Conhecer os sogros

Conhecer os sogros

Conhecer os sogros

Dicas ajudam a não entrar em uma fria quando você for visitar a casa dela pela primeira vez

Entrevista com © Dra Olga Tessari

A hora de conhecer os sogros

Em uma das cenas mais divertidas do filme “Entrando Numa Fria”, Greg, o personagem de Ben Stiller, tenta se safar de um papo absurdo que começou com o pai de sua namorada, a quem acabava de conhecer. O homem, representado por um típico e intimidador Robert De Niro, ficava chocado ao ver o moço descrever como tinha, certa vez, ordenhado uma gata.

Greg chegou àquele vexame mentiroso por causa do nervosismo em conhecer a família da garota. E essa sensação de frio na barriga, misturada à aversão total por esse tipo de encontro e à vontade de fugir do compromisso, acomete muitos e muitos homens.

A primeira vez na casa da cara-metade é vista por muitos deles como uma provação. Enquanto puder evitar, a maioria o faz. As explicações são variadas.

Incômodo por ter que passar pelo “crivo” paternal, medo da proximidade que isso vai gerar e até vergonha por algum motivo específico. Ter inúmeras tatuagens, por exemplo, fez o publicitário Renan Gerardi protelar essa “primeira vez” de conhecer os sogros.

“Era uma família tradicional, pelo que eu ouvia minha namorada contar. Tinha certeza de que iam me ver como um alien, um doido, um drogado ou pior: me tachar de idiota por fazer pinturas permanentes no corpo”, lembra Renan.

“Mas sabe que paguei a língua? Eles foram muito gentis, e meu sogro até elogiou os desenhos. Hoje somos como melhores amigos. E eu ainda vou convencer o velho a fazer uma tattoo”, brinca ele.

Apelido maldoso

Nem sempre, é claro, a recepção é assim tão cordial. O arquiteto Adriano Alves conta que na primeira vez em que esteve na casa da então namorada, hoje esposa, foi por acaso.

“Ela precisou trocar de roupa para irmos na primeira festa familiar. Eu fiquei esperando na sala. Quando ela foi ao quarto da mãe, escutei as duas conversarem e a mulher soltou ‘aquele magricelo vai junto?’”.

Ela nem me conhecia e já tinha dado um apelido maldoso! Daí minha namorada disse ‘mãe, ele está aí na sala…’. E fez-se aquele silêncio. Fiquei com a maior vergonha, queria sumir debaixo do sofá”, conta Adriano.

Ele diz que mesmo hoje, dez anos depois, tem um relacionamento apenas diplomático com a sogra. “Somos educados, mas não há muito carinho, sabe? Não consigo esquecer aquela atitude dela. Acho que nunca vou”, diz.

A psicóloga Olga Tessari, autora do livro “Dirija Sua Vida Sem Medo”, acha que esse tipo de ressentimento não vale a pena.

“Os rapazes precisam entender que ir conhecer os pais da garota não é um ritual para contrato de casamento. É apenas um encontro social, não é preciso cair imediatamente no gosto deles”, diz Olga. “Essa pode ser, inclusive, uma boa oportunidade para conhecer mais daquela menina com quem ele está saindo. A família diz muito sobre nós”.

Célia Leão, consultora de etiqueta em São Paulo, concorda. E vai além.

“Dizem que observar a mãe dá muitas dicas sobre a filha, hoje e no futuro. E é bem verdade”.

Ela dá algumas dicas para aqueles que estão na iminência de passar pela situação.

A primeira delas é se prevenir, pedir informações para a namorada sobre o que gostam ou desgostam os pais dela – e até atentar para isso e pensar em um presentinho.

“Se o pai adora vinhos, pode-se levar uma garrafa. Se a mãe é fã de jardins, leve uma flor. Ser simpático é o passo inicial, mas nem precisa forçar uma grande intimidade. Basta ser civilizado”, diz Célia.

O analista de sistemas Ricardo Julião bem que tentou, mas não deu muito certo. Para que conhecesse os pais da namorada, ele foi convidado para um jantar especial. “Como eles são uruguaios, achei que me daria bem, que provaria uma bela carne, por exemplo. Mas a mulher decidiu fazer paella. E eu simplesmente abomino frutos do mar”, lembra.

O rapaz conta que encheram seu prato e só de olhar para o arroz misturado a camarões, lulas, mariscos, frango e toda sorte de produtos, ele ficava nauseado.

“Em duas garfadas, parei. E, nossa, eles ficaram visivelmente aborrecidos. Felizmente, essa impressão passou. Hoje eles toleram as minhas frescuras com comida. Ainda bem, senão eu ia ter que levar um saco plástico escondido em todo almoço de domingo”, diverte-se Ricardo.

Matéria publicada no site Estilo Ig por Flávia Pegorin em 09/06/2009

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