• 08 dez 16

Violência contra a mulher

A violência e a agressão contra a mulher ainda prevalece nas brigas entre casais, quando há ingestão de bebida alcoólica pelo parceiro.

Por: Olga Tessari
  • Violência contra a mulher

     

    Violência contra a mulher

     

    Entrevista com Olga Tessari

     

    No verão, de sábado à tarde até terça-feira, mulheres vão às delegacias denunciar agressões físicas e injúrias

    Nem sempre as férias significam momentos dedicados exclusivamente ao relaxamento e diversão. É nesta época do ano, principalmente de sábado à tarde até terça-feira, que as queixas de brigas e agressões de maridos aumentam nas delegacias.

    Em Vila Velha, foram registradas 88 ocorrências de ameaças, agressões, injúria, perturbação da tranquilidade e tentativa de homicídio neste ano. A maioria dos casos é nos finais de semana.

    As vítimas geralmente são mulheres de 25 a 35 anos, mas há casos de pessoas mais velhas que também armam um “barraco” se flagrar o companheiro olhando para outra mulher, como destacou o delegado Gilson Lopes, titular do Departamento de Polícia Judiciária de Vila Velha e respondendo pela Delegacia da Mulher do município.

    Um dos casos recentes foi de um casal que começou a briga na praia de Itaparica. A mulher estava no quiosque e um grupo de rapazes desconhecidos mostrou uma foto de um homem nu para ela, que achou a situação engraçada e sorriu. Ao ver a cena, o marido, que estava chegando com uma cerveja, sem ouvir a explicação da mulher partiu para a agressão.

    Uma radiopatrulha da Polícia Militar passou na hora e levou os dois para o DPJ de Vila Velha. Ele foi autuado em flagrante, pagou fiança e foi liberado. “Muitas confusões começam nas praias. O marido bebe um pouco mais, olha para o lado e a mulher acha que ele está dando bola. Há homens que ficam revoltados quando alguém passa mexendo com a sua mulher”, disse Gilson Lopes.

    O delegado Willis Soares de Oliveira, titular do DPJ de Cariacica, respondendo pelas delegacias da Mulher de Cariacica e Viana, observou que o número de denúncias triplicou nesses municípios. “O que justifica este aumento é o verão e a nova lei, de número 11.340/2006, conhecida como ‘Lei Maria da Penha’, pois agora o acusado pode ser preso em flagrante”, disse o delegado Willis.

    Em Cariacica, de janeiro a maio do 2006 foram 405 ocorrências de lesão corporal e 907 de ameaça.

    Já em Vitória, em 2006 (janeiro a outubro), foram 754 de lesão corporal e 623, de ameaça.

     

    Bebida dá discórdia entre casais

    A bebida é apontada pela polícia como o principal causador de brigas entre casais. Muitos bebem e mudam drasticamente o comportamento, partindo para agressão e ameaças.

    A dica da psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari para minimizar problemas no relacionamento quando há ingestão de bebida alcoólica em excesso é não discutir e esperar o momento ideal para um diálogo. “Passado o episódio, a mulher deve chamar o companheiro para uma conversa, tentando mostrar o ridículo que ele passou e a bobagem que ele cometeu. A mulher, em hipótese alguma, deve provocar o parceiro enquanto ele estiver alcoolizado”, disse a psicoterapeuta.

    Para Glaucia Salles Xavier, mestre em Serviço Social e integrante do Núcleo de Estudos da Violência da UFES e professora universitária, a vítima não deve ter medo de denunciar. “A impunidade é um dos principais atores da violência. Quando a gente não denúncia, o problema se perpetua. A violência começa com xingamento e pode chegar até a morte”, alertou Glaucia.

    Matéria publicada no Jornal A Tribuna – Vitória – ES em 17/01/2007

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