• 23 jan 17

Dia da mentira

História do dia da mentira e esclarecimentos sobre o que é mentir.

Por: Olga Tessari
  • Dia da Mentira

     
    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    Para comemorar o Dia Internacional da Mentira, a equipe do Transanet preparou um especial.

    Veja as origens da data e a entrevista com a Dra Olga Inês Tessari

     

    AS ORIGENS

    Existem várias explicações para o surgimento do dia da mentira. Uma delas conta que, em 1564, o rei da França Carlos IX determinou que o Ano Novo fosse comemorado no dia 1º de janeiro, depois da adoção do calendário gregoriano, e isso foi seguido por vários outros países europeus. O Ano Novo costumava ser comemorado no dia 1º de abril. A mudança gerou muita confusão e alguns franceses resolveram manter a tradição, mas de uma forma debochada: os engraçadinhos mandavam presentes esquisitos e convites de festas que não existiam para os conservadores da época.

    CURIOSIDADES

    Para comemorar o Dia da Mentira, jornais do mundo todo publicam falsas notícias, geralmente com fatos absurdos. Confira abaixo algumas delas.

    1- A África do Sul comprou Moçambique por US$ 10 bilhões. O anúncio do negócio fora feito na Organização das Nações Unidas pelo presidente sul-africano Nelson Mandela. Publicado pelo Jornal Star, de Johannesburgo.

    2- A Rádio Medi, de Tânger, no Marrocos, noticiou que o Brasil não iria participar da Copa do Mundo porque o dinheiro da seleção seria usado na luta contra o incêndio em Roraima.

    3- A minúscula república russa Djortostão declarou guerra ao Vaticano. Motivo: arrebatar o título de menor Estado da Europa. Para tanto, ele teria doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha. Isso tudo de acordo com o jornal Moscou Times.

    4- Diego Maradona, ex-capitão da seleção argentina de futebol, é o novo técnico da seleção do Vietnã. Deu nos principais jornais vietnamitas.

    5- Ao deixar o Senegal, o presidente americano Bill Clinton seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir visto de entrada nos EUA. Assim informou o jornal Le Soleil, do Senegal. Centenas de senegaleses acreditaram na mentira e correram para a embaixada americana.

     

    Leia a entrevista com a psicóloga Olga Inês Tessari sobre a mentira.

    (direito autoral das respostas © Olga Inês Tessari)

    Saiba porque mentimos, se a mentira pode ser positiva, como se comporta uma pessoa que está mentindo e saiba quando isso se torna uma doença.

     

    Da Redação

    Transanet: É possível viver sem mentir? Por que?

    Dra Olga Inês Tessari: A mentira, infelizmente, faz parte da vida e, muitas vezes é um mal necessário para evitar problemas maiores, seja no relacionamento familiar, de trabalho, de amizade ou mesmo de relacionamentos afetivos.

     

    Transanet: Como se comporta uma pessoa que está mentindo?

    Dra Olga Inês Tessari: A pessoa que está mentindo fica ansiosa e preocupada em ‘convencer’ os outros de que sua mentira é uma verdade. Então, a elevação do nível de ansiedade gera aumento dos batimentos cardíacos, a pessoa pode tremer, gaguejar, suar em demasia e, na maioria das vezes, tem dificuldade de olhar os outros nos olhos.

     

    Transanet: A mentira sempre tem ‘perna curta’?

    Dra Olga Inês Tessari: Por estar muito ansiosa, a pessoa se comporta de forma diferente da que costuma agir no seu dia a dia. Isso por si só já pode fazer com que os outros desconfiem deste comportamento diferente da pessoa. Em geral, quem mente acaba, sem querer, revelando, através do seu comportamento, que está tendo atitudes não comuns a ela e que podem revelar sua mentira.

     

    Transanet: Quando mentimos mais, na vida pessoal ou profissional?

    Dra Olga Inês Tessari: Tudo vai depender da necessidade de se mentir. Em geral, as pessoas fazem uso da mentira para protegerem a si mesmas, para se fazerem importantes ou para se sentirem pertencendo a um grupo. Tive o caso de uma garota que mentia dizendo que tinha um namorado, embora não tivesse, apenas para sentir que fazia parte de um grupo de amigas no trabalho, todas com parceiros fixos (namorados, noivos ou maridos). Em outras situações, para mostrar um status, a pessoa pode mentir para se sentir ‘igual’ a seus colegas. Por exemplo: dizer que foi viajar para o Nordeste (quando na verdade foi à baixada santista), apenas para se sentir no mesmo ‘patamar’ dos seus colegas que nas férias viajaram pelo Brasil e/ou exterior. Muitas vezes, a mentira revela uma insegurança da pessoa em se assumir como ela é, revelando baixa autoestima.

     

    Transanet: Qual a diferença da mentira de uma criança e de um adulto?

    Dra Olga Inês Tessari: As mentiras infantis são mais fáceis de serem detectadas até porque as crianças são muito transparentes no seu comportamento. Então, fica fácil descobrir suas mentirinhas. Sabe aquela coisa de perguntar quem foi que derrubou o vaso no chão e a criança abaixar a cabeça? No caso do adulto, ele já tem uma bagagem de treinamentos e de vivências anteriores que permitem que sua mentira seja mais difícil de ser descoberta. Seria algo como se tornar um bom ator, pois quem mente interpreta um papel que não é o seu. Quanto mais um adulto mente e se sai bem em suas mentiras, melhor é o seu papel de ator, digamos assim.

     

    Transanet: Quem mente mais, o homem ou a mulher?

    Dra Olga Inês Tessari: Não existe diferença entre ambos. Tudo vai depender da necessidade de se mentir. Ambos, muitas vezes ‘ocultam’ determinados fatos dos outros para evitar problemas para si mesmos. Por exemplo, no ambiente de trabalho, mentem dizendo que o chefe está bonito (quando na verdade o chefe é feio) para ‘ganhar pontos’ com ele, pensando numa promoção. Num relacionamento afetivo, ambos podem fazer uso da mentira para agradar a pessoa amada com a intenção de se ‘desculpar’ de algo errado que fizeram ou mesmo para evitar que a pessoa amada sofra.

     

    Transanet: A mentira pode ser positiva?

    Dra Olga Inês Tessari: Muitas vezes fazemos uso da mentira para evitar um sofrimento, para impedir um mal maior, para evitar de sermos prejudicados de alguma forma ou mesmo para proteger as pessoas amadas de sofrerem por causa de um problema qualquer.

     

    Transanet: Quando mentir vira doença?

    Dra Olga Inês Tessari: Quando a vida do mentiroso torna-se uma mentira. Ou seja, ele vive em função de sua mentira, vive interpretando um papel diferente daquilo que ele é. Vale dizer que o mentiroso também sofre com suas mentiras porque para evitar que sua mentira seja descoberta, ele cria uma série de situações, de histórias para sustentar a sua mentira e se torna um vigilante contínuo para manter suas mentiras.

     

    Matéria publicada no site Transanet da Rádio Transamérica por Denise Ushisima