A cultura do ficar

A cultura do ficar

A cultura do ficar

Ficar é uma nova forma de cultura na relação afetiva?

Entrevista com © Dra Olga Tessari

As mudanças ocorrem e atualmente o “ficar”, marca registrada de uma relação superficial, está disseminado e vai além das fronteiras da adolescência.

Jovens adultos e, por vezes, não tão jovens, rendem-se a essa prática. O que pretendem? O que encontram? Podemos dizer que a há uma cultura do ficar?

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“Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
(Vinícius de Moraes)

Qualquer dia da semana, a qualquer horário, nas escolas, nos clubes, nos shoppings, nas baladas de todos os tipos e acreditem até mesmo no transporte coletivo, observamos casais que não satisfeitos com o flerte , um namorico à moda antiga, entregam-se a beijos e carícias com pessoas que muitas vezes estão vendo pela primeira vez e hora.

Visões sobre a nova cultura do ficar

O Prof. Dr. Sandro Caramaschi da Universidade Estadual de São Paulo diz “ficar não é uma mudança comportamental isolada, e sim o reflexo de uma sociedade composta por pessoas mais centradas em si mesmas”. Acrescenta que “ficar” pode ter a duração de um beijo, uma noite, algumas semanas mas, sem telefonemas ou confirmação de encontros.

Segundo a psiquiatra e psicanalista Simone Sotto Mayor, “numa cultura onde o transitório e o descartável cada vez têm mais lugar, o “ficar” parece representar o máximo possível de uma relação provisória. Nesse caso, os envolvidos parecem estar interessados apenas no bônus da experiência sensorial. Os ônus seriam os do compromisso.”

O psicoterapeuta de adolescentes Içami Tiba sinaliza que essas relações superficiais, relações “fáceis”, são indicativas de que a tolerância está diminuindo assim como a capacidade de superar as frustrações.

Os jovens dizem que trata-se de uma forma de conhecimento. Algumas vantagens apontadas: conhecer muitas pessoas diferentes , possibilidade de avaliar um maior número de parceiros e a ausência de compromisso, diz a psicóloga Olga Tessari.

Ora, namorando você também conhece pessoas e nada limita o número de namoros possíveis para uma pessoa, já quanto ao compromisso o mesmo não acontece , pois, em nossa cultura o namoro supõe fidelidade. No “ficar” a frase “se aparecer alguém melhor … estamos liberados” se aplica sem discussão, já no namoro por existir um vínculo afetivo, se o rompimento for unilateral provocará sofrimento. Viver uma relação sob a ótica do “ficar” nos remete a valores imputados pela sociedade de consumo, assim tudo é descartável, transitório e sempre há melhor.

Sem sofrimento, sem dor, sem compromisso, sem vínculo, mas também sem afeto, sem intimidade emocional, sem sentimentos profundos.

“Por outro lado, o ato de ficar remete a uma nova forma de conhecer e de interagir com pessoas e, quem sabe, escolher melhor a pessoa com quem o jovem vai estabelecer um relacionamento sério, namorar e, talvez, viver com ela uma relação feliz pela vida afora”. É o que diz a psicóloga Olga Tessari.

Ela ainda salienta que boa parte dos jovens ainda quer ter um relacionamento duradouro, mas não mais de acordo com os moldes antigos do namorar, noivar, casar. Eles buscam um novo formato e o ficar pode fazer parte dessa nova busca de um parceiro para a vida afora. Em seu livro AMOR X DOR, Caminhos para um relacionamento feliz, ela explica melhor como ter um relacionamento pleno e feliz pelo resto da vida.

Este livro de Olga Tessari também ajuda a pessoa a escolher melhor o parceiro que quer ter para a sua vida.

Matéria publicada no site Consulado da Mulher por Fátima Clementi, voluntária do Conselho Editorial de Joinville em 30/04/2006

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