Traição tem perdão?

Traição tem perdão?

Traição tem perdão?

A traição é um dos maiores medos de uma pessoa quando ela passa a dividir sua vida com outro alguém

Entrevista com Olga Tessari

Lidar com a infidelidade é bastante complicado. Segundo a psicóloga Olga Tessari, existe vários motivos que levam uma pessoa a trair.

Motivos da traição

A traição pode acontecer por uma série de motivos. Os mais comuns são por curiosidade, orgulho, autoafirmação, problemas/dificuldades no relacionamento atual, carências, insatisfação em relação a desejos e expectativas com o(a) parceiro(a), vingança, busca pelo novo e estímulo provocado pela sensação de perigo, ou mesmo de poder, entre outros.

Não existem estatísticas para saber quem trai mais, se é o homem ou a mulher, mas a psicóloga afirma que as mulheres são mais discretas quando traem e deixam menos pistas do que os homens.

Indícios da traição

Há vários indícios que levam uma pessoa a desconfiar que está sendo traída. A doutora garante que mudar os dias e horários de namorar sem nenhuma explicação convincente, sumir sem dar notícias, desligar o celular por muito tempo, irritar-se com ele(a) por qualquer coisa, evitar de ficar sozinho(a) com ela(e) são alguns sinais evidentes.

Ela afirma ainda que uma pessoa desconfiada nem sempre é infiel. Uma pessoa desconfiada e ciumenta, em geral, tem baixa autoestima e insegurança interna e vai imaginar indícios aonde eles não existem. Mas também é possível que a pessoa que trai ou que está pensando em trair mude seu comportamento de forma a gerar desconfiança no parceiro.

E para quem acredita que quem trai uma vez, trai sempre, a doutora explica que isso não é verdade. As pessoas depois que traem nem sempre voltam a trair. As traições podem ser fortuitas ou constantes, tudo vai depender dos motivos que levam a pessoa a trair.

Quando uma pessoa sabe que está sendo traída e finge que nada está acontecendo, ela se submete a aceitar a traição do(a) parceiro(a) por algum motivo.

Os mais comuns que levam uma pessoa traída a “aceitar” a traição e fingir que não sabe que ela acontece são dependência econômica, alteração do padrão de vida, status, por medo de ficar sozinho(a), medo de ser afastado(a) do convívio com os filhos, medo do que as pessoas vão dizer se o relacionamento acabar e medo de aceitar que estão sendo traídas.

Mas este fingimento tem um preço e é importante parar e refletir seriamente sobre seus ideais de vida e de relacionamento e se vale mesmo a pena pagar este preço, explica Olga Tessari.

Traição tem perdão?

Há casos em que não rola fingimento e muito menos perdão. A doutora explica o que acontece quando a pessoa toma conhecimento de que está sendo traído(a). É comum ela ficar ressentida com aquela situação e passar a ficar desconfiada, na tentativa ilusória de se prevenir de uma outra decepção e pensar se a traição tem perdão ou não.

Este comportamento de desconfiança dura um determinado tempo, mas vai diminuindo na medida em que ela observa a pessoa amada e verifica que seu comportamento e suas atitudes não condizem mais com os que ela tinha quando traía.

Passado este primeiro momento de revolta, vem a reflexão sobre se vale ou não a pena perdoar e continuar com o relacionamento. A conclusão vai depender do peso/valor que esta pessoa tem em sua vida e do peso/valor atribuído por ela para o ato de trair.

O perdão surge quando a pessoa continua o relacionamento e para de sofrer por causa da traição, colocando-a no passado e seguindo em frente, declara Olga Tessari. Nesse sentido, a traição tem perdão sim.

Matéria publicada no site Transanet da Rede Transamérica em julho/2005 por Ana Paula Carvalho

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Olga Tessari

Olga Tessari, Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica, em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz. Ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área. Também é escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros. Realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro. E ela segue atendendo em seu consultório ou de forma online (pela internet) adolescentes, adultos, pais, casais e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes, cada um com sua própria definição do que é felicidade!

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