• 19 fev 17

Suicídio é fuga?

Tentativa desesperada de solução de um problema, embora seja uma alternativa inadequada.

Por: Olga Tessari
  • Suicídio é fuga?

     

    Suicídio é fuga? A fuga pode levar uma pessoa ao suicídio?

     

    AVISO:
    Se você sofre com a depressão ou pensa em se matar, procure um médico ou psicólogo urgente!

    Direitos autorais das respostas © Dra Olga Inês Tessari

     

    O que leva uma pessoa a cometer suicídio?
    Dra. Olga Tessari: “A conduta suicida, na verdade, é uma tentativa desesperada de solução de um problema, embora seja uma alternativa inadequada. Ela acontece depois de várias tentativas de solucionar o problema (de todas as maneiras possíveis e imagináveis para ela), não tendo encontrado nenhuma solução. Seria algo como a última saída para solucionar o problema. Em geral, a conduta suicida está presente nas pessoas que padecem de depressão, alcoólicos ou dependentes químicos e se agrava se houver sintomas psicóticos.”

     

    Existe algum fator genético ou psicológico que já predispõe a pessoa a cometer este ato?
    Dra. Olga Tessari:
    “Não há pesquisas conclusivas que mostrem que o suicídio seja algo genético. Existem alguns fatores que podem colaborar para a tendência ao suicídio: o fato da pessoa ser impulsiva, não pensar para agir, não medindo a conseqüência de suas atitudes; a baixa capacidade ou mesmo a dificuldade para resolver problemas; pensamentos, atitudes e objetivos derrotistas ou inadequados; fatores ambientais: problemas socioeconômicos, solidão, doenças crônicas e sentimentais.”

     

    Há alguma diferença entre uma pessoa que resolve cortar os pulsos e uma outra que fica em cima de um prédio apenas ameaçando se jogar?
    Dra. Olga Tessari:
    “Muitas vezes, estas atitudes representam um grito desesperado de dizer para as pessoas o quanto tem sido difícil e insuportável conviver com a realidade que ela está vivendo, de mostrar o seu sofrimento e da necessidade que a pessoa tem de querer ser ajudada: seria algo como um pedido de socorro! Tanto que, quando a pessoa toma tais atitudes, ela ‘espera’ a ajuda. E, infelizmente, talvez esta seja a única forma de fazer com que as pessoas a sua volta prestem atenção nela e vejam o quanto ela tem sofrido. Se houvesse mais diálogo e convivência familiar, certamente ela não precisaria recorrer a estas atitudes tão drásticas.”

     

    Dra. Olga Inês Tessari é Psicóloga, escritora, palestrante e psicoterapeuta desde 1984; também faz pesquisas, consultoria e supervisão clínica. Seu site: www.olgatessari.com

     

    Matéria publicada no Jornal Polêmica em março/2008