• 03 jan 17

Patrões e redes sociais

Todo cuidado é pouco quando se trata do uso das redes sociais: seu patrão está de olho!

Por: Olga Tessari
  • Os empregadores e patrões estão de olho em suas relações nas redes sociais!

     

    Entrevista com Olga Tessari

    Quem está em busca de um emprego, adora navegar na rede mundial e faz isto despreocupadamente, precisa ficar atento. A internet não é mais um instrumento apenas para quem quer encontrar uma vaga no mercado de trabalho, é também uma forma do empregador obter informações primorosas a respeito do candidato ao emprego, em especial daqueles que mantêm páginas no Orkut. Segundo Cláudia Carraro, orientadora de carreiras, é importante que as pessoas saibam que a internet é hoje uma alternativa para quem procura emprego. “Existem empresas que só fazem o recrutamento pelos sites de emprego (catho, manager, empregos.com e outros) principalmente, nos grandes centros. No interior, como é o caso de Rio Preto, este hábito está chegando aos poucos, já que em muitos casos o que impera é a indicação, o boca-a-boca”, diz. Além disso, ela observa que existem várias outras ferramentas da internet que estão sendo usadas, dentre elas, os sites de relacionamento como o orkut, por exemplo. Para quem procura uma boa colocação no mercado, Cláudia diz que é preocupante ser pego freqüentando comunidades que pregam por exemplo a preguiça, a desobediência, indisciplina, preconceito etc. “Numa dessas o recrutador pode visitar sua página no orkut e levar um susto”, afirma.

    No entanto, ela lembra que não apenas quem procura emprego, mas após conseguir a vaga, é importante que o funcionário saiba como se comportar com relação ao uso da internet dentro da empresa. “Na verdade a internet dentro do ambiente de trabalho deve ser usada somente com assuntos que se relacionem ao próprio trabalho. Muitos funcionários, porém, usam a internet com e-mails particulares, baixando fotos e arquivos que congestionam a rede além de trazer vírus”, afirma. Um outro hábito que é condenado como inapropriado, de acordo com ela, é o recurso do messenger (MSN), que embora tenha trazido muita economia de telefone para diversas empresas, tem sido instrumento de mau uso por funcionários que passam o dia batendo papo com amigos. Djalma Donizete Batista observa que há uma queixa por parte da área de Recursos Humanos, de que apesar de toda a tecnologia, ainda há dificuldade em encontrar candidatos com habilidades de conhecimentos específicos, seja para fazer uma planilha, ou usar adequadamente as ferramentas de aplicativos de texto como o word e outros programas de execução de tarefas de softwares, como o windows oferece.

    Ele recomenda que tanto candidatos a emprego, como funcionários de empresas façam uso mais assertivo da internet, pois o que se percebe hoje no usuário é uma preocupação maior em ter acesso à internet do que aprender a usar as ferramentas disponíveis num computador. Djalma reconhece que há um aspecto positivo, que é o uso da rede mundial como meio para buscar informações. Um aspecto que julga negativo é a forma equivocada de usar a linguagem. “Muitos não sabem sequer o português de modo geral, e com o uso de abreviações para falar em chats e outros acabam por ficar ainda pior. Segundo Djalma, existem cargos específicos que utilizam determinadas ferramentas da internet, e é nessa hora que é difícil encontrar o profissional qualificado para vaga. Ele não acredita que a pesquisa por parte do empregador em páginas do Orkut e outros seja a ferramenta adequada para quem busca um profissional qualificado e ético.

     

    Psicólogos alertam para risco de exposição virtual

    É preciso levar em conta uma questão fundamental em relação ao uso que o possível empregador faz das informações obtidas do candidato pelo computador – orkut, msn, blogs etc. Para ela, isso passa em primeiro lugar pelos caminhos da ética e respeito. “É imprescindível pensar sobre o “poder” que passo a ter com algumas informações em mãos e que uso farei disto. Diz respeito a uma ética internalizada de cada um, que é construída através dos modelos que se tem e das permissividades e limites que cada um vai adquirir no decorrer de sua vida”, afirma Claudia. Ela observa que a internet se tornou um “vício” de todos e, como todo vício, ocupa uma parte da vida do indivíduo, que não vê o “tempo passar”. “Como resolver isso? Tentando se concentrar no objetivo central – a busca de um emprego. Algumas questões precisam ser levantadas: como esta pessoa faz para pagar suas contas? Como ela come? Quem a provê?”, pergunta.

