• 30 jan 17

Tecnologia e idosos

Idosos se atualizam e acompanham avanços tecnológicos para interagir com a sociedade.

Por: Olga Tessari
  • Tecnologia e idosos

    … um santo remédio

     

    Tecnologia e idosos: eles pretendem se atualizar e acompanhar avanços tecnológicos para interagir com a sociedade. 

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    Com o aumento da expectativa de vida, a maior preocupação das pessoas é envelhecer com saúde. Aquela imagem do idoso passando a tarde em frente à TV ou da vovozinha fazendo bolo e crochê virou coisa do passado. Hoje, os idosos buscam interagir com a sociedade. Para isso, é preciso se atualizar e acompanhar as transformações sociais e tecnológicas.

    Cursos direcionados a essa faixa etária podem combater a solidão. Por meio deles, os idosos têm a oportunidade de interagir com outras pessoas, desenvolver a capacidade de se relacionar e sentir-se útil. Traz benefícios que vão além do aprendizado.

    Prova disso é o aposentado Delso Monice. “O computador me faz exercitar a mente. Quando uso o PC, a forma de raciocinar é diferente de quando você lê uma revista ou jornal. A internet me deu um acesso maior à informação, o que considero benéfico a minha saúde”.

    No entanto, há aqueles que se sentem receosos em navegar na internet. É o caso da aposentada Kilza Ticianelli, 66. “Gostaria de aprender e me integrar nesse mundo, mas eu vejo a rapidez das minhas netas e fico com medo. Parece um bicho de sete-cabeças”, disse.

    Mas Kilza admite que o aprendizado seria bom para aproximá-la das netas. “Não precisaria pedir ajuda para enviar um e-mail. Além disso, é uma necessidade que vai preencher um espaço livre do meu dia, vai ocupar minha mente e me fazer sentir mais jovem”. Ela disse que até tentou aprender a acessar a internet com a neta, mas desistiu. “Ela não tinha muita paciência e explicava tudo muito rápido”.

     

    Paciência- A psicóloga Olga Inês Tessari ressalta que é importante que a sociedade seja receptiva e aceite essa vontade do idoso de participar. “À medida que se sente envolvido na sociedade, o idoso apresenta uma longevidade maior e menos problemas de saúde. O idoso que tenta participar, que é ativo na sociedade, cria um antídoto contra a doença”.

    Para a especialista, o grande problema dos idosos é que eles passam a maior parte do tempo sentados no sofá em frente à TV, interagindo somente com a família ou com as pessoas que vão visitá-los. “Sair para outro lugar, ter uma atividade fora do seu lar faz bem para a saúde e para a autoestima”, afirmou Olga.

    Ainda segundo a psicóloga, quando se oferece algo novo a um idoso depressivo, resgata-se nele uma motivação a mais pela vida. “É claro, que no principio, ele terá certa resistência, porque tudo que é novo assusta, dá medo, mas, à medida que ele vai aprendendo, ele descobre o universo que há na internet. Ele começa a dividir e disputar o computador com os netinhos”.

     

    Matéria publicada no Rudge Ramos Jornal por Gabriela Andrade em 14/09/2007