento”.

    Matéria publicada na Revista Sua Escolha por Ana Carolina Contri em março/2009