• 23 jan 17

Traição tem perdão?

Lidar com a infidelidade é bastante complicado e perdoar também.

Por: Olga Tessari
  • Traição tem perdão?

     

    Traição tem perdão?

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

    A traição é um dos maiores medos de uma pessoa quando ela passa a dividir sua vida com outro alguém.

    Lidar com a infidelidade é bastante complicado. Segundo a psicóloga Olga Inês Tessari, existe vários motivos que levam uma pessoa a trair.

    A traição pode acontecer por uma série de motivos. Os mais comuns são por curiosidade, orgulho, autoafirmação, problemas/dificuldades no relacionamento atual, carências, insatisfação em relação a desejos e expectativas com o(a) parceiro(a), vingança, busca pelo novo e estímulo provocado pela sensação de perigo, ou mesmo de poder.

    Não existem estatísticas para saber quem trai mais, se é o homem ou a mulher, mas a psicóloga afirma que as mulheres são mais discretas quando traem e deixam menos pistas do que os homens.

    Há vários indícios que levam uma pessoa a desconfiar que está sendo traída. A doutora garante que mudar os dias e horários de namorar sem nenhuma explicação convincente, sumir sem dar notícias, desligar o celular por muito tempo, irritar-se com ele(a) por qualquer coisa, evitar de ficar sozinho(a) com ela(e) são alguns sinais evidentes.

    Ela afirma ainda que uma pessoa desconfiada nem sempre é infiel. Uma pessoa desconfiada e ciumenta, em geral tem baixa autoestima e insegurança interna e vai imaginar indícios aonde eles não existem. Mas também é possível que a pessoa que trai ou que está pensando em trair mude seu comportamento de forma a gerar desconfiança no parceiro. E para quem acredita que quem trai uma vez, trai sempre, a doutora explica que isso não é verdade. As pessoas depois que traem nem sempre voltam a trair. As traições podem ser fortuitas ou constantes, tudo vai depender dos motivos que levam a pessoa a trair.

    Quando uma pessoa sabe que está sendo traída e finge que nada está acontecendo, ela se submete a aceitar a traição do(a) parceiro(a) por algum motivo. Os mais comuns são dependência econômica, alteração do padrão de vida, status, por medo de ficar sozinho(a), medo de ser afastado(a) do convívio com os filhos, medo do que as pessoas vão dizer se o relacionamento acabar e medo de aceitar que estão sendo traídas. Mas este fingimento tem um preço e é importante parar e refletir seriamente sobre seus ideais de vida e de relacionamento e se vale mesmo a pena pagar este preço, explica.

    Há casos em que não rola fingimento e muito menos perdão. A doutora explica o que acontece quando toma-se conhecimento de que está sendo traído(a). É comum a pessoa ficar ressentida com aquela situação e passar a ficar desconfiada, na tentativa ilusória de se prevenir de uma outra decepção. Este comportamento dura um determinado tempo mas vai diminuindo na medida em que ela observa a pessoa amada e verifica que seu comportamento e suas atitudes não condizem mais com os que ela tinha quando traía. Passado este primeiro momento de revolta, vem a reflexão sobre se vale ou não a pena perdoar e continuar com o relacionamento.

    A conclusão vai depender do peso/valor que esta pessoa tem em sua vida e do peso/valor atribuído por ela para o ato de trair. O perdão surge quando a pessoa continua o relacionamento e pára de sofrer por causa da traição, colocando-a no passado e seguindo em frente, declara Olga Tessari.

     

    Matéria publicada no site Transanet da Rede Transamérica por Ana Paula Carvalho em julho/2005