• 09 dez 16

Amar faz bem ao coração!

Especialistas relatam que o afeto compartilhado gera bem-estar: quem ama e é amado, vive mais e melhor.

Por: Olga Tessari
  • Amar faz (muito) bem ao coração!
    Afeto causa longevidade

    Entrevista com Olga Tessari

    Na semana do dia dos Namorados, resolvemos provar aos nossos leitores que para além do jogo de palavras, o amor faz muito bem ao coração.

    Especialistas relatam que o afeto compartilhado gera bem-estar e pode ser uma forte causa de longevidade, ou seja, quem ama e é amado, vive mais e melhor. O geriatra Renato Maia, da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria, defende que a solidão é a principal inimiga da longevidade e que uma pessoa que se isola e não divide sua vida com pessoas queridas pode morrer mais cedo.

    O presidente da WHF, World Heart Federation (Federação Mundial do Coração), uma organização não governamental sediada em Genebra (Suíça), cujo papel é combater doenças cardíacas, informou que “o amor também reduz o estresse, a ansiedade e a depressão e que uma em cada três mortes no mundo ocorre por problemas no coração e derrame”. Esta cifra que é seis vezes superior às mortes associadas à AIDS no planeta.

    A sensação gerada pela atitude amorosa compartilhada é particularmente boa para o coração, pois o amor libera a endorfina no organismo, substância que proporciona sensação de bem-estar, prazer e alegria, reduzindo o risco de depressão e controlando a ansiedade e o estresse, verdadeiros riscos psicológicos para as doenças cardíacas. A felicidade e o prazer estimulam os hormônios e melhoram o estado geral do organismo pela eliminação de toxinas nocivas à saúde, ou seja, estar apaixonado e ser amado aumentam a qualidade de vida inclusive do ponto de vista do equilíbrio bioquímico do organismo.

    A biomédica Deborah Suchecki, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) explica que “um dos grandes estímulos para a liberação de ocitocina é o contato físico” e a ocitocina é conhecida como o ‘hormônio do abraço’, responsável por garantir a identificação e a personalização, em pessoas e animais, das sensações de acolhimento, bem-estar e segurança. Entre animais, os que apresentam maior nível de ocitocina no organismo tendem a apresentar relações mais estáveis com os parceiros sexuais. “O que a ocitocina faz é modificar as fontes de adrenalina e cortisol, tornando essas fontes menos estimuláveis”. Com isso, sua liberação se torna reduzida e a sensação final é de enorme bem-estar. Pessoas que estão de bem com a vida são menos propensas a infecções, pois a experiência positiva do afeto colabora para a manutenção de uma atitude mental favorável influencia diretamente o sistema imunológico e a saúde cardíaca.

    Já está cientificamente comprovado que quando duas pessoas afetivamente ligadas estão próximas, as batidas do coração de uma interferem nos registros cerebrais da outra, o que explica que todo ato de pensar e falar gera uma energia que, de alguma forma atua sobre quem faz parte da nossa rede de relacionamentos e tanto mais quanto mais a eles estamos ligados. A mesma WHF reuniu 1400 pessoas doentes cardíacos em um estudo e concluiu, depois de 5 anos de acompanhamento, que o índice de mortos entre casados e acompanhados era de 15% contra 50% entre os solteiros e sozinhos, ou seja, é mais de três vezes maior o risco de morte entre quem por opção ou contingência leva uma vida solitária.

    Demonstrar o amor ao parceiro (a) é muito importante e é uma atitude que vai bem além do “eu te amo”, pois é possível confessar o amor com várias atitudes, como fazer aquela receita especial, prestar um pequeno (ou grande) favor, aquele olhar apaixonado, um beijo ardente, pequenas coisas valorizam muito um relacionamento amoroso – e fazem bem à saúde. Neste sentido, um outro estudo, envolvendo 10 mil homens com severa tendência para desenvolver angina (dor no peito relacionada a doenças cardíacas), comprovou uma redução de 50% na incidência das crises de angina entre todos os que responderam positivamente a uma pergunta simples: “Sua mulher demonstra amor por você?” .

    Amar-se primeiro

    Para que a experiência do amor se desenvolva em nossas vidas, é necessário cuidar do amor próprio antes de querer amar alguém, o que significa auto cuidado, pois a sabedoria popular já diz que ninguém dá o que não tem. Isto pode começar pelo amor, que é menos abstrato e mais racional do que parece, pois está ligado a determinadas atitudes positivas em relação a um objeto (uma pessoa, uma causa ou nós mesmos) e só acontece mediante uma decisão.

    A psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari comenta que é “extremamente saudável poder dividir, planejar e construir uma vida em comum ao lado de quem se ama, mas é importante não se tornar dependente do outro, sendo fundamental ampliar a rede de relacionamentos e cultivar os amigos próprios, um sinal de autoestima saudável”. Pessoas que desenvolvem um amor-próprio equilibrado tornam-se mais seguras em suas relações sociais, o que colabora para aproximar e fomentar boas relações de carinho que tornam a vida mais fácil, podendo gerar (ou fortalecer) grandes e profundas paixões.

    Matéria publicada no Boletim do Poder Judiciário de Mato Grosso pela Equipe do Núcleo de Comunicação Interna Ano 1 – nº 7 – julho/2008