    Para a psicóloga paulistana Olga Inês Tessari, que presta consultorias e suporte a várias empresas de São Paulo, a pessoa desempregada que tem alguém que a custeie e não está buscando um trabalho de forma adequada e coerente, levará mais tempo para se dar conta de que existem outras formas para buscar um emprego. “Essa é uma dica para quem está desempregado e também para aquele que está custeando as despesas deste”, alerta. Quando um empregador procura um funcionário novo, é claro que ele vai checar todos os canais que puder para conhecer melhor esta pessoa. “O importante não é apenas saber executar a função, mas quem é essa pessoa, o que ela pensa, como age, o que gosta, o que não gosta e se seu perfil de personalidade se encaixa com o desejado na empresa”, diz.

    “Com o advento da internet, ficou muito mais fácil descobrir quem realmente é esta pessoa, afinal, ela está lá no orkut, tem blog, mantém contato com pessoas pelo msn e, muitas vezes, até mesmo com pessoas da empresa onde pretende trabalhar, sem ter conhecimento disso. É comum as pessoas adicionarem umas às outras para conversar sem se conhecerem pessoalmente”, diz. A psicóloga observa que, para o empregador, se a pessoa vai ser sua funcionária, “ela tem de ter uma imagem condizente com a empresa, afinal, a empresa zela por sua imagem e os funcionários são, em última instância, a alma da empresa. Por isso, participar de comunidades no orkut do tipo “detesto acordar cedo”, “odeio trabalhar”, “acho o patrão um explorador”, “meu sonho é ter meu próprio negócio”, pode levar o empregador a suspeitar que a pessoa, se fosse contratada, poderia fazer uso da empresa apenas como um trampolim para satisfazer seus sonhos e, certamente, não seria um funcionário dedicado”, afirma a psicóloga.

     

    Dicas:

    :: Cuidado com o que escreve no orkut, muitas pessoas estão vendo, inclusive seu chefe

    :: Entre somente em comunidades que debatam assuntos saudáveis, que geram crescimento :: Não baixe arquivos e fotos no e-mail da empresa

    :: O MSN da empresa deve ser usado para conversar com clientes e outros funcionários, evite ficar batendo papo

    :: Em algumas empresas onde os e-mails são centralizados, o responsável pela informática pode ter acesso e ver o que os funcionários recebem e o que enviam, inclusive aquele comentário maldoso sobre o chefe

    :: Saiba que tudo o que está escrito na internet é de acesso público, portanto, qualquer pessoa pode ler e interpretar à sua maneira e não entender exatamente a sua intenção ao expressar suas idéias. Se mesmo conversando pessoalmente, às vezes, é difícil fazer-se entender, quem dirá de forma escrita?

    :: Evite erros de ortografia, usar palavras chulas ao léu ou mesmo expressar opinões que não sejam politicamente corretas. Se quiser ter um blog com suas opiniões politicamente incorretas e quiser expressar seus preconceitos, mantenha uma senha e um acesso restrito a pessoas de sua absoluta confiança, ou então, faça uso de um nick (apelido) para que não possa ser identificado a não ser por aqueles que têm acesso ao blog

    :: Diante do computador, temos a falsa impressão de que ninguém vai descobrir quem somos, mas cuidado com os nicks que utiliza ou mesmo as comunidades que freqüenta. Uma pessoa com “feeling” de investigador, acaba descobrindo, através dos links de uma página a outra, quem é você, afinal, como diz o ditado: “a mentira tem pernas curtas”. E lembre-se de outro ditado popular que diz: “você é aquilo que você faz”; o seu comportamento é que revela quem é você, portanto, procure ser uma pessoa coerente consigo mesmo e não tente fazer-se passar por outra pessoa ao buscar um emprego, mesmo que esteja desesperado!

    :: Com toda esta tecnologia, estamos entrando na fase de vigilância total, seja por causa das câmeras que monitoram os espaços, seja através da internet. Por isso, procure sempre mostrar o melhor de você mesmo, seja nas comunidades, nos seus e-mails (alguém também pode vir a publicá-los, uma ex-namorada com raiva, por exemplo) ou mesmo nas suas conversas informais no MSN. Afinal, vivemos o momento em que a imagem diz tudo!

    Matéria publicada no DiárioWeb por Cecilia Dionizio em 09/02/2006