• 22 out 18

Como enfrentar o medo?

O medo faz parte da vida, mas não podemos paralisar por conta dele.

Por: Olga Tessari
  • Como enfrentar o medo?

     

    Afinal,  o que é o medo? Como enfrentar?

     

    Psicólogos falam sobre esse sentimento do medo que nos protege e nos assusta.

     

    Entrevista com © Dra Olga Tessari

    O medo é um sentimento comum a todas as espécies animais e serve para proteger do perigo.

    Segundo a psicóloga Olga Inês Tessari, todo ser humano nasce com dois medos, do barulho e o medo de cair. Os demais são adquiridos ao longo da vida, conforme a pessoa vai se deparando com situações mais ou menos ameaçadoras, já que o medo é o principal sentimento a demonstrar o instinto de sobrevivência.

    “O mundo sempre foi um lugar perigoso. Faz parte do cotidiano de qualquer espécie animal, incluindo a humana, conviver com o risco.

    Assim, não é surpreendente que o cérebro dos animais apresente especializações que visem à avaliação das ameaças no ambiente e a responder apropriadamente a elas, minimizando a chance de lesões e de morte”, explica Fabio Corregiliari, especialista em psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

    De acordo com o especialista, o medo é uma emoção relacionada à uma situação em que existe uma ameaça iminente mas não existe conflito e tampouco benefício em potencial. A fuga ou o escape são, nestas situações, a alternativa comportamental mais adotada. Isso vale tanto para seres humanos quanto para animais.

    Para a psicóloga clínica Eliana Alves Lima, o medo “natural” que existe em todos nós tem a função de proteção. “Se nos remetermos à pré-história, onde era necessária a caça para alimentação, o medo servia para que os homens enfrentassem suas caças de forma adequada. Hoje em dia não é mais preciso caçar para comer.

    Entretanto, temos outros obstáculos a temer. Imagine se fossemos desprovidos deste sentimento, enfrentaríamos ladrões armados, atravessaríamos a rua sem olhar para os lados etc. Portanto, o medo não deixa de ser uma forma natural de autopreservação”, acrescenta.

    O limite que separa o medo normal do exagerado é bastante sutil, mas deve ser observado já que o temor em excesso acaba limitando o indivíduo em sua rotina diária. É o chamado medo patológico ou fobia. “É aquele medo excessivo em que o indivíduo tem consciência da sua irracionalidade, mas não consegue se livrar deste sentimento. Este medo é tão avassalador que impede ou compromete a vida social, profissional e pessoal do indivíduo”, frisa Eliana Alves.

    Segundo ela, o termômetro para que se perceba a necessidade de ajuda terapêutica é a recusa de convites, a alteração da rotina diária e o comprometimento de alguma área da vida da pessoa. “Neste estágio,provavelmente a pessoa não conseguirá superar tais dificuldades sozinha e necessitará de ajuda terapêutica para superar suas limitações”, alerta.

    Na opinião de Olga Tessari – que também é autora de um livro chamado “Dirija sua vida sem medo: caminhos para solucionar os seus problemas” – quando o medo escraviza quem o sente está mostrando o seu lado mais negativo. “Se a pessoa começa a se isolar em casa porque tem medo de ser assaltada ou fica apreensiva quando alguém chega perto dela, isto se torna perigoso.

    O medo não pode comandar a vida de ninguém. Neste caso dizemos que o medo é limitador porque a pessoa não consegue fazer mais nada por achar que algo vai acontecer com ela”, explica ela.

    Estes casos mais extremos podem trazer consigo sintomas físicos como tremores, suores, taquicardia, voz trêmula, dores de cabeça, sensação de desmaio, diarreia, náuseas e um nível alto de adrenalina. “Os familiares devem compreender esse medo, não menosprezá-lo e a paciência deve prevalecer”, diz Olga Tessari.

    Na maioria das vezes os medos são criados a partir de uma experiência ruim que a pessoa viveu ou viu alguém passar. “Uma criança por exemplo, tem medo de insetos se presenciou a mãe ou alguém próximo ficar apavorada quando viu um. Ou então tem medo de ser assaltada naquela rua porque sua amiga já foi. Ela tem medo de passar por uma situação que alguém já viveu”, observa Olga Tessari.

    “A pessoa não deve ficar envergonhada do problema ou achar que isto não é normal. Ter medo de alguma coisa é mais normal do que se pensa, desde que não altere sua rotina.Se ela for alterada, é hora de buscar a ajuda de um psicólogo para acabar com esse medo que limita a sua vida”, complementa Olga Tessari.

     

    Matéria publicada na Gazeta Digital por Maria Angélica de Moraes