• 19 jan 17

Avós e Netos: vantagens

O relacionamento entre avós e netos traz benefícios e vantagens para ambos.

Por: Olga Tessari
  • Avós e netos: vantagens!

    O relacionamento entre avós e netos traz vantagens para ambos

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

    O abraço apertado, os mimos exagerados, o cheiro de quitutes e de bolo saindo do forno, a liberdade para fazer o que bem entender e as histórias contadas para dormir.

    Essas são algumas das lembranças que nos viriam à mente sobre vovós e vovôs.

    A convivência entre avós e netos deixou de ser um evento esporádico. Hoje, os encontros entre essas duas gerações são muito aguardados, principalmente em datas comemorativas, como Natal e Páscoa.

    Segundo dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, o Brasil possui cerca de 31 milhões de pessoas com mais de 50 anos e 2,1 milhões de netos ou bisnetos vivendo sob a responsabilidade de mulheres.

    Augusta da Silva Santana, de 66 anos, é um exemplo disso. Em casa, toma conta de seis netos sozinha, enquanto quatro dos cinco filhos trabalham. Sentada ao lado de uma pilha de roupas para passar — tarefa realizada somente quando as crianças estão dormindo—, a aposentada conta que os netos respeitam mais a ela que aos próprios pais. “Criar as crianças está muito difícil, principalmente os mais velhos”, diz Augusta. “Quando meus filhos querem pegar os meninos na ‘chinela’, defendo. Tem de conversar olho no olho, assim eles obedecem”.

    Para a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari, os avós devem deixar claro que a função de educar os netos fica a cargo dos pais. “Eles não têm a tarefa de serem babás”, comenta. “Como diz o ditado, os avós têm mais é que ‘estragá-los’, dando a liberdade que gostariam de ter dado a seus filhos”, diz Olga. Segundo ela, enquanto os avós ensinam o que sabem da sua experiência e da história da família aos netos, estes os levam a reviver o passado e, assim, a refletirem sobre sua vida e elaborá-la melhor.

    Passear, ir ao cinema, aprender novidades tecnológicas, como navegar na Internet, por exemplo, são artimanhas que aproximam ainda mais as duas gerações.

    Quem faz isso é o comerciante Valmir Silveira de Aguiar, de 62 anos, que tem seis netos do primeiro casamento e ainda cuida do neto mais velho, de 14 anos. Para ele, a relação garante confiança e afeição. “Sempre saímos e nos damos muito bem, pois dou conselhos, ficamos atualizados juntos, vamos à igreja e conversamos sobre tudo”, revela. “Como ele está na adolescência, fico no pé, principalmente quando o assunto é drogas e más-companhias”, assegura o comerciante. Nessa troca de ideias, o idoso conquista novas amizades, como a dos colegas dos netos, por exemplo, o que pode gerar um certo ciúme.

    A terapeuta e presidente da Associação Paulista de Terapia Familiar (APTF), Elizabeth Polity, vê o sentimento de ciúme como algo comum no desenvolvimento emocional. “Acho que o adulto pode trabalhar esta situação com bom senso, mostrando que tem amor para todos e que coração de avós é como o de mãe: sempre cabe mais um”, explica.

     

    Serviços 

    Olga Inês Tessari, psicóloga, é responsável pelo site Ajuda Emocional – www.ajudaemocional.com

    APTF – Associação Paulista de Terapia Familiar – Al. Campinas, 1.111 – Jd. Paulista. São Paulo, SP

     

    Matéria publicada na Revista Maioridade por Keli Vasconcelos em novembro/2006