• 30 jan 17

Você já foi traído?

A confiança é a base de qualquer tipo de relacionamento. Por que as pessoas traem?

Por: Olga Tessari
  • Você já foi traído?

     

    Você já foi traído?  Traição é a perda da confiança! A confiança é a base dos relacionamentos, sejam amorosos, de amizade, em família ou no trabalho. Entender por que as pessoas traem não é fácil, mas pode se tornar um exercício de autoconhecimento.

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

    Por que as pessoas traem? Essa é uma pergunta que fatalmente você já fez, certo? E, com certeza, já passou pela experiência pelo menos uma vez na vida, ou com o namorado, marido, amigos e até mesmo com algum membro da família. Segundo a psicoterapeuta e sexóloga Mara Pusch, a poligamia existe em 84% das sociedades humanas e as relações extraconjugais estão presentes em todas as culturas. Portanto, a traição sempre existiu.

    No entanto, há uma diferença de enfoque: o que é traição para uns pode não ser para outros. “Alguns homens só se consideram infiéis quando mantêm um envolvimento sexual prolongado com alguém que não seja a parceira, enquanto para a maioria das mulheres, qualquer aventura de uma noite já representa traição”, afirma.

    Para o psicólogo e professor da PUC de São Paulo Nichan Dichtcekenian, a infidelidade geralmente acontece porque as pessoas não sabem lidar com seus próprios sentimentos, com o comprometimento que as relações exigem ou, até mesmo, por imaturidade. Na opinião do especialista, isso não significa que haja falta de amor. “Trair é não conseguir assumir totalmente um determinado sentimento”, explica. De qualquer modo, ninguém quer ser enganado, mas, segundo o psicólogo, em se tratando de um casal, nem sempre a deslealdade acontece de uma forma negativa, e sim como um aviso para que se avalie melhor a relação.

    Quem prefere perdoar o parceiro precisa analisar se a desculpa é real e justa antes de aceitá-la. “O perdão surge quando a pessoa continua o relacionamento e pára de sofrer”, declara a psicóloga Olga Inês Tessari. De acordo com a terapeuta, são inúmeras as causas da infidelidade: a busca pelo novo, carência, vingança… Por isso, é necessário ficar atenta aos indícios de que algo não está caminhando bem. Mas cuidado com os exageros! Ficar alerta não significa desconfiar de tudo. Bom senso é fundamental nesse momento. E a regra vale para todas as formas de convivência.

    Trair é não conseguir assumir totalmente um sentimento, mas nem sempre significa falta de amor.

    Engana-se quem pensa que a traição acontece só em relacionamentos afetivos, os amigos também traem. Olga Tessari explica que a aproximação entre duas pessoas acontece por interesses em comum. Por esse motivo, a competição e a inveja são razões que levam à deslealdade.

     

    O que ela tem que eu não tenho?

    Seu namorado não liga mais para você, começa a evitar os encontros e até mesmo o sexo já não é como antes. Embora os indícios apontem para uma traição, você não acredita que ele seja desleal. A situação vai ficando cada dia mais evidente, as cobranças aumentam, a relação fica insustentável, até que ele assume ter outra.

    A sensação é que o mundo desmoronou na sua cabeça.

    Sugestão: antes de ficar se culpando, procure refletir sobre qualidade da relação de vocês. Havia felicidade real? Ou o relacionamento já estava desgastado?

    Dê um tempo para digerir a “novidade” e escolha entre os dois caminhos possíveis.

    Um deles é romper e cuidar de você,transformando sua maneira de ver a vida e não somente se fazendo de vítima.

    Neste caso, procure velhos amigos, mude de visual, inicie novos cursos, viaje e seja feliz!

    Mas, se após conversarem, vocês chegarem à conclusão de que a relação é importante para ambos e pode ser reconstruída, mãos à obra e esqueça o que passou!

     

    Amiga da onça

    Você está feliz por ter encontrado um assunto interessante para desenvolver na monografia de conclusão de curso e compartilha com sua colega a identificação com o tema. Na aula de apresentação você descobre que ela fez o mesmo trabalho. A vontade é de gritar, mas antes de agir por impulso, pense bem, quem vai acreditar que quem copiou foi ela e não você?

    Sugestão: a melhor saída é sempre o diálogo. Espere o fim da aula, procure a professora, mostre as pesquisas que já foram feitas e solicite um tempo maior para encontrar um novo tema, se achar necessário. Em relação à suposta amiga, você já percebeu que ela não é tão confiável. Se preferir, convide-a também para uma conversa e revele o quanto foi imatura ou simplesmente esqueça, perdoe e siga em frente à procura de amigos mais fiéis.

     

    Traição profissional

    Já é tarde e você continua no escritório para terminar o serviço, pois amanhã seu superior tem um reunião importante logo cedo e todo material precisa estar preparado. Depois de muitas horas de trabalho, vai para casa aliviada.

    Entretanto, na dia seguinte é surpreendida pelo telefone e o chefe, aos gritos, dizendo que os arquivos não estão no local combinado. Irritado com o episódio, ele nem escuta sua argumentação e ainda fala que seu colega de sala o informou que nada foi feito e que você foi embora mais cedo.

    Sugestão: embora a experiência seja a comprovação de uma grande infidelidade e os sentimentos de raiva pela injustiça e pela mentira fiquem insuportáveis, jamais pague na mesma moeda. Respire fundo, conte até dez e pense: se você está com razão, há de haver alguma prova. Então, já com a cabeça fria, vá ao escritório, reúna evidências de que o trabalho foi feito e demonstre sua “inocência”. Seu chefe certamente irá acreditar em você.

     

    Matéria publicada na Revista Estilo Natural por Denise Camargo em setembro/2006