Ficar: uma nova forma de se relacionar

Ficar: uma nova forma de se relacionar

Ficar: uma nova forma de se relacionar

O que é o ficar? Um test drive do relacionamento? Uma nova forma de se relacionar?

Entrevista com © Dra Olga Tessari

Ficar é o que?

Olga Inês Tessari, psicóloga e psicoterapeuta, é autora dos livros “Dirija a sua vida sem medo: caminhos para solucionar os seus problemas” e “Amor X Dor: caminhos para um relacionamento feliz” e possui vasta experiência com relacionamento de casal, acompanhando, ao longo do tempo, as novas formas de se relacionar. Ela comenta sobre o ficar: o fato de muitos jovens, atualmente, ficarem mais próximos com mais de uma pessoa durante uma festa.

Ficar é uma nova forma de se relacionar?

Afinal, que fenômeno é esse? E por que hoje em dia o ficar é algo tão comum entre os mais jovens? Qual é o seu significado?

Para Olga Tessari, o fenômeno é natural e é visto pelos jovens como uma nova maneira de escolherem melhor seus futuros namorados(as) e/ou parceiros(as) para o casamento. Hoje em dia é comum adolescentes e jovens adultos ficarem com mais de uma pessoa em uma única festa, vista por eles como uma forma de relacionar.

*(direito autoral das respostas © Dra Olga Tessari)

Qual o motivo deste comportamento de ficar?
Olga Tessari
– O comportamento das pessoas muda ao longo do tempo de acordo com os conhecimentos, usos, costumes e hábitos da época. Há poucos anos, este comportamento seria inadmissível socialmente, embora seja algo comum e aceito atualmente.

Este comportamento é reflexo do momento atual, onde todos querem ter prazer na maior quantidade e em menor tempo possível. Além destes fatores, existe ainda a necessidade dos garotos de “contarem vantagem” para os seus amigos a respeito do número de pessoas com quem ficaram (sendo uma espécie de auto-afirmação) ou mesmo de se sentirem valorizados e “superiores” diante dos amigos; é também uma forma de evitar um compromisso mais sério, por medo de virem a sofrer se vierem a ter um relacionamento mais sério e compromissado.

O fato de ficar com várias pessoas numa só noite pode ser por uma série de razões e as mais comuns seriam a necessidade de conhecer mais pessoas, de aumentar o “ranking” de ficantes, da necessidade de encontrar alguém especial, de se sentirem conquistadores, de serem populares etc.

Meninos e meninas estão agindo da mesma forma, na mesma intensidade? O tradicional medo de ser chamada de “galinha” está caindo?
Olga Tessari
– É claro que os meninos são mais atirados que as meninas, pela própria natureza de preservação da espécie. Infelizmente, ainda persiste o preconceito machista de que meninas que ficam com vários são consideradas “galinhas”, mas muitas garotas não têm se importado com este preconceito e têm seguido seus desejos de querer ficar com vários, exatamente como os meninos agem.

Este fenômeno (ficar com mais de um) pode afetar instituições como o namoro e o casamento?
Olga Tessari
– Namoro e casamento não são alterados por este tipo de comportamento. A instituição do casamento ainda vai continuar, independentemente das pessoas ficarem ou não.

O ato de ficar pode ser o caminho para permitir que as pessoas mantenham contato com o maior número possível de pessoas, o que pode propiciar uma escolha mais acertada do(a) parceiro(a) com quem será estabelecido um relacionamento mais duradouro, tal como um namoro ou um casamento.

O lado positivo do ficar é permitir que as pessoas conheçam-se mais e melhor antes de assumirem um compromisso maior, aumentando as chances deste compromisso se tornar algo duradouro e feliz.

Matéria publicada na Gazeta Digital – MT, Edição 5094, de 11 de Setembro de 2010

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