Ser amante

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Entre o preconceito e a alegria de ser amante

Entrevista com Olga Tessari

Uma das principais causas do fim de um relacionamento, a infidelidade destrói a autoestima e a confiança dos casais e pode acabar com as bases de uma relação. Homens e mulheres traem por motivos diferentes, mas ninguém está livre do risco de cometer erros ao longo da vida.

Mas mesmo sabendo de tudo isso, cerca de 40% de 100 entrevistados de uma pesquisa confessaram que têm ou já foram amantes. E no século XXI, a figura do amante que está relacionada à infidelidade e traição, ganha todas as homenagens amanhã, dia 22 de setembro.

Ser amante

Mas como é ser amante em 2003? Será que com toda a liberdade que os tempos permitem, ser amante é uma boa? E a mulher que conquistou seu espaço no mercado de trabalho aceita viver no anonimato em nome de um amor proibido e de ser amante?

Maria de Nazaré, 44 anos, advogada, viveu como amante durante 15 longos anos.

“Quando o conheci, era uma jovem recém formada e cheia de sonhos. Ele nunca me enganou, aceitei ser amante porque me apaixonei. É verdade que tem seu lado ruim, mas os bons momentos compensam toda tristeza”, conta Maria, que garante que o caso só terminou devido a morte do amado.

Vantagens também são descritas pela vendedora Regina de 24 anos. “Você só encontra com a pessoa quando ela está de bom humor e as manifestações de carinho costumam ser sinceras. Cada encontro é uma emoção, um coisa diferente. Acho que nunca vou me enjoar dele”, acredita ela.

Entre as desvantagens, Regina cita a de saber “que a pessoa vai dormir com a esposa e não pode estar com a gente sempre que quer”, disse ela, que mantém um relacionamento de dois anos com um homem casado.

A professora Ana Silveira, 32, concorda. Ela teve um amante durante 15 anos e passou, várias vezes, sozinha datas como Natal e o seu aniversário. “Nessas horas é muito difícil”, diz. Hoje em dia, ela afirma que não se envolveria com um homem casado, mas diz que não se arrepende. “Eu estava muito apaixonada”.

Mas não é só a mulher que pode ser amante. Só para lembrar um caso famoso nos últimos tempos: o do ex-presidente norte-americano Bill Clinton que assumiu ter “mantido relações impróprias” com sua estagiária, Monica Lewinsky, dentro da Casa Branca.

Pelas declarações da ex-estagiária as relações foram mais do que impróprias. Monica, como boa parte das mulheres que se envolve com homens casados, parece ter sido o tipo de amante que acredita em conversa do homem casado que diz ter um “casamento em frangalhos”.

Segundo a famosa estagiária, o presidente não teria descartado a possibilidade de que, em quatro anos, quando acabasse seu mandato, os dois pudessem viver um “happy end”.

Ser amante na ficção

A ficção também é prodiga em tipos de amantes. Uma das amantes mais famosas foi interpretada por Glenn Close no filme “Atração Fatal”.

Ela é uma espécie de “heroína” das amantes que se sentem enganadas e vão à forra. No filme, tenta se vingar de todas as maneiras do ex amante. Moralista, o filme dá um fim trágico para a moça, e a família dele, ameaçada, volta aos trilhos.

Sede de vingança

Embora na vida real poucas mulheres cheguem a esse ponto, a sede de vingança está presente na cabeça de muitos amantes. “Tive vontade de esganá-lo e ao mesmo tempo de morrer também”, diz a professora Carla, de 34 anos. Ela esteve envolvida por três meses com um homem casado, que disse para ela o tempo todo que era solteiro.

“Quando descobri, por conta própria, fiz um escândalo e por pouco não liguei para a mulher dele contando tudo”, recorda Carla que chegou a ligar várias vezes para a casa do ex amante, sem saber que ele tinha uma esposa.

Mas muitas mulheres que viram amantes sabem exatamente onde estão se metendo. É esse o caso de Míriam, de 22 anos, que teve um caso de seis meses com um homem comprometido. “No início tudo era uma brincadeira e queria só me divertir um pouco, só que acabei me apaixonando”, conta.

Segundo Miriam, quando o romance engrenou passou a achar que o amante poderia se separar da mulher para ficar com ela. “Hoje me sinto uma ridícula quando lembro que sonhava com o dia em que ele ia largar a esposa para ficar comigo. No caso dos amantes, o amor quase nunca triunfa”, diz.

