• 23 jan 17

Mãe solteira

Sozinha e muitas vezes sem suporte algum, ela precisa trilhar seu caminho sozinha com o bebê.

Por: Olga Tessari
  • Mãe solteira

    Mãe solteira – Mulheres enfrentam barreiras

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

     

    Ser mãe solteira num país como o Brasil não é coisa das mais fáceis.

    Muitas vezes, sem suporte familiar, dos amigos e, desaprovada na sociedade, a mulher tem que trilhar seu caminho sozinha com o bebê e sente o desamparo lhe atacar por todos os lados.

    Segundo relatório do Fundo de População da Organização das Nações Unidas (ONU), a cada mil mulheres brasileiras de 15 a 19 anos, nascem 71 bebês, mesmo número registrado em toda a região da América Latina e do Caribe.

    Para a psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari, é muito difícil ser mãe solteira, pois não há um companheiro masculino ao lado da mulher, além dos problemas financeiros comuns aos jovens. “Ela vai precisar contar com o auxílio da família, amigos, porque nem sempre o pai da criança assume e nem sempre a mãe quer assumir esse pai, pois às vezes a gravidez aconteceu num encontro fortuito”, observa.

    Olga Tessari diz haver casos em que as mulheres utilizam a gravidez para manter os rapazes que gostam próximos delas: “Então ela engravida de propósito numa noite de amor e o rapaz percebe isso, e acaba por abandonar a relação, pois já possuía tal intenção”.

    Olga Tessari afirma que a participação dos pais é fundamental para uma mãe que vive essa empreitada sozinha. Mas não é sempre que eles aceitam tal situação.

    “Num primeiro momento eles ficam revoltados e dizem: ‘não era isso que eu queria para a minha filha’. Mas depois, como eles amam a filha, a maioria acaba por tentar trazê-la para o lar. Mesmo assim, ainda existem aqueles que, por uma questão de moral, de orgulho, expulsam a moça de casa”, considera.

    “Eu não tive apoio do pai da minha filha. Tampouco da minha família no momento que eles souberam. Eles até disseram que ficariam do meu lado, que estariam comigo para o que eu precisasse, mas no fundo eles ficaram decepcionados”, relata a relações públicas (que não quis se identificar) 23, que teve uma filha sem o companheiro e sentiu na pele a desaprovação inicial dos pais.

    Os avós podem ter participação prejudicial à vida da criança, na visão de Olga Tessari, pois eles têm a função de “mimar” a criança e acabam por não educá-la da forma devida. “Ocorre que, como essa garota ainda está em formação de conceitos, de valores, os pais dela assumem a educação dessa criança”, coloca.

    De acordo com Olga Tessari, os problemas apenas começam quando a criança nasce:

    “Como a garota é jovem, ela quer continuar a vida dela, sair trabalhar, fazer as coisas que ela tem vontade e os pais querem que ela fique em casa para ‘tomar conta do filho num sábado à noite'”. Isso pode ser perigoso, pois a criança pode se sentir rejeitada, ao se ver como a motivação para esse tipo de discussão.

    “A jovem deve assumir que é mãe, educar a criança e tentar relacionar sua vida pessoal com a da criança e não usar os pais como muleta. Tentar o quanto antes colocar a criança numa creche, para que ela interaja com outras”, finaliza Olga Tessari.

     

    Matéria publicada no site do Padre Marcelo por Rodrigo Herrero e Markione Santana em julho/2005