• 25 jan 17

Suicídio

Fique atento aos sinais que podem indicar se a pessoa pensa ou não em tirar sua própria vida.

Por: Olga Tessari
  • Suicídio: vida é perdida ao vento

    Suicídio!

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

    AVISO: se você sofre com a depressão, procure um médico ou psicólogo urgente!

     

    O chão. Carros, postes, prédios, pessoas. Uma variável de coisas atrapalha a visão e causa vertigem numa mente confusa. O canto do cisne se aproxima e o corpo cai. Lamentos, lágrimas e perguntas ficam no ar: o que aconteceu para ele se matar?

    É preciso estar atento para as várias formas em que os desejos suicidas podem surgir. Uma pessoa desorientada, só, deprimida, infeliz, pode ter este tipo de comportamento, que pode ser diminuído ou radicalizado, dependendo do relacionamento dessa pessoa com a sua família, amigos, sociedade. Os cuidados com esses casos são intensos e merecem um melhor conhecimento.

    Em entrevista concedida por email, a psicóloga Olga Tessari contou ao Site do Padre Marcelo Rossi os motivos que levam uma pessoa a querer se matar e o que precisa ser feito para fazer a pessoa desistir dessa idéia, sendo vital a atuação da família para ajudar a pessoa com tendências suicidas.

    (direito autoral das respostas © Dra Olga Inês Tessari)

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- O que leva uma pessoa a cometer suicídio?

    Dra. Olga Tessari: A conduta suicida, na verdade, é uma tentativa desesperada de solução de um problema, embora seja uma alternativa inadequada. Ela acontece depois de várias tentativas de solucionar o problema (de todas as maneiras possíveis e imagináveis para ela), não tendo encontrado nenhuma solução. Seria algo como a última saída para solucionar o problema. Em geral, a conduta suicida está presente nas pessoas que padecem de depressão, alcoólicos ou dependentes químicos e se agrava se houver sintomas psicóticos.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- Existe algum fator genético ou psicológico que já predispõe a pessoa a cometer este ato?

    Dra. Olga Tessari: Não há pesquisas conclusivas que mostrem que o suicídio seja algo genético. Existem alguns fatores que podem colaborar para a tendência ao suicídio:

    • o fato da pessoa ser impulsiva, não pensar para agir, não medindo a conseqüência de suas atitudes;

    • a baixa capacidade ou mesmo a dificuldade para resolver problemas;

    • pensamentos, atitudes e objetivos derrotistas ou inadequados;

    • fatores ambientais: problemas sócio econômicos, solidão, doenças crônicas.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- O que deve ser feito para demover o suicida dessa idéia?

    Dra. Olga Tessari: É importante saber ouvir o suicida e saber dele os motivos que o levam a querer acabar com a sua própria vida. Não o critique, nem adote uma postura crítica ou moralista. Após ouvir, propor e analisar, junto com ele, as dimensões do problema que ele está enfrentando e buscar as possíveis alternativas. Aquele velho ditado de que duas cabeças pensam melhor do que uma vale neste caso. Mas sempre de forma a ajudar e jamais querer impor nada para ele.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- A depressão é o primeiro passo para o suicídio?

    Dra. Olga Tessari: Não necessariamente, embora seja um fator agravante. Na depressão a pessoa sente-se como se estivesse sem saída para nada, não se sente em condições de fazer nada, fica prostrada. Então, como não age e não consegue agir, pensa que seu caso não tem solução e começa a arquitetar seu suicídio como única forma para fugir de todos os problemas insolúveis. Vale dizer que a autoestima das pessoas depressivas é muito baixa, o que colabora para que ela se sinta incapaz de fazer qualquer coisa.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- Há como perceber se uma pessoa está com desejos suicidas?

    Dra. Olga Tessari: Existem alguns indícios que podem alertar para o fato da pessoa chegar a ter intenções suicidas, embora não sejam fatores determinantes:

    • uma pessoa que vive solitária, que foge de qualquer convívio social, que vive cabisbaixa, fechada em si mesma, que recusa convites, que prefere ficar trancada em seu quarto ou em seu mundo;

    • uma pessoa que vive num meio familiar que não propicia a convivência e o diálogo;

    • comportamento agressivo;

    • doenças crônicas;

    • dores fortes e insuportáveis provocadas por alguma doença;

    • depressão;

    • alcoolismo;

    • usuário de drogas ilícitas;

    • psicoses.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- Qual o papel da família numa pessoa que se encontra com desejos suicidas?

    Dra. Olga Tessari: É fundamental a participação da família! Em geral, pessoas com tendências suicidas vêm de famílias onde inexiste o diálogo, a convivência. Muitas vezes, os pais são críticos, autoritários e não admitem serem questionados, não estão abertos a dialogar e a entender que seu filho cresceu, que este filho pode ter idéias e pensamentos diferentes dos seus e que deve ser respeitado.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- O suicídio é mais comum ocorrer nos jovens?

    Dra. Olga Tessari: Ele pode ocorrer em qualquer idade. Tudo vai depender dos fatores acima apontados, embora, hoje em dia, em função da proliferação do uso de drogas ilícitas, o número de jovens com tendências suicidas esteja em ascensão.

     

    Site Pe. Marcelo Rossi- Há alguma diferença entre uma pessoa que resolve cortar os pulsos e uma outra que fica em cima de um prédio apenas ameaçando se jogar?

    Dra. Olga Tessari: Muitas vezes, estas atitudes representam um grito desesperado de dizer para as pessoas o quanto tem sido difícil e insuportável conviver com a realidade que ela está vivendo, de mostrar o seu sofrimento e da necessidade que a pessoa tem de querer ser ajudada: seria algo como um pedido de socorro! Tanto que, quando a pessoa toma tais atitudes, ela “espera” a ajuda. E, infelizmente, talvez esta seja a única forma de fazer com que as pessoas a sua volta prestem atenção nela e vejam o quanto ela tem sofrido. Se houvesse mais diálogo e convivência familiar, certamente ela não precisaria recorrer a estas atitudes tão drásticas.

     

    Matéria publicada no site do Padre Marcelo Rossi por Rodrigo Herrero em outubro/2004