• 21 fev 17

Terapia: coisa de doidos?

A resistência à terapia ainda está presente em todas as faixas etárias!

Por: Olga Tessari
  • Terapia é coisa de doidos?

    A terapia com psicólogo ainda é vista com preconceito por muitas pessoas.

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    A adolescência é uma etapa de transição em que a vida de criança começa a dar lugar às responsabilidades do mundo adulto. Além das mudanças, o jovem também precisa conviver com as pressões exercidas pela família e pela sociedade. Essa situação favorece o desenvolvimento de sentimentos como a angústia e a ansiedade, que podem se transformar em problemas psicológicos que precisam ser devidamente tratados. A terapia é uma alternativa, mas o preconceito ainda afasta muitas pessoas desse tipo de tratamento.

    O mau desempenho na escola é um dos sintomas mais recorrentes de que algo está errado com o adolescente. Diante disso, os pais às vezes se desesperam e concentram-se em exigir uma mudança de postura do filho. As cobranças geralmente não dão resultado.

    De acordo com a psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari, a resistência à terapia ainda está presente em todas as faixas etárias e está relacionada ao preconceito de que psicólogo é coisa para loucos, pessoas desequilibradas e que não são capazes de resolver os problemas por si próprias. “O problema é que as pessoas buscam o psicólogo somente depois de várias tentativas infrutíferas de tentar resolver o problema sozinhas ou de seguirem as opiniões de pessoas não especializadas”.

    Embora a adolescência seja uma fase de transformação em que as crises de identidade e a insegurança são comuns, os conflitos do jovem precisam ser levados a sério. Olga Tessari explica que os motivos que costumam levar um adolescente à terapia são as dificuldades de se relacionar com amigos e namorada, baixa estima, mau desempenho escolar, problemas de aprendizagem, medos, ansiedade, estado depressivo e timidez.

    Na batalha por uma vaga na universidade, muitos jovens se sentem pressionados. Neste período a ansiedade eleva-se e, se não for controlada, pode levar inclusive a um mau resultado no vestibular. A terapia é uma ótima alternativa para os adolescentes que enfrentam essa situação, porque ensina a lidar com a ansiedade e conservar a tranqüilidade.

    Cabe aos pais orientar corretamente os filhos e ajudá-los a superar as dificuldades. O problema está no fato de que os pais, especialmente as mães, geralmente acreditam que podem solucionar as angústias e aflições do jovem. “Se seu carro quebra, você corre para chamar o mecânico, a pessoa especializada para consertá-lo. Se o problema é emocional, por que não se busca diretamente o psicólogo?”, indaga Tessari.

    São muitos os benefícios que a terapia pode oferecer ao jovem. Através dela, ele se tornará mais seguro e confiante, aprenderá a controlar impulsos e fobias, minimizará traumas, melhorará as relações interpessoais, superará medos e saberá lidar positivamente diante das situações desafiadoras. Esses fatores aumentam a qualidade de vida da pessoa e também facilitam o estabelecimento e realização de metas.

     

    Matéria publicada na Gazeta Digital – Especial para o Zine por Larissa Cavalcante – Edição 6179 – 05/10/2008