Miriam se envolveu com um homem casado quando tinha apenas 17 anos. E de acordo com ela, muitas de suas amigas já tiveram o mesmo tipo de envolvimento. “Acho que cada vez mais as garotas novas ficam com homens casados. A gente já pensa assim quando conhece alguém: ele é muito perfeito deve ter algum defeito, deve ser casado”.

No caso de Míriam, a paixão era cada vez mais alimentada pelo amante. “Ele dizia que não era casado no papel, por isso a qualquer momento poderia deixar a esposa. Além disso, vivia reclamando dela, dizendo que era chata e que os dois não se entediam”, conta.

A estudante Luíza, hoje com 21 anos, tinha 18 e trabalhava como estagiária de uma empresa quando se envolveu com um de seus chefes, de 44 anos. Assim como Monica Lewinsky, ela afirma que não manteve relações sexuais com o chefe. “Não cheguei a transar com ele para não me envolver demais: ser amante não estava nos meus planos”.

Mesmo assim, ela ainda guarda o cordão de ouro com a inicial de seu nome que ganhou do chefe no dia 22 de setembro de 1999 como presente do Dia do Amante. Apesar de ter gostado do presente – “foi uma prova de que ele era apaixonado por mim” – ela logo terminou o caso. “Poderia me machucar muito e me prejudicar profissionalmente”, diz.

O que leva homem e mulher à traição?

Na maioria das vezes, as pessoas traem quando o relacionamento não atinge suas expectativas.

De acordo com a psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari, na maioria das vezes a pessoa trai porque está em busca de algo que o parceiro não oferece, quando o diálogo entre o casal não existe mais.

A pessoa acaba procurando uma saída, aparentemente, mais fácil. “O homem também trai para provar sua masculinidade, porque a sociedade espera que ele se mostre assim”, diz Olga Tessari.

Como descobrir a existência de outro(a)

Se você está há algum tempo com seu companheiro, observe seu comportamento, como não vir para casa no mesmo horário de costume, sumir sem dar notícias, se irritar com você por qualquer coisa. Essas atitudes não são sintomas da traição, mas mostram que alguma coisa não está bem no relacionamento e um dos dois pode acabar traindo.

Os homens têm mais dificuldades em descobrir quando estão sendo traídos. Eles não costumam reparar em comportamentos típicos das parceiras. Os homens desconfiam de traição, na maioria das vezes, quando a companheira se nega a fazer sexo com freqüência.

Quando se trata de superar uma infidelidade, é melhor buscar ajuda profissional do que o aconselhamento de um amigo ou amiga. Um psicólogo especialista em relacionamento de casal pode proporcionar a discrição, naturalidade, neutralidade e experiência necessários para superar o problema.

Relações extraconjugais, um risco a mais para o coração?

Más notícias para quem trai o parceiro. O cardiologista britânico Graham Jackson, falando em um congresso europeu sobre saúde sexual, em Hamburgo, avisou que manter relações sexuais extraconjugais pode aumentar o risco de ataques cardíacos.

O especialista do hospital St. Thomas, de Londres, descobriu que casais que mantêm relacionamentos duradouros são menos propensos a sofrer ataques do coração quando fazem sexo do que aqueles que têm casos ou que ficam com uma pessoa por apenas uma noite.

“Descobrimos que 75 por cento dos casos de morte súbita durante a atividade sexual envolviam pessoas que estavam fazendo sexo fora do casamento”, disse o Dr. Jackson.

Segundo o especialista, o perigo de que um colapso cardíaco ocorra durante a relação sexual extraconjugal é ainda maior quando existe uma diferença de idade significativa entre os dois parceiros.

Jackson explicou que, embora os batimentos do coração acelerem consideravelmente durante a atividade sexual, sua pesquisa descobriu que os casais que mantêm relacionamentos duradouros, em geral, não correm risco de colapso.

A medição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos mostrou, segundo o médico, que o sexo pode em geral ser comparado a uma caminhada de 20 minutos. O orgasmo significaria para o coração o mesmo que caminhar e em seguida subir correndo um lance de escadas.

Por outro lado, o médico garantiu que, de modo geral, apenas um por cento dos ataques cardíacos é causado pela atividade sexual.

Matéria publicada no site O Liberal

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Olga Tessari

Olga Tessari, Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica, em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz. Ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área. Também é escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros. Realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro. E ela segue atendendo em seu consultório ou de forma online (pela internet) adolescentes, adultos, pais, casais e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes, cada um com sua própria definição do que é felicidade!

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