• 26 fev 17

Ficar

O que é o ficar? Um test drive do relacionamento? Uma nova forma de se relacionar?

Por: Olga Tessari
  • Ficar: Test drive no relacionamento

     

    Ficar é uma nova forma de se relacionar? 

     

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    Ficar

    Olga Inês Tessari, psicóloga e psicoterapeuta, é autora dos livros “Dirija a sua vida sem medo: caminhos para solucionar os seus problemas” e “Amor X Dor: caminhos para um relacionamento feliz”. Ela comenta sobre o ficar:  o fato de muitos jovens, atualmente, ficarem mais próximos com mais de uma pessoa durante uma festa.

    Para Olga Tessari, o fenômeno é natural e ajuda as pessoas a escolherem melhor seus futuros namorados(as) e parceiros(as) para casamento. Hoje é comum adolescentes e jovens adultos ficarem com mais de uma pessoa em uma única festa.

    • * (direito autoral das respostas © Dra Olga Inês Tessari)

     

    Qual o motivo deste comportamento?
    Olga Tessari –
    O comportamento das pessoas muda ao longo do tempo de acordo com os conhecimentos, usos, costumes e hábitos da época. Há poucos anos, este comportamento seria inadmissível socialmente, embora seja algo comum e aceito atualmente.

    Este comportamento é reflexo do momento atual, onde todos querem ter prazer na maior quantidade e em menor tempo possível. Além destes fatores, existe ainda a necessidade dos garotos de “contarem vantagem” para os seus amigos a respeito do número de pessoas com quem ficaram (sendo uma espécie de auto-afirmação) ou mesmo de se sentirem valorizados e “superiores” diante dos amigos; é também uma forma de evitar um compromisso mais sério, por medo de virem a sofrer se vierem a ter um relacionamento mais sério e compromissado.

    O fato de ficar com várias pessoas numa só noite pode ser por uma série de razões e as mais comuns seriam a necessidade de conhecer mais pessoas, de aumentar o “ranking” de ficantes, da necessidade de encontrar alguém especial, de se sentirem conquistadores, de serem populares etc.

     

    Meninos e meninas estão agindo da mesma forma, na mesma intensidade? O tradicional medo de ser chamada de “galinha” está caindo?
    Olga Tessari –
    É claro que os meninos são mais atirados que as meninas, pela própria natureza de preservação da espécie. Infelizmente, ainda persiste o preconceito machista de que meninas que ficam com vários são consideradas “galinhas”, mas muitas garotas não têm se importado com este preconceito e têm seguido seus desejos de querer ficar com vários, exatamente como os meninos agem.

     

    Este fenômeno (ficar com mais de um) pode afetar instituições como o namoro e o casamento?
    Olga Tessari –
    Namoro e casamento não são alterados por este tipo de comportamento. A instituição do casamento ainda vai continuar, independentemente das pessoas ficarem ou não.

    O ato de ficar pode ser o caminho para permitir que as pessoas mantenham contato com o maior número possível de pessoas, o que pode propiciar uma escolha mais acertada do(a) parceiro(a) com quem será estabelecido um relacionamento mais duradouro, tal como um namoro ou um casamento.

    O lado positivo do ficar é permitir que as pessoas conheçam-se mais e melhor antes de assumirem um compromisso maior, aumentando as chances deste compromisso se tornar algo duradouro e feliz.

     

    Matéria publicada na Gazeta Digital – MT, Edição 5094, de 11 de Setembro de 2010